O metro de Lisboa, ou o regresso do bom e velho PS.

A ver se nos entendemos. As falhas nos transportes públicos de Lisboa, em especial do metro (a merecer destaque porque a burguesia não anda de autocarro), em nada são atribuíveis ao mau uso popular ou às malfeitorias do “Álvaro” que os tutelou há vários anos. Não foi o Álvaro quem deixou que acabassem os bilhetes. Não é o Álvaro que emite avisos permanentes, e justificados, sobre perturbações da linha Verde ou Azul.

Mais: o discurso ideológico sobre a “pesada herança” do Governo anterior não nos ajuda a resolver o problema, que é técnico antes de ser político. Por isso, o spin do deputado João Galamba, ou as elucubrações de repórteres alinhados como o Miguel Marujo denunciando as misérias de 2013 de nada nos servem, e inquietam quem espera uma resposta razoável às legítimas ansiedades dos utentes, entre os quais me incluo.

Não votei no PS para assistir ao triunfo de comissários partidários inimputáveis nas empresas públicas. Portanto é melhor que os responsáveis pelo estado de sítio que se vive no Metropolitano de Lisboa se expliquem de maneira digna e suficiente.

Caso contrário, saberemos com o que contamos.

Eram bons tempos, Alzirinha.

Como todos os neófitos, sinto uma inclinação por hipérboles. Quando me converti aos produtos biológicos sabia que eram mais saudáveis — por simples ausência de herbicidas, antibióticos, etc. — mas isso não me bastou. Queria que fossem também mais saborosos e me reconciliassem com as memórias da infância, período em que os tomates se desfaziam no sal sem que nada de poroso, farinhento ou adstringente estragasse o meu prazer enquanto os mordiscava sobre uma fatia de pão. Doce quimera.

O supermercado Miosótis, no qual vou abrindo caminho entre gente tão pura que parece ter passado as portas de Valhala, oferece-me um sentimento gratuito de vitória moral mas nunca me proporcionou o estremecimento de sensações ao alcance de qualquer das vendedoras de frutas que me levavam à boca um bago de moscatel, um gomo de laranja de inverno, ou a metade de um figo, por esta altura, quando ia à praça com a minha avó.

Talvez a minha frustração não provenha dos produtos, mas do palato que se dessensibilizou. Ou estamos tão prisioneiros dos negócios que não conseguimos escapar ao toque de finados da natureza, permitindo que se acolham nos próprios santuários do altermundialismo. Penso muito nisto quando vejo salsichas de seitan e merdas assim,  mas não cheguei a uma conclusão.

 

Falta ousadia.

O Diário de Notícias, publicação de referência na área do link baiting, revela-nos hoje que a cantora Madonna tirou a roupa para apoiar Hillary Clinton.

E Guterres, não merece o desvelo das nossas compatriotas? Alice Vieira, Maria Velho da Costa, Helena Sacadura Cabral — toca a despir, minhas senhoras.