Em resumo.

  1. O discurso de Marcelo foi um pouco hirto e institucional para o seu carácter, mas isso não é mau. Como filho da aristocracia (ou do mandarinato), o novo Presidente terá sempre dificuldades com o tom. Nesse sentido faz lembrar Giscard d’Estaing, muito dado a excessos de familiaridade com as porteiras.  As presidências hieráticas, como a de Mitterrand ou, num sentido levemente repugnante, a de Cavaco, são sempre as de homens do povo.
  2. Marisa despediu-se com elevação, tal como eu esperava.  O Bloco será um grande partido se combater o ressentimento dos seus apoiantes, e dá gosto ver que isso está a ser feito.
  3. Maria de Belém teve quase tantos votos como Tino de Rans. Não há palavras para descrever as emoções que este detalhe me provoca.
  4. Edgar Silva merecia melhor. A sua biografia é admirável a vários títulos.
  5. Sampaio da Nóvoa poupou a nação a muitos arrazoados prolixos, dignos do outro Sampaio, mas não duvido que aprenderia a ser um chefe de Estado decente. Ouviremos falar dele.
  6. Gente de quem gosto apoiou Paulo Morais. Parece-me um equívoco. A corrupção não se combate com populistas oriundos do PSD. As raposas não guardam o galinheiro.

15 pensamentos sobre “Em resumo.

  1. Edgar Silva merecia melhor. A sua biografia é admirável a vários títulos

    Eu não sou anti-comunista primário, sou anti-comunista universitário. E concordo completamente com a afirmação. O trabalho dele, na defesa dos miúdos de rua da Madeira e a consequente “deportação” para o continente onde, por vontade própria, foi residir para o Casal Ventoso para viver, com e como, quem mais precisa são digno de registo.

    Tu tens tido, e bem quanto a mim, alguma preocupação em assinalar percursos pessoais (Marisa, H. Neto, Edgar Silva). Em Portugal esse assunto é quase tabu. Se houvesse escrutínio, e valorização a esse nível, Sócrates e Passos nunca teriam chegado à liderança de um grande partido quanto mais a primeiros-ministros.

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      1. Caríssimo Luís, candidato(s) oriundos dos “social media” só daqui a dez aninhos, porque entretanto teremos «TV Marcelo»…

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          1. Hahaha, Mas no MEC tudo sabe a pargo nas azenhas. Quanto à biografia dos candidatos, depende. Para mim, vale mais a experiência politica do que a empresarial. Ser jotinha, por exemplo, não é um mal em si. Digo isto porque sou do tempo das associações de estudantes no liceu (hard core, politizadas, I mean) e no meio dos carreiristas havia gente com ideais de transformar o mundo. Ou, pelo menos, as cadeiras do bar. Por algum lado se tem de começar a transformação do mundo e é sempre bom estar bem sentado para discutir e delinear as estratégias.

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