vida breve

Em resumo.

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Se houver dúvidas sobre o desemprego, a justiça, o défice das contas públicas e o défice comercial, as entidades reguladoras, a independência ou a liberdade da imprensa, os índices de corrupção ou qualquer destes assuntos correntes, perguntem ao Galambinha.

O país está bem entregue e eu vou para fora no fim-de-semana.

Escrito por Luis M. Jorge

20-11-09 em 12:03

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Adivinhe e ganhe prémios. (Actualizado)

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Resultados:

FILIPE NUNES VICENTE  - 1  MARADONA – 0

Sois uns palermas. Até à meia-noite de ontem, o Mar Salgado tinha enviado para este blog 134 leitores, enquanto A causa foi modificada se ficou pelos 126 — uma derrota humilhante. Duas visitas rápidas ao sitemeter de ambos bastariam para que concluísseis esta evidência: o Filipe Nunes Vicente não é o senhor Palomar.

Escrito por Luis M. Jorge

19-11-09 em 16:53

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Sete cidades mais quatro.

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Desde Roma, escreveu Stendhal, que todas as cidades do mundo querem ter sete colinas. A minha lista já inclui Lisboa, São Francisco, Plovdiv (na Bulgária), Tirumala (Índia), Kampala (Uganda), Bristol, Istambul, Bilbao, Jerusalém e Macau. Agradeço os vossos contributos.

Escrito por Luis M. Jorge

19-11-09 em 11:11

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Madeleine.

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Em pequeno passava as férias com a minha avó, a brincar no largo da sua casa, onde marulhava um chafariz manuelino. Eram outros tempos, de branda negligência. Ali perto residia, como na goela do peixe que tragou Jonas, a vizinha Nazaré: uma bruxa velha de buço encaracolado que me amava secretamente, com êxtase solitário. Todos os dias me ofertava guloseimas baratas ou os despojos que trouxera da praça. Ao longo de três décadas recordei esta iguaria em particular: tomate chucha cortado ao comprido, temperado com sal grosso, sobre uma fatia de pão. Procurei em vão aquele sabor nos mercados, nas praças e nas feiras de produtos biológicos de Lisboa. Hoje descobri, esquecidos na cozinha, dois ou três tomates excessivamente maduros. Em vez de os deitar fora, cortei-os ao comprido.

Escrito por Luis M. Jorge

18-11-09 em 14:35

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Nº 108. “Parrot”, de Peter Carey, é muito bom. Ainda não li o resto.

Escrito por Luis M. Jorge

18-11-09 em 08:37

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Edição da noite.

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Acabo de ouvir uma longa reportagem em directo sobre o facies de Paulo Penedos. Quero voltar para Veneza.

Escrito por Luis M. Jorge

17-11-09 em 22:23

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Esquerda, direita.

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1.

Uma parte da direita propõe arrastar o debate sobre o casamento entre homossexuais, se possível, até à consulta popular. E eu, ingénuo, a pensar que existiam assuntos mais importantes, problemas urgentes, que diziam respeito a todo o país.

2.

Os muchachos de Sócrates não são o PS. Pessoas como Ana Gomes, Medeiros Ferreira, João Cravinho e um punhado de temerários manifestam há muito o seu desprezo pela corrupção, ou pelo silêncio, dos apparatchik. Com as instituições enfraquecidas, talvez nos façam falta.

Escrito por Luis M. Jorge

17-11-09 em 10:27

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Aide-mémoire do caso “face oculta” (1).

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Em Junho de 2009, o João Galamba citava extensamente, sublinhando com delícia, este artigo de João Miguel Tavares dedicado às relações entre o BPN e Cavaco Silva. O texto incluía as seguintes pérolas:

(…) hoje olhamos à nossa volta, procuramos uma referência moral onde encontrar algum conforto, e a sala está assustadoramente vazia.

