O povo, o chulé.

Dizem que Ingvar Kamprad, fundador do IKEA, se desloca de autocarro sempre que pode e dorme em pensões quando viaja para negócios. Nos Estados Unidos não é incomum vermos celebridades no metropolitano. Vários políticos europeus lideram pelo exemplo, na bicicleta ou no eléctrico.

Em Portugal anda-se de BMW Série 7. Só assim se explica que durante todo o Verão não houvesse um metropolitano com mais de três carruagens em Lisboa, para gáudio do milhão e meio de turistas que por esta altura visitam a capital.

Os administradores da Metropolitano de Lisboa, E.P.E, devem ter tanta vontade de conhecer in loco o serviço que prestam aos consumidores como de embarcar num vagão de gado a caminho de Auschwitz. E o que os olhos não vêem o coração não sente, lá diz o povo nos próprios transportes em que é largado ao abandono.

Porque não se fala disto na blogosfera nem se mostra no Instagram? Credo, antes cuspir para o chão.

4 pensamentos sobre “O povo, o chulé.

  1. Houve algumas notícias, Luís, dando conta desses problemas e outros, denunciados pela Comissão de Utentes. Por exemplo, durante Agosto as perturbações em várias linhas foram diárias. Durante o mesmo mês, na linha vermelha, que leva ao aeroporto, a frequência dos comboios chegou a superar os 10 minutos. As situação das 3 carruagens na linha verde já dura há uns 2 ou 3 anos, com a justificação oficial da necessidade de primeiro expandir o cais na estação de Arroios. A administração do Metro reconhece problemas com falta de recurso humano e verbas para a manutenção do material circulante. Os maquinistas, pelo seu lado, afirmam que a situação piorará até Outubro, porque a administração pressionou o pessoal para que não tirasse férias em Agosto, com tal de mascarar a degradação geral da empresa num mês de recrudescimentos turísticos. Está, portanto, tudo em vias de ir de vacanças. A mesma empresa que clama por falta de pessoal, dispensou 10% da sua força de trabalho em anos anteriores. Mas o povo é manso, paga uma vergonha de passe, e vai de focinho metido no smartphone, entre os miasmas das exudações estivais fermentadas por estes dias nas carruagens excessivamente lotadas do metropolitano.

    Peço desculpa pela longa tirada, mas também tenho de partilhar esta. Então, os turistas que lotam o metro vindos do aeroporto, chegam à estação da Alameda e descobrem que têm de subir 3 patamares para chegarem à linha verde? Não há escada rolante para chegar ao patamar intermédio e o elevador é um cubículo onde Fernando Mendes não entraria de lado. Cadeira de rodas? Andasse!
    Mal entram nas carruagens os visitantes têm um excelente primeiro contacto com a eficiência nacional, sendo forçados a encaixar bagagem entre as cadeiras, uma vez que a disposição dos assentos não é adequada a um transporte de passageiros em trânsito. Resultado: sopapo e gritaria quando outros passageiros querem sentar-se nas muitas cadeiras ocupadas com malas da turistada. Se puder, vá de BMW e enfrente o IC19.

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