Dizer merdas.

Rodrigues dos Santos, procurando festa para outro tomo imprestável que vai sair, decidiu esclarecer o povo a respeito das “origens comunistas do fascismo”. Isto é interessante porque nos revela como os media funcionam. Um tipo com notoriedade diz umas merdas, a que quatro ou cinco gnomos reagem escrevendo um artigo. Ao contrário do conteúdo, interessa a intenção — malhar na esquerda.

Rodrigues dos Santos é jornalista, teve aulas de jornalismo, trabalha há pelo menos uma dúzia de anos no ramo. Mais, é a cara da televisão pública. Não se justificaria alguma “gravitas” atrelada a dois ou três factos? Não.

Não, porque este crepúsculo dos media tradicionais tornou a mentira impune. Donald Trump pode implicar o pai de Ted Cruz no assassinato de Kennedy sem sofrer danos políticos. Os clima-cépticos (nome que hoje em dia se dá aos atrasados mentais) podem desdizer todo consenso dos especialistas sobre o aquecimento global e terão mais palco do que a comunidade científica. A persistência da crise na Europa em contraste com a rápida recuperação dos Estados Unidos não convidaria ao recato sobre as virtudes da austeridade? Sim, mas não era a mesma coisa.

Neste contexto, Rodrigues dos Santos transforma uma profissão nobre num wrestling mediático porque sabe que o ar do tempo o favorece. Bizâncio durará mais um século.

Um pensamento sobre “Dizer merdas.

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