Brincar com o fogo.

As agressões sexuais praticadas por emigrantes na Alemanha e na Suécia têm que ser punidas exemplarmente. Isto devia ser evidente, em primeiro lugar, para quem defende o acolhimento dos refugiados.

A protecção das mulheres não pode depender da nossa opinião sobre decisões humanitárias. A este respeito não há comportamentos inadmissíveis para homens europeus e desculpáveis para imigrantes muçulmanos.

Também a organização dessas agressões deve ser investigada. Temos de saber o que está na origem do ajuntamento: um efeito de contágio ou a intenção de provocar reacções?

Começa a ser demasiado tarde para proteger os sírios que chegam à Europa. Meter a cabeça na areia não vai ajudar quem chega nem quem os recebe.

21 pensamentos sobre “Brincar com o fogo.

  1. Pois temos de saber…
    Mas a responsabilidade não será de uma cultura que tem uma concepção medieval da mulher e para a qual todas as ocidentais são umas p_tas?

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    1. Quer com isso dizer que no islamismo todas as ocidentais são umas putas? É um entendimento tão erradamente generalizado como achar que para a nossa “cultura” todas as mulheres são dignas de respeito. Para além de que, num e noutro caso, não se encontra em lado algum o princípio de que é correto molestar mulheres.
      O que aconteceu foi uma confluência de uma multidão de grunhos ignorantes até, ou sobretudo, da sua própria cultura, e sexualmente frustrados. Nada que não aconteça por aqui, entre os descendentes dos visigodos e dos bretões, nas mesmas circunstâncias, embora de forma menos concentrada. Estamos fodidos é se não conseguirmos pensar racionalmente sobre isto, perdendo essa parte tão importante da nossa cultura. Se é para criticar outras “culturas”, convém que se conheça a coisa, até porque entre os refugiados há várias proveniências e culturas. Numa ponta do espectro, uma família síria de classe média ou alta que vem para a Europa fugindo de um país que até há pouco tinha uma cultura laica e tolerante e que pretende continuar assim. Na outra ponta, o grunho que vem das montanhas para a Europa apenas para conhecer mulheres com um pouco de pele à mostra. Todos agora estão sob fogo cerrado e qualquer um com aspecto de mouro pode ser apanhado numa rua alemã e levar uma carga de porrada de um cristão. A “cultura” é uma coisa escorregadia.
      A Alemanha, em particular, parece também ter perdido a sua tão celebrada eficiência administrativa/policial. A passividade da policia foi espantosa. Se é em nome do politicamente correto, está mal; se é incompetência pura, mal na mesma.

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  2. Concordo 100% contigo Luís.

    Sou um defensor dos refugiados e da diversidade. Por exemplo como é evidente acho completamente cretinas as críticas ao facto de terem direito médico de família.
    O pior serviço que podemos fazer a esses refugiados e muçulmanos é, com algum conceito pífio de multiculturalismo, ser minimamente complacente com essas atitudes e comportamentos completamente inaceitáveis.

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      1. O feminismo que sabe ao que vem – pelo menos em parte – põe o multiculturalismo em 1º lugar. O multiculturalismo é agora a arma mais eficaz a defender.

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  3. E ainda não sabe tudo :

    Ontem à noite no NewsNight, o programa da BBC com que encerra a emissão e onde é feito o post-mortem das principais noticias do dia, foi revelado que os acontecimentos de Colónia já tinham acontecido em vários lugares da Suécia durante a realização de festivais no Verão passado, (e mesmo em 2014). O cenário é o mesmo: Grandes grupos de jovens do sexo masculino originários do Médio Oriente importunando, (acho que apalpar as mamas e meter as mãos entre as pernas se pode classificar assim), as jovens Suecas e nalguns casos, e não tão poucos como isso, chegando mesmo à violação.
    O Chefe da Policia Sueca foi entrevistado pelo programa e perguntado porque só agora vieram a publico esses acontecimentos retorquiu que na Suécia “não gostamos de falar nesses assuntos” e que, não senhor, não se tratou de abafar os acontecimentos, num embaraço dificil de descrever.
    A Suécia, país que recebeu o maior numero de refugiados per capita, está em estado de choque. O Governo sem saber que desculpas dar, a politica de acolhimento a novos refugiados instantaneamente congelada, e a confiança nos media perdida por ter ocultado durante tanto tempo à população acontecimentos tão importantes.
    Agora cada um é livre de praticar o avestruzismo que quizer, mas há algo de podre no Reino da Dinamarca. (por acaso lá também se passou algo de parecido…)

