Portugal très bien.

Gostei de ver o jogo que ontem consagrou Portugal. Os nossos compatriotas mereciam estes dias de júbilo após anos de sofrimento imposto por elites servis e líderes desconchavados. Isto dito, não me agrada nada o ressentimento anti-francês que observo desde a vitória. Fui a França umas dez vezes, como turista, tendo passado bons momentos no Loire, na Bretanha, na Riviera e em Paris. Em todo o lado fui recebido com enorme consideração pelos locais. Se os portugueses querem dar lições a França, sugiro que sejam de elegância e boas maneiras.

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23 pensamentos sobre “Portugal très bien.

  1. Também gosto muito e costumo defender a França (e Paris), das opiniões mais negativas. Mas a parte da minha família que lá está há 40 anos, em Paris e Estrasburgo, infelizmente corrobora o chauvinismo e xenofobia generalizada de muitos Franceses. Eu defendo que essa é a velha França, havendo, por exemplo, toda uma juventude que agora vai tomando as rédeas do comércio em Paris e que teve outra educação, viu outro mundo. Fui muito bem recebido recentemente, mas lembro-me bem do que vi e ouvi quando ía visitar os meus avós nos anos 80 à pequena aldeia na Alsácia onde viviam. Falando apenas agora deste jogo, após a meia-final, figurões gauleses davam conta que Portugal não tinha “aucune chance”. Tudo estava oficialmente preparado para a grande celebração nacional.

    Tal e qual o que aconteceu entre Dinamarca e Alemanha no Euro de 1992. Curiosamente, ao tempo dessa final, andava eu a apanhar tomates no quintal dos meus avozinhos em Steinbourg e jamais esquecerei o melão germânico…

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  2. Oui, oui. Ainda hoje me diziam pessoas bem informadas que esta vitória seria uma vingança dos petits portugais, que por lá são vistos como porteiras e trolhas. Esse ressentimento anti-francês faz parte de um caldinho cultural que muitos vão mexendo porque consola, porque dá algum chão que pisar, nestes tempos relativistas pós modernos, onde ninguém sabe o que é o quê: os franceses são chauvinistas, rudes para com os estrangeiros, soberbos para com os emigrantes, etc. Obviamente, também todos os franceses são adúlteros e vestem bem (para ir à caça, bien sure…). Faites attention, que isto não é tipicamente português; pelo contrário. Qualquer anglófilo nos dirá que os frogs são cobardolas e colaboracionistas por natureza.
    Mas fiquei feliz, pá! E Viva o CR7 e o Eder e Portugal e tudo!

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  3. Houve um fulano que um dia, talvez exasperado com os queixumes nacionais, escreveu que ia atirar uma bomba ao destino. O Éder, com esta cena toda do “coaching”, ou apesar dela, ainda se atrapalhou, mas acabou por dar um valente chuto no destino. Olha, calhou bem. Chapeau !

    Quanto ao resto, o Luis tem toda a razão.

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  4. A onda contra os franceses, que começou no bigode das concièrges a acabou nas invasões francesas, foi do mais bacoco e provinciano a que assisti nos últimos anos. O remate involuntário foi a anunciada visita a Fátima do presidente Marcelo. Quanto aos emigrantes, que já vão na 3ª geração, eu bem me lembro de não lhes perdoarem as maisons, ainda o Almodóvar não tinha elevado o kitsch a categoria respeitável. Vem tarde tanta preocupação patrioteira. E sim, conheço bem a França, onde, aliás, vivi antes dos programas Erasmus e dos voos low cost.E sim, os parisienses podem ser por vezes insuportáveis. Mas isso é uma banalidade que qualquer francês reconhece.

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    1. Por acaso, depois de ter escrito o post chegou de França um colega meu que tinha ido fazer uma produção. Ele contou como estava numa esplanada perto da torre Eiffel e mal a nossa selecção marcou golo viu chegar uns tipos de mota com bastões, que partiram tudo. Não ouvimos falar neste episódio.

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      1. Hoje li qq coisa sobre arruaças mas, pelo que percebi, deveram-se mais a uma tentativa de roubo de bebidas do que ao futebol propriamente dito. De qq forma, o empolamento da coisa, acho que está mais do lado de cá, denunciando no fundo um sentimento de inferioridade dos portugueses que eu tenho muita pena que exista. Porrada por causa do futebol há praticamente em todo o lado – e os exemplos de Marselha foram ontem. Se o desprezo e humilhação dos portugueses em Paris, e na França, fossem o que nos andam a tentar vender, proporcionalmente, até a Bastilha teria vindo abaixo outra vez.

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        1. Não, neste caso foi gang mesmo, um assalto em dois tempos — primeiro com gás lacrimogéneo para dispersar o pessoal e depois com bastonadas. Quem me contou não é nada dado a romancear.

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      2. Em Paris há uns gangues jeitosos. Quando lá estive, havia uns skins fachôs e uns red skins, que todas as noites se divertiam a trocar bastonadas.

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    2. Ana, até as freiras ali das carmelitas podem ser por vezes insuportáveis e não fazem mais nada para além de compotas e voltas ao claustro. Quanto mais os habitantes de uma cidade como Paris. O Luís Jorge foi naturalmente confundido com um inspector do guia Michelin, ou com o Johny Depp, por isso não conta.

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  5. Não sei, meninos e meninas… quanto teve a Frente Nacional nas últimas eleições mesmo? Foram 27, 30%? Isso são não “empolamentos”, nem “coisas que nos tentam vender”. São factos.

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    1. A Frente Nacional janta, e festejou, num restaurante português amigo. Essa é que é essa. De resto, a quantidade de portugueses que vota ou votará na FN não será despicienda. O problema em França sempre foi com os árabes muçulmanos. Em Paris, nem os africanos bem escuros de pele têm problemas, desde, of course, que não apareçam de djellaba. E não é de agora.

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    2. Ana, a FN é outro assunto. O empolamento é em relação ao tratamento dos portugueses, aqueles que, como diz, geralmente sempre se deram bem com o que defende a FN, tenham, ou não, votado. Sobretudo os das primeiras gerações, os que nas férias apareciam a falar dos “arábes” ou dos “algerianos” arruaceiros e pouco dados ao trabalho, como eles. Também na África do Sul se deram muito bem com o regime do apartheid. Obviamente, nas paredes dos clubes portugueses existem agora retratos do Mandela.

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