Pois.

“Hillary Clinton, a 30-year incumbent who’s been fighting all her life but not really accomplishing anything, versus Donald Trump, who wants to bulldoze Washington? I’ll take Trump.”

Isto, mais a raiva dos apoiantes de Bernie Sanders contra Hillary Clinton, vai dar um excelente resultado. Valha-nos a demografia.

28 pensamentos sobre “Pois.

  1. provavelmente, nenhum dos seus leitores vai concordar, se calhar nem o meu candidato – feel the Bern! – mas eu prefiro trump à politicamente correcta croocked hillary..

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    1. Pois, Cristina, só que isso é uma rematada tolice, e muito preocupante porque está a contagiar a América. Aqui deixo um artigo em que o próprio explica como está a ver os primeiros cem dias de presidência.

      Logo a abrir, muro com o México e proibição de imigração muçulmana (lá vai a liberdade religiosa às urtigas). Depois é o que lhe der na mona.

      Perante isto, tu e inúmeros cheerleaders do Sanders defendem que “a Clinton é pior”. Só que ao contrário da Susan Sarandon, que é suficientemente rica para poder fugir para onde quiser, nós não podemos. Vamos ficar por cá a levar com o homem.

      Lenine chamou ao esquerdismo a doença infantil do comunismo. Os séculos passam e não se cura.

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      1. Essa visão catastrofista tão empolada pela imprensa internacional, parce-me claramente exagerada. Apesar de tudo os EUA ainda tem um sistema de checks and balances que não existe, por exemplo numa Turquia ou uma Polónia. O desgraçado do Obama não consegui fechar uma prisão em 8 anos, e vai este maluco agora conseguir proibir a imigração muçumana ou construir um muro!

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  2. Não percebo este irracional medo do Trump. Não é a 1ª vez que os EUA tem um presidente imbecil. Este tem um discurso proto-fascista mas irá caminhar para o centro, tal como Obama o fez pelo outro lado. Será um Bush filho, mas com piada e a vantagem de, em princípio, não bombardear um qualquer país na Ásia Central ou no Norte de África. Acresce a isso que entre os maluquinhos da Bible Belt que concorreram contra Trump no PR, e o próprio, parece-me bem menos perigoso este último.
    Vejo toda esta ascenção de malucos, fascistas recauchutados e esquerdistas de novo tipo ao mainstream político com bastante bonomia. Afinal Marx estava certo e Fukuyama espalhou-se ao comprido. O capitalismo assente na financialização da economia está-se a auto-destruir porque já não consegue dar um mínimo de prosperidade aos trabalhadores industiais das sociedades supostamente industrializadas. E algo vai ter de mudar.

    A questão não é táctica, é estratégica: elegendo Clinton, o Sanders pega nos milhões de votos que teve e vai dormir, qual Manuel Alegre, feliz por ter derrotado o fassissta e ter perpetuado o sistema entregando a presidência à madrinha de Wall Street. Sendo Trump eleito, os gajos do Sanders mobilizam-se, contra os muros e demais alarvidades que o homem prometeu. E aí sim, podemos ver aquele levantamento político-social que tornará a “America great again”.

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      1. Não é tanto isso. É: pior que está, não fica. E se ficar mais vale com Trump (a quem o mundo faria um cordão sanitário) do que a alguém mais inteligente, vindo salvar a américa, qual D. Sebastião, do desastre pós-Clinton…

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        1. Pronto, entrámos na dimensão paralela: um cordão sanitário em torno dos EUA…. se alguém soubesse como fazer isso por que raio ia esperar pelo Trump para o pôr em prática? tá bem.

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    1. Isto é que é uma análise zen. O último presidente verdadeiramente imbecil, com este calibre, que a América teve, foi ainda no tempo em que o faroeste era governado por xerifes bêbados e em que aquela vasta região poeirenta não queria saber do resto do mundo para nada, à parte umas escaramuças nos arredores. Convém que agora sejam mais sóbrios e menos apalhaçados. Pois até é possível que o Trump não consiga fazer o que agora promete. Mas resta-nos pelo menos sempre o problema de ele ocupar o seu tempo (e o nosso) a tentar fazê-lo. Um maluco, mesmo em camisa de forças, dá muito trabalho, que podia ser gasto em coisas mais produtivas. E isso do checks and balances não está assim tão bem calibrado como nos querem fazer crer. Um presidente, um supremo tribunal com juízes nomeados pelo presidente e um congresso formado por eleitores do presidente, se assim for, não é exatamente um padrão atómico de equilíbrio.
      Uma curiosidade: quais são os “esquerdistas de novo tipo” por lá?