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  4. O problema nao esta’ nas noticias, estara’ na hipotese levantada: “a responsabilidade não será de uma cultura que tem uma concepção medieval da mulher e para a qual todas as ocidentais são umas p_tas”. Seria como concluir que os actos terroristas que assolaram a Europa nos anos 70 “seriam da responsabilidade da cultura de esquerda anti-capitalista que tem uma concepcao antagonica, violenta e fracturante da sociedade”. Dai’ a perseguir os muculmanos e a banir os partidos de esquerda e’ um passinho de anao. Assim de repente, os muculmanos que conheco e com que me cruzo diariamente sao sobrios, integrados, conservadores, e nao andam por ai’ a apalpar mocinhas. Serao incultos? Quanto aos esquerdistas de antanho, sao hoje os arautos da boa-nova neo-liberal.

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    1. Por isso é que me parece que as respostas, independentemente do bullshit que as pessoas têm na cabeça, terá sempre de remeter para uma legalidade protegida por valores democráticos. Ou seja, julgo que nos devemos afastar da argumentação cultural ou civilizacional, excepto na parte em que é protegida pelos regimes locais.

      Claro que isto nos levaria a uma troca de galhardetes se vivêssemos na arábia saudita, mas não vivemos.

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      1. “uma legalidade protegida por valores democráticos”
        isso quer dizer exactamente o quê?
        o que é uma legalidade não protegida por valores democráticos? Se “valores democráticos” estão definidos por lei, está a raciocinar em círculo; se não está, admite que a democraticidade de uma lei ou das leis está para além da democracia e tem de abrir a porta a concepções culturais. A democracia actual é, aliás, o fruto de um cultura – a europeia ocidental. A democracia é estranha. As mulheres francesas tiveram direito de voto depois das portuguesas – que o tiveram reconhecido pelo Estado Novo.
        Em que ficamos?

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        1. b. está enganado: as mulheres não tiveram exactamente o direito de voto reconhecido pelo Estado Novo. Nem os homens. Porque a lei eleitoral não era democrática. Os valores democráticos não estão “definidos por lei”, no sentido de lei ordinária; é mais acima.. Os valores democráticos estão definidos nas constituições, escritas ou não escritas, e as leis ordinárias apenas lhes devem obediência. É aí que se define a cultura democrática. Isto responde à sua pergunta e desfaz o circulo? (desculpem intrometer-me).

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  5. A próxima batalha para quem se posiciona à Esquerda vai ser travada em Maio próximo para eleger Sadiq Khan, o candidato do Partido Trabalhista, como Mayor de Londres. Sadiq, como o chamamos, é pessoalmente brilhante, intelectualmente superior e…é muçulmano. Digo com orgulho que não poderíamos ter escolhido candidato mais inspirador do que ele.
    Como um “ London Liberal”, (como nos chamam pelo suposto elitismo intelectual que alegadamente ostentamos…), simpatizo com a ideia de cidadania global hoje que o mundo é mais aberto e interdependente e acho que a ideia do estado-nação se tornou antiquada e um conceito irracional e iliberal que é suposto as pessoas cultas e inteligentes já terem abandonado. Ser intelectualmente sofisticado, (lá está o London Liberal a falar…), implica ter-se transcendido a dimensão local, paroquial, e até mesmo nacional, quando as questões que realmente importam, tal como o aquecimento global, não cabem na dimensão do Estado-Nação, conceito tornado demasiado pequeno.
    Mas é com tristeza que digo que não foi encontrada até agora pelo Partido Trabalhista uma posição coerente sobre o problema da Imigração em massa. Pelas razões que apontei a inclinação natural é a de aceitar todos que cheguem a estas costas sem limitações. Para quem partilha desta visão é difícil entender como algumas comunidades podem protestar por serem sujeitas a mudanças drásticas e súbitas trazidas pelos imigrantes, sem que mereçam ser acusadas de xenófobas e racistas.
    O ponto de equilíbrio ilude-nos continuamente: Como por limites à entrada sem que isso seja um abjurar de princípios que são a fundação do nosso movimento ?
    Como ignorar que muitos dos recém chegados não faz qualquer esforço para se integrar, o que impossibilita que sejam acolhidos pelas comunidades autóctones como membros plenos e o que enfraquece os laços de solidariedade e vai desgastando aquilo que se pode chamar “cidadania emocional” ? ( um “nós”, em contraponto com um “eles”) .
    As dramáticas imagens dos miseráveis campos de migrantes em Calais onde vivem milhares que tentam cruzar o Canal, são uma poderosa arma para a direita que não se cansa de avisar que uma vitória Trabalhista significaria um tsunami de imigrantes que submergiria a Grã-Bretanha.
    O discurso “progressista” talvez tenha ido longe demais ao questionar as fronteiras nacionais e a lealdade devida aos nossos concidadãos. Podemos ser todos iguais, com direito à mesma dignidade, mas sem que isso signifique termos exactamente as mesmas obrigações para com o resto da humanidade que temos com os nossos compatriotas. Talvez sermos moderadamente nacionalistas e admitir a existência de uma hierarquia de deveres, vindo em primeiro lugar a nossa família, alargando-se depois à nossa comunidade e finalmente abarcando o nosso Estado-Nação, seja uma resposta equilibrada que se oponha ao crescimento desenfreado da ultra direita.
    Esse Estado-Nação seria o meio de garantir Governos democráticos, solidariedade inter-classista e inter-geracional e um sentido de identidade colectiva e de segurança psicológica que tanto são necessários. Quem sabe se não será essa a resposta.