Cavaco Silva meteu-se numa triste embrulhada. (…)

1) Cavaco deu protecção política a Dias Loureiro muito para lá do que era admissível. (…)

2) (…) Cavaco omitiu o que não devia ter omitido (…)

3) Os contornos do negócio (…) tornam-se assim muitíssimo embaraçosos. (…)

Cinco meses depois, é isto que o deputado João Galamba tem a dizer sobre as relações entre  Armando Vara e José Sócrates:

Pinto Monteiro falou ontem, e disse não haver indícios que justifiquem uma investigação criminal. Num Estado de Direito isto devia bastar.

Escrito por Luis M. Jorge

16-11-09 em 18:14

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O horror, a tragédia, o jantar.

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Na semana passada, os colegas do Delito de Opinião quiseram ir jantar ao Clube de Jornalistas. Como poderia recusar o convite? Adoro jornalistas. Já gostava deles quando não trabalhavam para o Governo, nem namoravam com primeiros-ministros, nem roubavam emails uns aos outros, e a passagem dos anos, o frisson das ligações perigosas, o perfume dos escândalos só transformou essa benevolência em ardor. Tenho amigos entre assessores políticos e profissionais da imprensa (perdoem o pleonasmo), e algumas das boas refeições que até hoje recordo foram incluídas na factura de um ou outro semanário. O mesmo não ocorreu com esta, que me obrigaram a desembolsar.

Apesar desse faux pas, a noite foi agradável. Mal atravessei a porta vi o Mário Zambujal, que ainda está vivo, e tão lúcido como o António José Saraiva. (Continue a ler)

Escrito por Luis M. Jorge

16-11-09 em 11:28

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Enxovalhar um inocente.

com 9 comentários

  1. Sócrates, um puro, o maior dos puros, tem este azar de andar com pessoas que o rodeiam. É azar. Só azar.
  2. Isto é nulo, façam de conta que não existe
  3. E agora?
  4. A inverdade oficiosa.

Algures num manicómio da Floresta Negra, a velha Helga desgrenhada repete tremulamente: não, não é vérrrdade. O Fuhrer érrra um bom homem… O holucáusto fui uma invençáo judiá, etc., etc..

Escrito por Luis M. Jorge

13-11-09 em 16:30

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Ontem disseram-me que o pseudónimo “Miguel Abrantes” é partilhado entre seis (sim, seis) assessores do Governo. E o “João Magalhães”, valerá por outra meia-dúzia?  Aqui no Vida Breve nem queriamos acreditar. O Huguinho e o Zezinho já pediram aumento.

Escrito por Luis M. Jorge

13-11-09 em 15:54

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Da série “os cavaleiros do ónus da prova” (1).

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José Penedosafastou de imediato a hipótese de demissão. (…) O presidente da REN disse ainda que o filho, Paulo Penedos, “não tem nenhuma relação com a REN. (…)”, confirmando, no entanto, que a sociedade onde Paulo Penedos é advogado a SCI - presta serviços à empresa.

Aqui.

Escrito por Luis M. Jorge

13-11-09 em 10:59

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Martin Parr, no Dubai. Esta cidadã condena a criminalização do enriquecimento ilícito — por causa do Estado de Direito.

Escrito por Luis M. Jorge

12-11-09 em 19:33

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É o mundo ao contrário.

com 30 comentários

Estou muito chocado. Então não é que o João Pinto e Castro, um homem que sempre tive por sensato, se pôs a criticar o nosso Partido Socialista? De um dia para o outro, confessa-nos que uma boa parte das políticas económicas do Governo é desastrosa, que este possui uma visão saloia da modernidade e do avanço tecnológico, que o PS promove  incompetentes e arrivistas medíocres a cargos de responsabilidade na política, nos negócios e nos media — terá apanhado sol na moleirinha?

Ainda assim, valha a verdade, não deixou de reconhecer publicamente o trabalho notável do senhor primeiro-ministro. E claro, cerra fileiras contra o cadáver putrefacto do PSD, tentando salvar o estado de Direito e o nosso viver colectivo.

