Comer, beber.

  1. Bem sei que os vinhos frutados, cheios de madeira, passaram de moda, e que hoje se querem ácidos e minerais. Mas não estaremos a exagerar? Noto muita acidez, muita ausência de aroma e pouco juízo entre vários produtores.
  2. Com família em Castelo Branco, conheço bem os queijos da região. Houve tempos em que regressava de férias e conseguia cheirar os queijos picantes nas carruagens do comboio que me transportava para Lisboa. Esta semana comprei num supermercado metade de uma dessas relíquias, adornada de medalhas e selos de qualidade, e o que tenho a dizer é isto: não prestam. Não têm cheiro, não têm sabor, nem sequer são picantes. Quando é que os consumidores portugueses passarão a valorizar os produtos regionais, impedindo que sejam adulterados por reles cópias para consumo de hordas sem palato? Estas coisas chocam-me. Chocam-me.
  3. Nespresso em restaurantes da moda: e já agora, um paliteiro.

31 pensamentos sobre “Comer, beber.

    1. Não acredito, isso é mitomania da nossa direita. Toda a Europa tem ASAE, que impede que haja baratas a voar em pastelarias, e em França ou Itália, por exemplo, conseguem-se encontrar produtos que se não genuínos fingem muito bem (embora o sabão de marselha tenha tido melhores dias, concedo).

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  1. Sim, Jorge, mito? Se vivesse na minha região haveria de o convidar para um assado de bacalhau velho (dois anos a secar entre camas de palha, numa cave fria e escura) e uma excelente salada com vinagre de fabrico tradicional, dois crimes. À sobremesa, acompanhada de bagaço de alambique tipo Charente, clandestino, ouvi-lo-ia discretear sobre os méritos do actual governo, um bom adjuvante ácido para acompanhar os doces. Ah, e a conta é sem factura, sem detalhes e sem IVA – o estalajadeiro sabe do que eu gasto e do que eu gosto. Alguma gente de direita é assim, uma corja anti-social.

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      1. Em público? Não estou doido. Dê-me o seu e-mail e logo se vê. Quanto à Junta faz mal, a esse nível o que conta é a seriedade e a capacidade de trabalho do candidato, o partido que se lixe. De qualquer maneira nem legisla nem lança impostos.

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          1. Eu também quero ir ao bacalhau do Meireles. Faço questão de declamar uns poemas no fim. Vai ser uma noite catita, rapazes.

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    1. Não sabia dessa do bacalhau velho. Quando era miúdo ia ver os bacalhaus a secar ao sol em Aveiro. Ia a família de passeio ver os bacalhaus a secar ao sol em Aveiro. Isto, dito agora assim, soa a passatempo medieval, mas era bonito. À noitinha, íamos à pesca da enguia na Ria, à sertela, à luz da lua, com os pés na água, eu com as minhas botinhas de borracha. Lá está, nunca mais senti o cheiro do lodo.

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        1. Do lodo, do fértil lodo,
          Não mais se sentirão os eflúvios.
          Seca o fértil húmus deste terra úbere,
          Desabam as fragas.
          Não mais o pipilo alegre do rouxinol,
          O som do regato cristalino,
          O riso franco de uma criança…
          O tempo, cavalgado pelo Homem,
          Tudo seca ao seu passar.
          Não mais, não mais….

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                1. … diacho, que até me caiu o cachimbo … e se o tom alusivo não fosse ligeiro, ora ora … lisboeta, ponto e vírgula, parisiense e transmontano oriundo da casa de Tormes, prénom: Jacinto.

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  2. Padeço do mesmo mal do Luís, tirando, honrosas e escassas excepções, os vinhos parecem, retirado o rótulo, todos o mesmo. Parece que os enólogos copiaram os apontamentos uns pelos outros e usam as mesmas as leveduras, acabando ou mitigando as singularidades próprias de cada casta e de cada região, aquela coisa pretensiosa do terroir…

    Tendo dito isto, agradeço que como aqui https://vidabreve.wordpress.com/2016/06/05/privilegios-da-lusitania/ e https://vidabreve.wordpress.com/2015/04/20/olhos-nos-olhos/ continue a partilhar os bons exemplos para que, pelo menos este leitor, contribua para a sua manutenção comprando, comendo e bebendo🙂

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      1. Muito me honraria colaborar consigo.

        Enquanto o Luís não fica euromilionário, apenas posso pedir que continue a partilhar connosco, os leitores, as suas descobertas gastronómicas e enófilas.

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  3. Caríssimo Luís, como o panorama “gourmet” de Lisboa mudou para pior depois do encerramento da loja “Wine O’Clock”, às Amoreiras…

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  4. Mais do que o sabor, é o cheiro das coisas que me agrada. E eu não sei o que se passa com as coisas que hoje se comem, mas não têm cheiro, seja o queijo, seja a fruta, seja outra coisa qualquer. Como as pessoas também já só usam desodorizantes sem cheiro, nada hoje se pode comer que cheire a qualquer coisa, de facto. Parece que já nada fermenta nem apodrece nem se desintegra nem explode; só um desaparecimento lento da memória. Pronto, já tenho um texto para colar aos meus queijos de cabra, feitos à moda tradicional. Faço cheese tours nostálgicos, ao sábado, numa carruagem da linha de Castelo Branco.

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  5. Oh os queijos picantes!… A última tentativa que fiz para saborear um foi numa micro-loja de produtos “autênticos e tradicionais” que abriu muito perto de onde moro (fechou poucos meses depois). O simpático dono da coisa, quando lhe perguntei se os queijos picantes que lá tinha eram os verdadeiramente picantes e fedorentos, garantiu-me que sim, embora fosse acrescentando que era artigo de venda difícil “porque as senhoras preferem um paladar menos forte”. Quando lhe ferrei o dente, foi a completa desilusão: aquele já tinha sido, de certeza, configuado “para senhoras”…

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  6. Caro Luís M- Jorge se lhe anda a apetecer um bom vinho, um bom queijo, uma boa manteiga de ovelha e um belíssimo passeio vá até à Quinta do Alcube, Penso que não se sentirá desiludido. O dono da quinta adora conversar e tem lá um tinto de umas vinhas velhas de se lhe tirar o chapéu. Tudo a pouco menos de uma hora da capital, num vale da Serra da Arrábida. A partir de Outubro começa a produção de queijo e manteiga. Espero que goste.

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