vida breve

livros, política, fotografia

Inveja social.

Na Finlândia os salários são afixados pelas empresas para que cada um possa saber quem ganha quanto e retirar daí as suas conclusões. Na Holanda as janelas exibem o interior das moradias, porque não é gracioso viver escondido dos olhares da rua. Na Suécia, se a memória não me trai, qualquer tipo pode entrar no parlamento e  solicitar a declaração de rendimentos de um deputado.

Em Portugal há um Presidente que mente sobre o dinheiro que recebe, e quando alguém lamenta que especialistas de 24 anos sejam nomeados a três mil euros por cabeça em vários ministérios, logo vem um senador denunciar a inveja social do povoléu.

Ela que venha. Precisamos muito de mais inveja social.

Tenho chegado tarde a casa e publicado em cinco minutos umas merdas enjorcadas que me irritam no dia seguinte. A escrita na blogosfera precisa de apuro estilístico,  o que para mim é um sinónimo de tempo. Como se pode deduzir dos textos anteriores, a indignação não o substitui. Solução: ler menos jornais. Escrever devagar. Dedicar uma indiferença olímpica aos leitores. Talvez haja uma idade em que nos tornamos egoístas.

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