Quem não está para isso é o Pedro Lomba, que neste artigo do Público manifesta um grave desrespeito pelo merítíssimo presidente do Supremo Tribunal de Justiça e pela lei das escutas do PS, feita para proteger o viver colectivo das nossas elites políticas.

Você devia ter vergonha, Pedro. Não nos diga que também votou no cadáver.

Escrito por Luis M. Jorge

12-11-09 em 11:50

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Opinião pública (2): a bibliografia.

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Quem quiser aprofundar a sua intervenção cívica recorrendo aos novos meios tem algumas obras recentes à disposição:

  • The Social Media Bible — um calhamaço de oitocentas páginas que funciona como uma introdução acrítica ao tema. É útil para quem procura ter uma noção das possibilidades destes meios. (Pub. em 2009).
  • Marketing to the Social Web — o melhor livro para quem tem uma noção dos meios técnicos mas procura uma maneira de os integrar numa estratégia de comunicação. (Revisto em 2009)
  • Groundswell — um dos livros com informações detalhadas e cases studies extraídos das organizações que utilizam os social media com mais sofisticação.
  • The New Rules of Marketing and PR — embora publicado em 2008, talvez seja a introdução mais útil para o praticante solitário. Não leiam os últimos esforços do autor.
  • Twitterville — para quem não percebe que interesse tem, afinal, o Twitter. Uma lição recente.
  • Brand Digital — o autor é especialista em construção de marcas e um ser pensante. Não abundam nesta área.

É preciso dizer mais algumas coisas.

Primeira: há muitos livros confusos ou simplesmente maus sobre o tema.

Segunda: não incluo menções ao Email nem ao uso de redes sociais por telemóvel. Temas vastos, complexos ou ainda em consolidação.

Terceira: embora estes sejam livros recentes, nunca estarão suficientemente actualizados. Nas últimas semanas por exemplo, a Google lançou o social search, e o Facebook revelou as suas intenções de se tornar num espaço “aberto”. Já nesta semana, salvo erro, o Twitter lançou as suas listas. Há dois ou três dias, as empresas do Linkedin e do Twitter começaram a partilhar as actualizações dos utilizadores.

As novidades abundam.

Escrito por Luis M. Jorge

11-11-09 em 16:02

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Opinião pública.

com 4 comentários

A blogosfera, que começou por influenciar os jornais e os partidos políticos, é agora uma extensão dos partidos políticos e dos jornais. As centrais da posta dedicam cada vez mais recursos a abafar o pensamento crítico numa cacofonia de newspeak. Mas enquanto se preparam os próximos ataques à independência da justiça e ao exercício da opinião livre (não julguem que há processos Face Oculta sem uma resposta articulada do poder), a vigilância continua a ser um dos trabalhos nobres da democracia participativa.

Precisamos de reforçar as vozes isoladas, as mais preciosas, frágeis e descomprometidas do nosso ecossistema. Isso é possível recorrendo aos social media. Noto que muita gente bem intencionada, com pensamento próprio, despreza o twitter. É um erro que se paga caro. O estudo honesto destes instrumentos acaba por recompensar quem os utiliza.

Mais tarde ou mais cedo, a caixa de ferramentas de um cidadão preocupado terá que incluir isto:

  • Blogging
  • Micro-blogging (Twitter)
  • Social networking (Facebook, Linkedin)
  • Agregadores de social networking (Friendfeed)
  • Agregadores de RSS Feed (Google Reader)
  • Social bookmarking (Google Reader, Delicious, Stumbleupon)
  • Wikis (Wikipédia)
  • Photo sharing (Flickr)
  • Video Sharing (You Tube)
  • Livecasting (Ustream.tv)
  • Podcasting (iTunes)

Os blogs não vão desaparecer, mas já cumpriram a sua função. Há que seguir em frente.

Escrito por Luis M. Jorge

11-11-09 em 12:14

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“Ó Zézito, já trataste do casamento dos meus amigos homossexuais?”

