Os dez na ilha deserta.

A T Magazine, suplemento do The New York Times, tem vindo a perguntar a gente conhecida que dez livros cada um levaria para uma ilha deserta. Como acho graça ao exercício decidi recapitulá-lo. Eis a minha lista.

1. Love’s Labour’s Lost, Shakespeare. Um dos exercícios de virtuosismo menos conhecidos do autor, entre outros motivos por ser intraduzível. Sob as palmeiras precisarei de alguma coisa que me desafie.

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2. Blood Meridian, Cormac McCarthy. A Divina Comédia do Século XX. Há um certo encanto em verificarmos que a grande obra sobre o mal escrita no tempo das nossas vidas é um livro de cowboys.

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3. The Shipping News, Annie Proulx. Devido ao meu pendor romântico.

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4. Doutor Fausto, Thomas Mann. Aqui a capa da edição brasileira, porque as portuguesas não merecem aparecer. Li três vezes este romance, o único do autor que terminei. A obsessão de Mann com a herança de Goethe produz óptimos resultados.

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5. À l’ombre des jeunes filles en fleurs, Proust. Supondo que não poderia levar todos os volumes, escolheria este. Proust foi importantíssimo na formação do meu gosto, desde logo por desencorajar palavras como “importantíssimo”.

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6. Nemesis, Philip Roth. Não é a grande obra, mas é sem dúvida a pequena obra de Roth. Um instrumento de precisão.

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7. Bleak House, Dickens. A idade de ouro do romance tem de estar representada na minha pequena biblioteca. Bleak House é uma das suas obras mais perfeitas.

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8. Watermark, Joseph Brodsky. Gosto muito dos poemas de Brodsky, mas este é o meu livro.

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9. Dans le café de la jeunesse perdue, Patrick Modiano. Do homem que converteu o flâneurisme na memória da dor.

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10.  The Recognitions, William Gaddis. Porque seria importante descobrir um livro novo nessa ilha, e as primeiras páginas deste prometem.

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4 pensamentos sobre “Os dez na ilha deserta.

  1. Muito me admira, sendo este um clássico imorredoiro, é que ainda ninguém se tenha lembrado de escrever “O Homem que Levou Dez Livros para uma Ilha Deserta”. Ou, melhor ainda, “Robinson Crusoe, Of York, Mariner: Who lived Eight and Twenty Years, all alone in an un-inhabited Island on the Coast of America, near the Mouth of the Great River of Oroonoque; We will tell you how the Poor Bastard, having been cast on Shore by Shipwreck, wherein all the Men perished but himself, stood there with the Company of a flock of Fucking Noisy Seagulls and Ten Books, not being sure what’s more annoying, finally realizing How Boring and pretentious Shakeaspere is, wishing Instead to have those Extra-Large Taschen Table Books made of Floating Material or a Lobotomy.”

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      1. Pois. O Balzac ou os contos do Maupassant. Agora a sério, o maior problema de levar livros para uma ilha deserta é a visão. É que eu já tenho três dioptrias. E mesmo que eu consiga levar os óculos, as lentes vão-se riscando com a areia. Mas retomei a leitura de um William Gaddis que deixei a meio, o Carpenter’s Gothic, só por causa deste post, e estou a gostar.

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