Muito bem.

Fiquei contente por saber que a Academia Sueca concedeu o Nobel da Literatura a Dylan. Já estava na hora de darem uma pequena alegria a todas aquelas pessoas que nunca leram um livro.

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18 pensamentos sobre “Muito bem.

  1. Eu não tenho nada contra a que se chame literatura ao que um tipo escreve para cantar. O Jacques Prevert, por exemplo, fez poemas lindíssimos para serem cantados e não é por isso que não é um poeta como qualquer outro. O meu problema é que tenho estado a ler e a reler os poemas do Dylan, e tive até o cuidado de ir àqueles que os críticos apontam como o melhorzinho, e não vi nada de extraordinário. No campo do muito bom, já há muitos. Eu acho que queriam canonizar o tipo e a comissão da causa dos santos simplesmente inventou um milagre, como é da praxe. Como há gente que diz que a vida lhes mudou depois de ouvir o Dylan…
    Uma das letras de canções mais extraordinárias que conheço é o “Construção” do Chico Buarque, que deixa a milhas qualquer poema do Dylan. Mas esse é um cantor da world music… outra prateleira.

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    1. Pois, a melhor objecção que li sobre a atribuição do Nobel foi a respeito da música americana vs world music: por exemplo, se Chico Buarque ganhasse, haveria tanta gente a aprovar?

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      1. Nem de longe. Abaixo do paralelo 30, mais ou menos, os cantores têm a função de chamar a chuva e invocar os antepassados; não é exactamente material para nobel. De vez em quando trazem cá um deles, como uma daquelas girafas que o Dom Manuel levou a Roma, e dão-lhes um prémio de exotismo. Dizem que a música deles é excitante e faz até mover os corpos das suecas, e isso seria um bocado embaraçoso na cerimónia de Estocolmo.

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        1. Antes da diplomacia do panda já havia um português a fazer a mesma coisa? Leu isso no Corta Fitas, entre trechos do Evangelho, tipas descascadas ao Domingo e retratos da lusitanidade nortenha? Você é sempre uma inspiração-

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          1. Qual corta-fitas? Nestas coisas daliteratura a minha óstia é o crêpesuzette. Um por dia, ao acordar, mantém-nos em comunhão com o altíssimo.

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              1. É barato. Enquanto come o crepe, tem vista para o Vasco Pulido Valente e o Sousa Tavares. Um gajo come um crepe em Manhattan, pelo mesmo preço, e só tem vista para a estátua da liberdade.

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  2. O que é um prémio Nobel da literatura? No melhor dos mundos possíveis é o reconhecimento da obra de fulano de tal por um grupo de pessoas que dedicam a sua vida à literatura – à análise, à crítica, ao estudo. A lógica da atribuição seria compreensível conhecendo os trabalhos dos membros do júri. No mundo real vá-se lá saber quem é que atribui o prémio e, conserquentemente, por que razão este e não aquele. Giro era o Dylan recusar o Nobel, mas creio que isso não é possível no mundo real. Sartres há poucos. E por que não o prémio para o Jean Sol Partre?

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    1. Miguel, descobri o comité nobel da literatura:
      http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/literature/prize_awarder/committee.html.
      Para mim, pelos nomes, parecem-me todos companheiros de brincadeiras da Pippi Langstrump. Formei a minha memória dos suecos com a Pipi, o macaco senhor Nilsson, o cavalo, etc, ainda não havia
      os psicopatas dos policiais nórdicos, e agora imagino-os a decidir os nóbeis enquanto se balançam em cima de um árvore e não consigo levá-los a sério, raios.

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        1. Eu levo ainda menos a sério alguém que se leva tão a sério como o Dylan. Responde-se sempre a quem nos dá ou quer dar um prémio, mesmo para recusar, não é? O Sartre fez isso, o Marlon Brando fê-lo quando lhe atribuíram um Oscar e este bonzo nem uma palavra. Para ter direito a alguma sobranceria teria primeiro de chegar aos calcanhares do Woody Guthrie e para isso teria de comer mais broa de milho. Malta dos jázes, como dizia a minha avó de quem cantava ou tocava esses ritmos estrangeiros. Muito gostava ela de ir ver os jázes.

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          1. Pois, caramelo, é capaz de ter razão. No que ao Dylan diz respeito trilho em terra incógnita. Excluindo as canções mais badaladas, nada conheço. Os jázes, sim! Era o que eu dizia, Sartres escasseiam, sempre rarearam. Mas ainda há pouco o eremita de Rolle ‘escreveu’ uma carta de recusa aos directores do festival de Cannes. Mas, pronto, o velho J-LG é dos poucos jazistas que sobram, lá está. Desse conheço bem os filmes (longos ou curtos), e bem poderia ganhar o Nobel da literatura honoris causa se a arte da citação fosse reconhecida.

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