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      1. Nada zen, bem pelo contrário: não sou lírico, sou bastante cínico.
        Convém recordarmo-nos do cowboy texano, “partner” em empresas petroliferas, que liderou a américa aqui há uns anos. Se não era tão imbecil como este, disfarçava mesmo bem, além de que este não depende do imperialsimo militarista para pagar o trust fund da familia.
        Note-se que eu não sinto nem o fogo do Bern, nem sequer me aquece um bocadinho, tal como o Obama líder da campanha líbia não aqueceu. A última vez que tive esperança num presidente dos US foi o Lyndon Johnson, que prometia uma autêntica revolução cívica e social (e até a fez, em parte). Dois anos depois estavamos todos a cantar “Hey, hey LBJ, how many kids have you killed today”.
        A questão é esta. Isto vai estourar por algum lado, basta ver as sondagens em qualquer país ocidental e a quantidade de “gente” pela qual há 2 anos ninguem daria nada, por estarem desenquadrados do sistema e que agora estão a um E se/quando isso acontecer, mais vele ter um imbecil isolacionista espalhafatoso, que um conservador fascista discreto (como sei, lá o Cruz, do PR).
        Por um lado, nada me daria mais gosto que ver o trump a tentar travar a globalização com o seu proteccionismo e a ver a roda da história a explodir-lhe nas fuças. Por outro, apesar de as merdas que o Trump afirma a nivel interno me causarem arrepios, Madame Clinton e sua agenda, estão bem mais próximos de nos conduzir a um desastre militar, que o Sr. Trump, que irá por a guada nacional a cultivar os campos do Arizona…

        P.S. Os esquerdistas de novo tipo na américa, são os gajos que “quase” elegeram o Sanders, um Socialista, pela primeira vez desde que o Macarthy os andou a caçar. Recorde-se que o “heróico” Nader, da última vez que “abalou”o regime, se afirmava como verde, e teve menos votos que o Coelho a madeira!

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        1. Pois. É o cinismo zen, uma espécie de rolo compressor das emoções em politica, que também tem por cá uns budas, embora já com algumas artroses que os impedem de se sentar na posição de lótus.

          O jogo agora é Trump/Clinton. O Cruz, um fascista tradicional, já não conta. A Clinton dá mais garantias de evitar os erros dos antecessores, seja no que nos deve preocupar mais diretamente, a politica externa militar, seja noutras coisas. Quanto mais não seja, porque precisa de deixar um bom legado. O que vai ela dizer, quando sair, nas palestras onde ganhará milhões?… Já o Trump, para além de uma certeza presente de idiotia, é uma incógnita suspeita no poder. Há tipos que têm a qualidade de não se importarem com o que diga deles o resto do mundo, desde que assegurem a fidelidade e admiração de um núcleo duro.

          Não há nova esquerda na américa; aliás, já não se inventa esquerda nova em lado nenhum. Esta esquerda americana é a que nasceu nos campi universitários nos anos 50 e 60, a do baby boom, passada a esquerda sindicalista operária, dos anarquistas e comunistas, ou aquela facção intelectual que foi combatida pelo macarthismo. Minorias, direito dos consumidores, ambiente, estado social, tudo faz parte da nova/velha esquerda, embora uns se tivessem dedicado mais a umas partes do que a outras. O ter mais votos agora não dá nova qualidade à esquerda; é coisa de circunstância e contabilidade demográfica. Transformação física, não química.

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  3. O inimigo é sempre preferível a um amigo que nos trai. É uma emoção básica, meio leninista, muito comum, seja na politica, seja noutra coisa qualquer. Mas a grande maioria dos votantes do Sanders não tem esse espírito partisan, como a Sarandon, uma velha militante da esquerda, antiga apoiante do Ralph Nader (que estragou a candidatura do Al Gore), etc. A grande maioria apenas quer que seja cumprido pelo menos um pouco do programa do Sanders e para isso confiam na Clinton. Ainda que não confiem, a aversão ao Trump resolve o assunto. O próprio Sanders vai acabar por dar uma ajuda, obviamente. Isso tudo e a demografia.

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    1. O problema não é que “a maioria dos apoiantes”, etc. O problema é a minoria dos apoiantes. Essa é que conta para vencer eleições. As sondagens favorecem a Clinton, a demografia também, mas não sou uma pessoa particularmente optimista quando está em causa este tipo de estupidez colectiva e relavitização da treta.

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  4. não acredito nada na construção do muro ou nas deportações em massa, que aliás, estão longe de ser exclusivo dos conservadores – https://www.washingtonpost.com/news/federal-eye/wp/2016/01/08/latino-leaders-ask-obama-to-show-moral-leadership/ . O Trump iria encontrar-se com o presidente do México e dizer “I met Pr. Nieto… he’s a great guy… got to give him credit… so we came to an understanding, I mean, I love the hispanics… …” O que foi interessante neste processo – e espero deixe marcas – é que à esquerda e à direita (do ponto de vista americano) dois candidatos vieram “refrescar” o discurso, um com pensamento próprio, outro com muita lata e provocação. A Hillary vai ganhar, não vejo como não, porque ninguém quer realmente mudanças radicais. Ela sim é “the devil we know”. Em nenhum momento em que a ouço falar, escuto alguma convicção ou ideia. Cliché em cima de cliché. Já não é o “diz qualquer coisa de esquerda”, mas mais um exasperado: diz qualquer coisa de gente…

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    1. Cristina, esse link não aponta “deportações em massa”, fala de 120 pessoas que foram detidas e de uma comunidade hispânica que resolveu apelar ao presidente. E apelou a um presidente democrata porque pode; porque se fosse um “conservador” como o Trump chamar-lhes-ia violadores e criminosos, como aliás chamou mesmo que a Cristina Borges não acredite nisso.

