O vírus zika contagiou a nossa direita.

Cientificamente não está comprovado que o surgimento de inúmeros casos de microcefalia  nas bancadas do PSD, do CDS e, muito em particular, na representação portuguesa do Partido Popular europeu, tenha sido provocado por picadas do mosquito aedes aegypti. Mas quem viu a cabecinha rala de Paulo Rangel em Bruxelas agitando os compagnons de route contra o orçamento do nosso Governo, não hesita em afirmar que por ali anda bicheza sul-americana.

Os sintomas —  coceira, erupção cutânea, dificuldades cognitivas — parecem dar razão a quem detectou, nos bairros da Lapa, Avenida de Roma, baía de Cascais e malha suburbana de Lisboa inquietantes focos de infecção.

A irritabilidade, em particular — mais que isso, um rancor compulsivo, um ressabiamento demente e temerário — confirmam os temores de contágio alargado.

Teme-se que uma súbita aprovação do orçamento, negociado com Bruxelas, aprovado pela esquerda, espostejado com gozo pela caterva mediática e pelos comentadores de direita (ai, o pleonasmo), teme-se que a aprovação, dizia eu, transporte a novas regiões do país a influência purulenta do palude em que a nossa direita se tornou.

Fiquemos atentos à blogosfera conservadora e liberal.

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12 pensamentos sobre “O vírus zika contagiou a nossa direita.

  1. Já a nossa esquerda, felizmente, segue saudável e viçosa a sua caminhada triunfal.
    Depois de justamente expostos alguns ignóbeis traidores-miguel-vasconcelistas que insistem em não ver a luz (certamente habituados às trevas em que nos mergulharam…), cabe agora, com firmeza inabalável, cortar a cabeça ao monstro austeritário. Os verdadeiros patriotas de esquerda não fazem por menos. Pessoalmente, desvaneço-me, embevecido, pelos aumentos de pensões de 0,81Eur que tanto tardavam, salvações banifeanas, não esquecendo o IVA do cozido. Já os magnatas automobilizados passam a pagar mais 7 cêntimos por litrosa e os bandalhos dos fumadores incham forte e feio.
    É a vitória da dignidade!

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    1. Deixe. Se os anónimos ultramontanos rezarem muito, muito, esse pequeno aumento poderá transformar-se em cortes, como o leitor por certo anseia. E quanto aos impostos não esqueça aquele dos croissants, bolachas e regueifas – a menos que já tenha sido desmentido. Estou sempre atrasado na capacidade ficcional da nossa direita.

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    2. Amigo Duarte, eu sei que a esquerdalhada que assola este país vai para um ror de anos deu cabo da educação, nomeadamente o ensino da matemática e da lógica. Tu próprio, que pelo Natal pedias sempre um pacote de exames e em vez disso te davam comboios eléctricos (quiçá incentivando o despesismo em TGV’s), foste vitima do sistema. Mas faz agora um esforço para fazer as contas aos cortes e aumentos de impostos dos últimos quatro anos, e compara com as medidas deste governo. Como dizia o Manelinho, que tem um casal de neurónios (em tratamento de fertilidade), deixa a politica e agarra-te à matemática. Abaixo o pós-modernismo.

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    3. Deve ser um dos efeitos nocivos do pós-modernismo na formação dos jovens neo-liberais que os fez esquecer que o PS faz parte da segunda força política na Europa e não sofre, como o Syriza, do efeito “carta fora do baralho“. E que a primeira força política europeia – os testas de ferro do capitalismo financeiro europeu – tem de lidar com Portugal com muito cuidadinho, pois gastou quse todos os “cartuchos de credibilidade“ com a Grécia (e a seguir vem já aí a Espanha), e não se pode dar ao luxo, de em tão curto espaço de tempo, se meter noutro confronto mediático, desta vez com os lusitanos. Ah, e as eleições em França e na Alemanha são já em 2017.

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  2. É isso, aos anónimos ultramontanos (bandalhos!) é dar-lhes o tratamento radical, janela fora, imitando o saudoso exemplo dos patriotas progressistas de 1640.
    Bem haja!

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      1. Caríssimo Luís, em jeito de mui modesto contributo, registo que o nosso inefável Passos Kandimba (despromovido da condição de Nosso Senhor dos Passos) se (re)apresentou ao povoléu laranja como (re)candidato à sua (im)própria sucessão no PPD/PSD e no país; ao contrário do Paulinho-das-feiras que já obrou a sua saída do rodízio partidário, o messias de Massamá é mesmo tal e qual como Talleyrand-Périgord dizia dos Bourbons restaurados: não aprende nada nem esquece nada…

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