Encomenda.

Algum dos senhores jornalistas me podia apresentar, antes de Dezembro, um trabalho de investigação decente intitulado “Como preparar-se para a extinção do Euro”? Muito agradecido.

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23 pensamentos sobre “Encomenda.

  1. Os juros da dívida pública espanhola ultrapassaram hoje os da italiana. Sarkozy verá em breve como foi imbecil, nesse acesso de chauvinismo gaulista, ao sugerir duas moedas, ou a exclusão dos incumpridores. Nenhuma união à escala europeia – monetária, política ou outra – pode existir sem Itália, nem Espanha. As razões são tão variadas como óbvias.
    Recebo cada visita do FMI, e subsequente conferência de imprensa, como humilhações pessoais. Ontem, tive de suportar um tecnocrata germânico e rosadinho, afirmando na TV que somos boas pessoas e que o nosso governo se está a portar bem. O achincalho tinge-se com cores perversas, se recordarmos qual foi o país a inaugurar a violação dos mínimos de défice público exigidos para a Zona Euro, e campeão emérito nesse particular: Deutschland.

    Creio que o emprobecimento generalizado é ponto assente em todos os cenários possíveis. A grande questão está, na minha opinião, no valor que as populações dão à sua soberania nacional. Actualmente, eu diria que dão muito pouca importância, o que é normal, tendo em conta o contexto pacificado da Europa nas últimas décadas, aprofundado pela criação da UE. Quando perderem, digamos, 40 ou 50%, do seu espólio, veremos. Entretanto, as altas esferas das potências centrais europeias mexem-se para retirarem o máximo partido da situação.

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    1. Mas repare, André, que neste caso o que me está a preocupar é a salvação do meu dinheirinho. Um gajo pode empobrecer 50%, 30% ou 70%. E é muito diferente. Alguém devia estar nos jornais a cobrir este tema.

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      1. De acordo. Há uma dificuldade de avaliação da realidade por parte dos media portugueses. É apenas uma constatação do miserável jornalismo que por cá se faz. Tenho aqui ao lado a Sábado que, juntamente com a Visão, compro cada 3 meses para me relembrar por que não as compro. Por outro lado, confesso que, para lá da queda do euro, é-me difícil entrever o cenário mais provável. Quebra sistémica à escala global? Refundação da união? Note que numa situação de bancarota generalizada, não há banco no estrangeiro, nem moeda, que o safe. Por exemplo, se a Grécia for ao fundo, arrastará consigo – pelo menos – a Goldman Sachs e o Deutsche Bank. A festa está a acabar, e nem se pode dizer que tenha sido grande coisa…

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    2. André, concordo consigo: a condescendência com que nos tratam é humilhante. Mas, há quem ache muito bem, e há até quem tome por elogio e agradeça, de cabeça baixa, como convém. Enfim.

      Luís, salvo raras excepções (e, felizmente, tenho algumas dessas excepções como amigos), o jornalismo que se tem feito é vergonhoso. Na prática, quase nada do que realmente interessa é analisado.

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  2. O Ferreira do Amaral (o economista) tem vindo a reflectir no assunto desde a nossa entrada no Euro. Pode ser uma fonte de inspiração,…digo eu!

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  3. O euro não vai acabar. Ouvi ontem (ou ante-ontem, ou noutro dia qualquer) o Luciano Amaral avançar com a melhor explicação do que se está a passar: os mercados não estão a “atacar” o euro, mas sim a forçar a sua real implementação como moeda única europeia, o que só acontecerá quando a Alemanha assumir as dívidas dos países periféricos (quem diz a Alemanha diz o BCE ou outro tipo de mecanismo comunitário). Portanto, em vez do fim do euro, teremos o fim “dos euros”.

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  4. O risco nunca foi tão grande, mas o euro não está a caminho do fim. Há armas por usar: o fundo de resgate pode ser equiparado a uma instituição financeira, com rating e capacidade de emissão de dívida, financiado em último recurso pelo BCE. Em, Bruxelas e nos “corredores” que contam em Portugal (e não falo necessariamente do governo) espera-se esta saída em breve (já não há muito tempo). Esta é a arma que permite comprar tempo para o resto, ou seja, para as contrapartidas: a institucionalização da consolidação orçamental nos tratados, o maior poder de vigilância/interferência, em suma, a tal integração económica. Os mercados estão a forçar este caminho. E (interpretação minha) a Alemanha está a deixar resvalar a situação até que 1) se torne inevitável (perante o seu eleitorado) assumir uma solução intermédia credível, 2) os “países do sul” (incluindo Itália) percebam que não há cheques em branco. O euro vai continuar – mas continuaremos nós no euro? Se tiver dúvidas, o melhor remédio é tirar parte do dinheiro de Portugal e investir/estacionar fora (os gregos estão a ser responsáveis por uma mini-bolha imobiliário no centro de Londres, por exemplo). Em teoria uma saída do euro teria de ser feita sem aviso (para evitar fuga em massa de capitais), mas há sempre sinais de alarme. Penso que ainda não estamos aí… e que alguém atento saberá ver esses sinais. Um abraço, Bruno

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