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Os colóquios de Solvay de 1927 marcaram até hoje o mundo da Física, pois aí ocorreu o primeiro duelo titãnico entre Einstein e Niels Bohr.

Este Sábado não foi menos importante para a nossa blogosfera, emocionada com o encontro fecundo entre José António Saraiva, o Einstein da imprensa portuguesa, e a rara perspicácia do seu émulo Vasco Lobo Xavier.

Escrito por Luis M. Jorge

10-11-09 em 14:30

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Laurinda Alves: e agora, os pensamentos.

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Há anos iniciei as minhas incursões na blogosfera com O Cantinho do Luís Delgado, uma homenagem ao profeta do santanismo que misericordiosamente extingui. Hoje recordei esses tempos meigos e deleitosos ao ler o sanctum sanctorum de Laurinda Alves, ou melhor, o seu cul-de-sac.

Escrito por Luis M. Jorge

10-11-09 em 11:02

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Esquecer Pearl Harbour.

com 4 comentários

Há por aí uns teóricos que defendem que o investimento nos estádios do Euro 2004 deu lucro. O país precisava de eventos para se mostrar ao mundo, por isso, graças aos tais eventos e ao génio fulminante de Guterres o número de turistas que visitam Portugal cresceu nos anos seguintes. Infelizmente, essas contas nunca incluem o efeito da emergência das companhias aéreas low-cost, que ocorreu na mesma época. Falar nos estádios para explicar o incremento do turismo é como dizer que Churchill venceu sozinho a Segunda Guerra Mundial.

Escrito por Luis M. Jorge

09-11-09 em 16:31

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A cabeça nas paredes.

com 6 comentários

Einstein afirmou que a melhor definição de loucura é fazer a mesma coisa, uma e outra vez, e ficar à espera de um resultado diferente.

O país é pobre? Obras públicas. A dívida cresce? Obras públicas. A desigualdade? Obras públicas. Crise? Obras públicas. Corrupção? Obras públicas. O país é pobre? Obras públicas.

É só isto o que resta ao governo de Sócrates. Calar os juizes, pressionar os jornais, e obras públicas.

Escrito por Luis M. Jorge

09-11-09 em 15:29

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Este ganhou dinheiro sem andar no TGV.

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O autor vende a sua casa, encaixa algum capital e decide duplicá-lo em seis meses. Se fosse português comprava um BMW e investia o resto em acções da Mota-Engil mas, como nasceu na Irlanda, vai dar a volta ao mundo e fazer negócios pelo caminho. A aventura começa em Marraquexe e inclui paragens na Somália (para comprar camelos), no Zimbabwe e Botswana (café e malaguetas), na África do Sul (vinho), Índia, Kirguistão, China e sudeste asiático, Japão, América Central e Brasil. A lista de trocas é excessivamente vasta e variada para caber nesta sinopse. O resultado manteve-me de olhos bem abertos até às seis da manhã (ter dormido a sesta ajudou). Qual twitter for business, qual social media marketing. Ganhar dinheiro é isto.

Escrito por Luis M. Jorge

09-11-09 em 13:36

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Sim, meu anjo: é “forçada”.

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Em Paris visitei recentemente uma zona – o Marais – frequentada à noite por multidões de homossexuais, e confesso que fiquei muito impressionado com o que vi: milhares de jovens, alguns no início da adolescência, exibiam ostensivamente a sua atracção (real, forçada?) por pessoas do seu sexo.

O José António Saraiva continua imperdível.

Escrito por Luis M. Jorge

06-11-09 em 18:00

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Como ser vidente. Orson Welles ensina.

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Escrito por Luis M. Jorge

05-11-09 em 23:58

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Não aprendam, não.

com 22 comentários

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Ontem, oito e meia da noite no Corte Inglês. Esfaimado, pus no cesto os novos tagliolini al nero di seppia da Rana, a que me propunha acrescentar em casa umas gambas fritas com sumo de limão e mais uns truques. Só faltava o vinho, que se queria fresco. Os meus pensamentos dirigiam-se para o Madrigal, ou qualquer coisa sur lie com batonnage (há que impressionar os leitores) — mas fundamental era não entrar na maldita loja gourmet, em que ninguém escapa ao risco de perder misteriosamente o cheque do rendimento mínimo e incorrer na fúria do dr. Paulo Portas.

