De antologia (2).

por Luis M. Jorge

Da matéria oxigenada em que imergem os blogs raramente sai alguma vida. Qualquer sobredotado é um ideólogo e imensas senhoras transformam as suas secreções num grande amor. Depois há o vício lusitano da sentença, que alimenta os florilégios dos indignados, o frissonzinho da estatística e da escolástica, a tentação irresistível da chalaça. O que falta, quase sempre, é realidade. Ninguém anda de metro, ninguém é despedido, ninguém chega sem dinheiro ao fim do mês. Os dias da semana passam-se a ler e os sábados a viajar pelo Alentejo (sim, os meus também).

Por isso gostei tanto deste texto da Isabel Lucas, em que a autora quase pede desculpa por fazer aquilo que nos compete: falar do que vemos na rua sem o bullshit arrebicado do costume.