Eco e narcisos.

A morte de Umberto Eco deu mais uns minutos de fama ao seu discurso de Turim, aquele em que afirmou que as redes sociais vieram dar voz aos imbecis. Onde foi mais divulgado o testemunho do escritor? Nas redes sociais, claro.

Estes momentos autofágicos sublinham uma inconsequência essencial: denunciando a imbecilidade de quem frequenta um meio, a única opção que resta a alguém que se respeita é a de o abandonar.

Mas depois, quem tomará conta do nosso canto se o vagarmos? Quem falará por nós? Quem fará triunfar a verdade e a razão?

Ninguém. Os imbecis ganharam.

6 pensamentos sobre “Eco e narcisos.

  1. não é bem assim.

    um imbecil define-se, por exemplo, por não ter capacidade de criar o que quer que seja. o objectivo de vida do imbecil e alcançar a cenoura.

    isto é, não foi o imbecil que criou as redes sociais, foi alguém que percebeu bem o que é o “imbecil”, e a sua cultura e modo de vida.

    (sim, há uma cultura da imbecilidade).

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  2. Esse é o maior drama (paradoxo) actual. Não se pode falar de fora. Bom, parece que o Montaigne teve o mesmo problema e foi para uma Torre.🙂 Escreveu umas coisas maravilhosas que devem estar disponíveis de borla na Internet. O mundo é complexo,,,

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    1. Sim, e não foi praticamente obrigado? Confesso que não recordo como foi lá parar, posso estar a confundi-lo com um daqueles romanos que só escreviam coisas quando estavam no exílio.

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