Portanto, o realismo impunha-me que achasse depressa o expositor refrigerado. Havia um minúsculo, perto dos queijos.  La dentro enregelavam duas dúzias de invólucros inúteis: nem Madrigal, nem Navazos Nieport, nem algo que me evocasse lichias, citrinos, avelãs ou outra porcaria qualquer. A garrafinha proverbial do argentino Mysterio não estava ao meu nível, o francês de quarenta euros estava ao meu nível, mas não numa quarta-feira, e os portugueses eram uma versão bojuda e borrachona de um romance do José Rodrigues dos Santos.

Assim, desculpem lá, não restam motivos para sermos patriotas. Peguei num La Motte Sauvignon Blanc 2006, meti-o no saco térmico e despejei-o em casa meia-hora depois. Todos os dias lamento o fraco espírito comercial destes palermas.

Escrito por Luis M. Jorge

05-11-09 em 20:05

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Temas.

com 6 comentários

Há temas que ainda podem ser muito aprofundados no romance de tradição realista.

A explosão das sex-shops de bairro e um magote de anúncios classificados demonstram-nos que a vida sexual dos casais é mais interessante e variada do que julgam os nossos literatos. Por outro lado, uma tradição secular de idealização das mulheres (o eterno feminino, e tal) ainda persiste nas figuras da bonequinha passiva-agressiva, ou da puta generosa mas seca por dentro desde que o tio Marcelino abusou dela em pequena — a que se soma uma galeria de retratos mais urbanos mas previsíveis: a caçadora de homens profissional liberal que suspira pelo latagão meigo e pai formidável, ou então a mulher masculinizada dos thrillers, que descobre as pegadas do dinossauro atrás da Gioconda e põe o Vaticano em alvoroço ao comprometer o transporte do urânio enriquecido.

Quero eu dizer que falta dedicar muito trabalho às mulheres.

Outro território importante é o da desigualdade — não a desigualdade entre ricos e pobres, que nos ocupou mais de um século e já enjoa. Mas tenho a certeza que existe potencial romanesco no facto de tantos homens, por exemplo, morrerem aos quarenta sabendo que a grande maioria atingirá o dobro da idade. A morte deixou de ser a grande niveladora, é menos partilhada. Que histórias retiramos daí?

Não tenho tempo para escrever mais, mas regressarei a estes assuntos.

Escrito por Luis M. Jorge

04-11-09 em 18:41

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Na Somália, um homem de 112 anos casou-se com uma jovem de 17. Não percamos a esperança.

Escrito por Luis M. Jorge

04-11-09 em 09:29

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Il bel pianto dell’Aurora.

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Escrito por Luis M. Jorge

03-11-09 em 23:15

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Amiguismos. Notas breves.

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  1. É indecente que o Francisco José Viegas se tenha referido por duas ou três vezes, e com grande amabilidade, a este blog sem que eu o cumprimentasse pelo melhor lançamento de um romance a que já assisti em Portugal. Esta manhã, por coincidência, estive a falar com uma editora a respeito do assunto: o que aconteceu com o 2666 de Bolano foi muito bom.
  2. Já o Pedro Mexia, que nunca se referiu com ou sem amabilidade a este blog (não me estou a queixar), escreveu uma recensão belíssima de La Terra Santa, de Alda Merini.
  3. O Eduardo Pitta anda a fazer uma análise discreta mas muito equilibrada das mudanças no Público. Vale a pena estar atento.
  4. O José Vegar, jornalista emérito e homem de coragem, criou um blog. Vai para a barra dos links mal eu tenha tempo.
  5. Por falar em jornalismo, também me atrasei no link para este post do Daniel Oliveira. Uma excelente reflexão sobre a cidadania e a imprensa.

