Pastéis.

Álvaro Santos Pereira foi parar ao Governo porque tinha um blog e morava no Canadá. O método de recrutamento, embora singelo, foi bem intencionado: se ele tinha um blog sabia do que falava, certo? Certo. E se morava no Canadá, com certeza não devia ser ladrão.

Não ser ladrão é uma qualidade estimável em Portugal, suficientemente rara para justificar a importação de um estrangeirado que se comova — e ninguém se comovia tanto como o Álvaro — com as dores da pátria.

Erguido o blogger a super-ministro, resta-nos ajudar o Álvaro a substituir as postas por decisões de alcance estratégico, e as perguntas retóricas sobre frango assado e pastelaria lisboeta por um calendário enxuto de medidas avulsas. Para já, Álvaro, o que me dava jeito era:

Semana 1: um site dedicado à exportação. As leis e os regulamentos, os formulários, as implicações fiscais. Algo como isto, mas que não seja uma merda.

Semana 2: uma lista de contactos de funcionários públicos especializados em comércio externo. Gente a quem eu, cidadão anónimo, impreparado e cheio de dúvidas, possa fazer um telefonema sem passar meia hora a ouvir o Mantovani.

Semana 3: Uma base de dados com acesso livre em tempo real (nada de ficheiros Excel faz favor), de PME portuguesas  interessadas em colocar os seus produtos em mercados internacionais. Nomes, telefones, emails, produtos, áreas de actividade — tu sabes, Álvaro.

Por agora é tudo. Daqui a um mês voltamos a falar.

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14 pensamentos sobre “Pastéis.

  1. Nas duas primeiras semanas, abancar numa tasca na zona raiana e ouvir atentamente as explicações de um qualquer velho e experiente contrabandista. Na terceira semana, perguntar aos amigos do facebook o que é que querem que se transporte para o lado de lá na carrinha. Percebido? Não chateiem o Alvaro, o homem mais canadiano do mundo. Já basta o south park para fazer pouco dos canadianos. .

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  2. Semana 1: um site sobre empreendedorismo agrícola (uma coisa para leigos que não passe por um outro ministério da concorrência onde se não usam gravatas para poupar no ar condicionado).

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      1. Sei lá, um site que diga que podemos apostar no biofuel porque há escoamento; um site que diga que se plantarmos vinha não vem outra lei para acabar com a produção; um site que explique porque é que o olival intensivo no Alentejo que está nas mãos de espanhóis não é tão produtivo estando nas mãos de portugueses; um site que não me sugira ir comprar hectares na floresta amazónica porque a agricultura aqui está sem futuro; um site que me diga que os hectares de grão de bico que vou semear este ano valem a pena no investimento para a passagem a cultivo biológico; um site que não me dê as canseiras de andar por tudo o que é corredores de departamentos ministeriais porque ninguém vislumbra nada e eu é que puxo pela cabeça, pelo investimento, pelo tempo gasto e pela quase desmotivação que é tentar solucionar a posse de terra.
        Gostava de um site sem medos da PAC.

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