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    1. Acho que você mistura conceitos:

      1. o que está em causa não é uma “cidadania global” mas, no caso de refugiados, um dever humanitário. Esse dever é independente de considerações sobre a imigração. Que a emigração deve ser regulada parece óbvio. Mas não é essa a questão.

      2. A que chama o “esforço para se integrar”? Se é o de cumprir a lei, exige-se-lhes o o mesmo esforço com as mesmas sanções que se usam para os ocidentais que não se “esforçam”: a cadeia ou o que os tribunais determinarem. Aqui não há lugar para visões românticas da coisa. Ninguém disse que só lá vinham pombas inocentes.

      3: mas que “limites” queria você que os trabalhistas pusessem aos refugiados que chegam “às costas” da albion? deixavam-se entrar uns e os outros afogavam-se? E se estamos a falar de imigrantes, porquê essa história dos limites se eles já estão definidos? Não há acordos internacionais para cumprir? que confusão.

      4. o que me parece é que toda a gente é progressista até ver um árabe a matar cordeiros na vizinhança. Depois é mais fácil ser neonazi. Mas o nosso aborrecimento não vem ao caso para tratar esta questão.

      5. as pessoas tÊm todo o direito de votar na extrema-direita. já votaram antes e vê-se o que deu. talvez precisem de nova lição.

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  6. “uma hierarquia de deveres, vindo em primeiro lugar a nossa família, alargando-se depois à nossa comunidade e finalmente abarcando o nosso Estado-Nação”

    E’ legitimo. Simplesmente, na minha opiniao, essa e’ uma hierarquia que, enquanto proposicao social e colectiva, reflecte os valores de direita, sendo assim mais um prego no caixao da esquerda. Os valores da esquerda estao do lado da universalidade e, por isso, grosso modo, e modulo qualificacoes diversas, a esquerda interpreta o mundo da perspectiva oposta. Isso nao significa nunca – nunca – deslegitimar Antigona face a Creon.

    Creio que uma das maneiras de obstar ao “crescimento desenfreado da ultra direita” e’ fazer deslocar a discussao do acontecimento local e microscopico para a discussao dos fluxos globais e das causalidades sistemicas (analogamente, na economia deslocar os debates da microeconomia “a-politica” para a macroeconomia politica). Tarefa herculea, sem duvida. Refino, senao e’ uma tarefa de Sisifo: existe sempre um energumeno muculmano (barbaro, diziam os gregos) ao virar de cada esquina. E’ esse o problema milenar quando se trata de discutir o que e’ a justica, e se e’ melhor ser um homem justo ou injusto. Ja’ vem de Platao. O cinismo, o oportunismo, o expediente, a possibilidade de ganhar mais comprometendo os valores da justica do que lutando por eles … Este paragrafo pretende ser a corroboracao (cof… cof…) do ponto 4 do Luis Jorge.

    Como diz o Luis Jorge, se os cidadaos quiserem ser cinicos, se preferirem o expediente `a firmeza de caracter e `a virtude, e se, por outras palavras, quiserem votar na extrema-direita, bom, assim sera’. A emancipacao exige de todos responsabilidade, esforco e vontade para aprender, coragem para reflectir,… Ser de esquerda nao e’ adoptar o espirito unicef, ainda menos segundo uma trajectoria browniana. A diferenca e’ que a esquerda acredita que esse esforco pode e deve ser 1. colectivo e 2. “bottom-up”.

    Mas se quisermos voltar a ser capazes de projectar algo de positivo para o futuro, nao podemos contribuir ainda mais para a amalgama actual que mistura a direita com a esquerda e da’ uma amalgama, um miasma sem forma, onde os cidadaos sao representados com uma clarividencia proxima das amibas.

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