      A História está cheia de pessoas que condenam mais rapidamente quem está próximo do que quem está distante delas. Os comunistas julgavam que o Hitler era preferível aos social-democratas alemães.

      Lenine escreveu sobre esse fenómeno de radicalização, identificando o esquerdismo como “a doença infantil do comunismo”.

      O que Trump fez não foi “refrescar” o discurso (não mais do que a Sarah Palin, que o apoia), foi introduzir laivos fascistas no discurso que terão consequências práticas, no sofrimento de muita gente.

      Lamento, mas a demonização da Clinton que observo em muitos apoiantes de Sanders é completamente irresponsável. É brincar com o fogo ignorando a História.

      Ela é de esquerda? Não. E o que interessa isso neste contexto?

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  5. sim, ok – não interessa muito se ela é esquerda ou direita, não interessa nada. Mea culpa, pelo artigo, queria só chamar a atenção que a administração Obama já expulsou mais famílias do que gostaria de admitir – e, no sinal contrário, creio que foi durante Bush milhares de emigrantes foram legalizados. Não é dos republicanos ou democratas, mas isso não seria preciso dizer aqui. Continuo a não acreditar que o Trump seja fascista, mas admito muitos dos seus admiradores o sejam. Over and out…

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  6. BTW, acho que não fazem justice à Hillary, dona que é de uma mente brilhante. Reparem só:
    Entre 18 de Abril de 2013 e 19 de Março de 2014, ou seja em dois anos menos um mês, proferiu nem mais nem menos do 91 palestras, pelas quais recebeu a reconfortante quantia de US$ 21,667,000.
    Entre os que pagaram para ter o previlégio de ouvir as sábias e inspiradoras palavras da Senadora Clinton há nomes conhecidos desde o Deutsche Bank,(24/4/13), ao Morgan Stanley,(18/4/13), Goldman Sachs,(24/10/13) e, para dar um ar de exotismo, o Brasileiro Itaú, ,(16/5/13),UBS,(11/7/13),Bank of America,(13/11/13),todos em Washington e todos pagando pela tabela,($225,000).
    Para terem ideia do tour de force intellectual que a portentosa inteligencia de Hillary foi capaz, reparem que, por exemplo, em 2013 conferencias só em Abril foram 4, em Maio 5, em Junho 8, em Outubro também 8, para encerra o ano em Novembro com um grand finale de 11 !
    É bom recordar que para isto é preciso ter também uma saúde de ferro, pois tratou-se de viajar incessantemente, criss-crossing the entire ole US of A.
    Mas nem todos pagaram o mesmo: Só cobrou $100,00 à Innovation Arts and Entertainment de San Francisco,Cal, generosidade bem compensada por aqueles que pagaram mais do que a tabela, tais como
    a Biotechnology Industry Organization de San Diego,($335,000, 25/6/14), ou a Cisco ($325,000, 28/8/14).
    Esta verdadeira maratona só acabou quando a Sen. Clinton anunciou publicamente concorrer à nomeação pelo Partido Democrata às próximas eleições presidenciais.
    E, para que se não dissesse que previlegiava apenas as grandes corporações, encerrou com chave de ouro com uma palestra à modestíssima American Camping Association, pela qual cobrou apenas $260,000.
    O seu a seu dono, portanto !

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    1. Ah, que surpresa, os políticos enriquecem a dar palestras aos grandes desta terra. E isso torna-os “iguais ao Trump”, segundo a tese tão repetida pelos eleitores mais devotados entre os que “sentem” o Bernie?

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          1. The One Million Dollars Question :
            Em 1933, no seguimento da Grande Depressão, um Senador e um membro da Camara dos Representantes, respectivamente Carter Glass e Henry Steagall, deram o nome a uma lei que ficou conhecida como a Glass-Steagall Act que separava a Banca commercial da Banca de investimento.

            P:
            Qual foi o Presidente dos Estados Unidos que revogou o referido Glass-Steagall Act levando ao colapso financeiro de 2007/8 ?

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            1. Clinton. Mas essa teoria de que levou ao colapso financeiro não conta a história toda. E o facto de eu ser crítico da Terceira Via, como você bem sabe, não quer dizer que me tenha tornado abstencionista quando a direita xenófoba e populista está do outro lado da barricada.

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  7. Bolas!, que a malta e’ dura de ouvido, ate’ o Chomsky dizia: if you’re in a swing state, you vote Gore, Kerry, … if not, you vote Nader. Hoje: se consegues eleger o Sanders tanto melhor; senao vota na Clinton.

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  8. Acaba de ser confirmada a vitória de Sadiq Khan como o próximo Mayor de Londres.
    Um Muçulmano, filho de um conductor de autocarros, à frente de uma capital europeia, um resultado considerado impossivel e uma bofetada nos Trumps deste Ocidente.
    E não foi eleito o mal menor.

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