Pastéis.

por Luis M. Jorge

Álvaro Santos Pereira foi parar ao Governo porque tinha um blog e morava no Canadá. O método de recrutamento, embora singelo, foi bem intencionado: se ele tinha um blog sabia do que falava, certo? Certo. E se morava no Canadá, com certeza não devia ser ladrão.

Não ser ladrão é uma qualidade estimável em Portugal, suficientemente rara para justificar a importação de um estrangeirado que se comova — e ninguém se comovia tanto como o Álvaro — com as dores da pátria.

Erguido o blogger a super-ministro, resta-nos ajudar o Álvaro a substituir as postas por decisões de alcance estratégico, e as perguntas retóricas sobre frango assado e pastelaria lisboeta por um calendário enxuto de medidas avulsas. Para já, Álvaro, o que me dava jeito era:

Semana 1: um site dedicado à exportação. As leis e os regulamentos, os formulários, as implicações fiscais. Algo como isto, mas que não seja uma merda.

Semana 2: uma lista de contactos de funcionários públicos especializados em comércio externo. Gente a quem eu, cidadão anónimo, impreparado e cheio de dúvidas, possa fazer um telefonema sem passar meia hora a ouvir o Mantovani.

Semana 3: Uma base de dados com acesso livre em tempo real (nada de ficheiros Excel faz favor), de PME portuguesas  interessadas em colocar os seus produtos em mercados internacionais. Nomes, telefones, emails, produtos, áreas de actividade — tu sabes, Álvaro.

Por agora é tudo. Daqui a um mês voltamos a falar.