O metro de Lisboa, ou o regresso do bom e velho PS.

A ver se nos entendemos. As falhas nos transportes públicos de Lisboa, em especial do metro (a merecer destaque porque a burguesia não anda de autocarro), em nada são atribuíveis ao mau uso popular ou às malfeitorias do “Álvaro” que os tutelou há vários anos. Não foi o Álvaro quem deixou que acabassem os bilhetes. Não é o Álvaro que emite avisos permanentes, e justificados, sobre perturbações da linha Verde ou Azul.

Mais: o discurso ideológico sobre a “pesada herança” do Governo anterior não nos ajuda a resolver o problema, que é técnico antes de ser político. Por isso, o spin do deputado João Galamba, ou as elucubrações de repórteres alinhados como o Miguel Marujo denunciando as misérias de 2013 de nada nos servem, e inquietam quem espera uma resposta razoável às legítimas ansiedades dos utentes, entre os quais me incluo.

Não votei no PS para assistir ao triunfo de comissários partidários inimputáveis nas empresas públicas. Portanto é melhor que os responsáveis pelo estado de sítio que se vive no Metropolitano de Lisboa se expliquem de maneira digna e suficiente.

Caso contrário, saberemos com o que contamos.

12 pensamentos sobre “O metro de Lisboa, ou o regresso do bom e velho PS.

  1. Na semana passada familiares meus chegaram ao aeroporto de Lisboa para umas férias no centro do país:
    Na area dos rent-a -car a confusão e as filas eram imensas- 3 horas o tempo estimado para levantar o carro préviamente reservado e pago. Desistiram e, dando o dinheiro por perdido, sabendo do novo Metro para lá se dirigiram na ideia de se ficarem por um novo destino mais perto- Sintra foi a escolhida. Aí as coisas eram talvez ainda piores para comprar o bilhete. Em desespero tomaram um taxi para a estação do Rossio e -Oh espanto!-o caos era igual. Foram pelo seu pé até ao Cais do Sodré na esperança que Cascais não tivesse tanta procura: Puro engano. Mas sem mais opções aguentaram firmes e após várias horas de odisseia lá chegaram a um hotel.
    O meu cunhado mandou-me algumas fotos destas cenas pelo whatsapp com um sucinto comentário:
    “Portugal never again”
    Conclusão: No país não se pode dizer que alguém tem o monopólio da incompetencia.

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  2. Luís Jorge, quanto ao Metro de Lisboa, parece-me que já havia queixas dos utentes antes do caso dos bilhetes. Este último parece ser falta de planeamento corrente; já a falta de manutenção, de pessoal, de carruagens, etc, e as entropias que tudo isto provoca, acredito que sejam mesmo problemas de financiamento, constrangimentos à contratação, etc, opções políticas, antes de serem problemas técnicos. Aprendemos devagar e ainda não conseguimos fazer omoletes sem ovos, como nos recomendam as cozinheiras do FMI, seja nos transportes, seja nos hospitais, ou outro serviço qualquer.

    A “pesada herança” no dia-a-dia das cidades não é um mito; acontece apenas que se tem sentido mais na província do que na capital. Os transportes públicos em Portugal com financiamento direto do orçamento de estado, são os de Lisboa e Porto. E um metro quadrado de azulejos na estação do Areeiro (já não falando de outras com mais cachet) pagaria quatro rodas de um autocarro em Coimbra. O Estado ignora que no resto do país se anda de transporte público. Ou, se o sabe, imagina que por aqui os transportes públicos são charretes, veículos de pouca manutenção: aveia todos os dias e óleo para os eixos. E acontece que os veículos não são suficientes, ou têm uma idade média fora do recomendável, que avariam com mais frequência, etc. Isto tudo, por aqui, já vem de longe; não foi criado por este governo ou pelo anterior. A pesada herança apenas aproxima a situação do insustentável, neste e noutros casos, o que não é pouco.

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    1. Caramelo, tudo isso é verdade, mas aquilo a que chama falta de planeamento corrente passa a incompetência criminosa quando pára uma cidade como está a acontecer. Arranjar uma bilhetes não é propriamente uma tarefa difícil. E quanto ao resto, começo a perceber outra vez que se a incompetência for dos “nossos”, do nosso clube, do nosso partido, não há problema nenhum.

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        1. Sim. Como um dia disse a Jane Austen, “It is a truth universally acknowledged that a boy In possession of the right connections, must be in want of a good job”. Estou farto de ver isso a nível local. Apenas acho que não se devem confundir as coisas e o que penso está já resumido acima.

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      1. Luís Jorge, não tenho nenhum problema com isso. De facto acredito que os nossos são menos incompetentes que os outros; e por isso voto nuns e não voto noutros. Acredito, por exemplo, que os serviços públicos se degradaram muito mais no anterior governo. O caso dos bilhetes foi incompetência “do nosso clube”, obviamente.

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        1. caramelo, este Governo mudou a administração do metro de lisboa. Não seria melhor que para além dos administradores mudasse também algumas pequenas coisas que contribuem para o conforto dos utentes? Pior: isto não terá consequências. É isso que me assusta nestes boys, serem igualzinhos aos outros.

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  3. Já agora, eu nem sei o que disse o Galamba sobre o assunto; raramente sigo our boys. Talvez lhe ficasse bem admitir as falhas da atual administração, se não o fez. Mas também não se espere que ele se transforme num Sérgio Sousa Pinto. Basta um para a quota.

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    1. O Galamba? Não fez, não. Resolveu divulgar um artigo do Miguel Marujo de 2013, em que o boy-repórter do PS tinha andado de autocarro para provar que estava tudo muito mal. Ridículo.

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