Escrito por Luis M. Jorge

03-11-09 em 18:04

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Voglio Tempo.

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Escrito por Luis M. Jorge

02-11-09 em 01:01

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3.

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O jardim do Palace Hotel Bussaco, antes de me etilizar com três gin-tónicos na varanda e de perder sem qualquer dignidade ao crapô.

Escrito por Luis M. Jorge

01-11-09 em 23:00

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2.

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Um cogumelo venenoso do Bussaco para o blog É Tudo Gente Morta.

Escrito por Luis M. Jorge

01-11-09 em 22:53

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1.

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Palace Hotel do Bussaco. Vista do quarto, esta manhã.

Escrito por Luis M. Jorge

01-11-09 em 22:34

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Ontem à noite. Nikon D700, Zeiss ZF 100 mm Makro-Planar, ISO 560, 1/125 seg.,  f/4.0. As cores ficaram esmaecidas na passagem para o blog, não me perguntem porquê.

Escrito por Luis M. Jorge

29-10-09 em 17:12

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E o Galambinha, já foi à pica?

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A jornalista de causas Fernanda Câncio encerrou a noite de segunda-feira com esta prosa bem humorada:

às vezes sucede a todos ao mesmo tempo. um dia inteiro sem jugular. é giro.

vá, por favor, teorias de constipação, não se arranja? eu tenho uma para oferecer: fomos todos à vacina.

Mais ou menos a essa hora uma criança de dez anos arrostava a última dor de cabeça da sua curta vida. Durante a madrugada o miúdo desfez-se em merda, com crises de vómitos e diarreia, e foi parar às urgências do hospital D. Estefânia, de onde o transferiram para o serviço de Infecciologia em que viria a morrer nessa mesma tarde.

vá, por favor, teorias de constipação, não se arranja? eu tenho uma para oferecer: fomos todos à vacina.

Sim, eu tenho uma teoria. Após um ano de campanha no blog que administra, uma campanha marcada pelas indignações selectivas e pela adulação inane, mas bem recompensada, dos refluxos do primeiro-ministro,  a Fernanda Câncio antecipou um problema ético maçadoramente real: como justificar a decisão do seu Governo de incluir os titulares dos órgãos de soberania entre os primeiros beneficiários da vacina contra o virus da gripe A?

fomos todos à vacina.

Na América, o Presidente Obama já assegurou ao povo que vai esperar pacientemente pela sua vez. Ou seja, vai ser vacinado depois das crianças americanas, como qualquer adulto saudável. E em Portugal? Por cá, a jornalista de causas Fernanda Câncio, eminência colorida da blogosfera de Sócrates, prefere chutar para o canto, assobiar para o lado e vitimizar-se antes que alguém lhe faça perguntas incómodas. Só é pena que a sua estratégia nos pareça tão destituida de sentido de oportunidade.

é giro.

Pois é, é muito giro. Mas o Adriano, ao contrário dos políticos que a Fernanda Câncio defende, morreu.

Escrito por Luis M. Jorge

29-10-09 em 13:28

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Meu reino por umas favas.

com 28 comentários

O país está repleto de artolas para quem aquilo que temos de bom é invariavelmente o melhor do mundo. As nossas praias são as melhores do mundo. Os nossos vinhos são os melhores do mundo. Lisboa é a mais bela cidade do mundo (e o que diriam se a Câmara limpasse de vez em quando a bosta acumulada nos jardins e multasse os automóveis que assoberbam os passeios).

Como é evidente, também os florilégios das nossas cozinheiras formam aos olhos dessa gente a melhor gastronomia do mundo. Que os chineses, os franceses, os italianos, os japoneses, os peruanos, os mexicanos, os marroquinos, os tailandeses e os indonésios lhes perdoem, a esses patêgos que arrotam postas de pescada de pulseirinha na água choca em Cancun e Varadero, porque eu não consigo.

Se temos a melhor cozinha do mundo, porque é que ainda não comi umas favas decentes   desde que regressei a Lisboa? Umas favas, senhores: não são lombos de cavalo-marinho com redução de beluga em cama de línguas de colibri das montanhas rochosas e aipo-bola flambeado. São favas, caralho.

É assim tão difícil, para os génios que pontificam nos nossos tascos, servir umas favas que se traguem: feitas com enchidos das berças, com molho apurado, com um pouco de amor? Será que tenho de ir comer favas ao Pap’Açorda?

Escrito por Luis M. Jorge

28-10-09 em 15:07

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Livros.

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Venice: Pure City, de Peter Ackroyd.

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Nunca conseguiria ganhar a vida a escrever sobre livros: um terço fica por ler, outro é lido aos solavancos; e entre as obras que sobrevivem à punção nevrótica do meu modus operandi não são raras as que acabam posternadas, magras e exangues num banco de pau ao Jardim da Estrela.

O último livro de Peter Ackroyd, que por enquanto escapa ao golpe de misericórdia, seria um bom candidato a vítima se eu não amasse o assunto e não respeitasse o autor. Venice: Pure City está longe, muito longe de competir com a joie de vivre de J.G.Links, o belo estilo de Jan Morris,  o humor eduardiano de Norwich, a alta literatura de Brodsky ou a atenção fascinada de Matvejevic. Nem vale a pena metermos na lista John Ruskin e Margaret Plant.

Por outro lado, é uma obra que acompanha bem Mary McCarthy, Tiziano Scarpa, Paul MorandLiliana Magrini e a excelente síntese de Diehl. Ou seja, Venice: Pure City nunca será uma introdução indispensável, mas também não despreza a inteligência do leitor (para isso já temos  os pastelões de John Berendt e Freely).

Ackroyd revela-se um homem consciencioso, que estudou as suas fontes. Infelizmente, como afirmou McCarthy, tudo o que podia ser dito sobre Veneza já foi dito, incluindo isto que estamos a dizer. O déjà vu de 400 páginas agora publicado não acrescenta um chavo à vasta bibliografia ou hagiografia venezianas.

Escrito por Luis M. Jorge

26-10-09 em 12:42

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Diga-se de passagem que a qualidade da escrita é coisa pouco importante. Se o texto necessitar de metáforas fulgentes, devemos proporcioná-las ao leitor. Mas Defoe redigiu clássicos com uma prosa canalha e atamancada. Flaubert andou à caça de palavras repetidas para nos fazer bocejar a meio dos Trois Contes. E no limite do ataviado, que encontramos nós? Não Proust, nem James, mas o ilegível Finnegans Wake.

Escrito por Luis M. Jorge

23-10-09 em 17:34

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A foto é miserável, mas vejam só estes bolinhos. Comprei-os no Luxembourg e fui papá-los a Versailles.

Escrito por Luis M. Jorge

22-10-09 em 17:16

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Da ironia.

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Swift ficou irado com o êxito universal das Viagens de Gulliver. Ele tentara, afirmou, envergonhar os homens, e em vez disso apenas conseguira fazer com que se rissem.

Como instrumento do combate político, a ironia é ineficaz:  não esclarece nem mobiliza, e os seus cultores parecem-nos quase sempre alheados, descomprometidos, detached.

Apesar disso, não é uma ferramenta desprovida de virtudes:

- A ironia mantém-nos dentro da arena em batalhas desiguais.
- A ironia atrai aliados improváveis.
- Em alguns casos, a ironia aponta exemplos aos seus alvos — mostra-lhes o que poderiam ter sido, se não se tivessem transformado naquilo que são.

Nietzche escreveu que todas as afirmações estúpidas merecem respostas inteligentes. A ironia é a resposta dos que aprenderam a esperar. Podia desenvolver o tema, mas o ensaísmo blogosférico aborrece-nos.

Escrito por Luis M. Jorge

22-10-09 em 08:33

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