Fartos de 2015.

1. Exit Portas. A este, pelo menos, ninguém vigiará no estrangeiro em restaurantes de luxo. Ser ex-director de jornal é a profissão mais segura do país.

2. Alexandra Lucas Coelho escreveu um bom artigo sobre o futuro da imprensa: para resumir, os jornais devem passar a ser obra de beneméritos a exemplo, sei lá, do Grupo Jerónimo Martins, que neles investirão para evitarem temas aborrecidos como a concorrência fiscal na União Europeia. Os jornalistas dedicar-se-ão menos às reportagens do que à extorsão. Ou se calhar percebi mal.

3. Quem temia o regresso do PREC ainda verá a AR de mãos dadas, unindo o estalinismo à escola de Chicago.

4. Após ter responsabilizado a TVI pelo desastre do Banif, a nossa direita esforça-se agora para culpar os médicos pelas mortes de fim-de-semana nos hospitais públicos. Está certo: no PSD não há canalhas nem assassinos.

5. Vasco Pulido Valente revela-se o último colunista convicto da Páf. Há gente assim, que descobre a religião na velhice, para embaraço dos familiares.

17 pensamentos sobre “Fartos de 2015.

  1. As coisas passaram-se como eu vou relatar agora.
    – No princípio criou Deus os céus e a terra. E disse Deus: Haja luz; e houve luz.
    – E só passado um porradão de tempo é que Deus viu que neste pedaço de terra não havia sequer uma lamparina de azeite para um homem civilizado aprender no Shakespeare a apertar os atacadores dos sapatos e governar-se.
    – E disse Deus: Caraças, esqueci-me deles. Façamos ali um homem à nossa semelhança, para fazer separação entre a luz e as trevas e governar estes bimbos, e chame-se ele Vasco;
    – Mas viu Deus que o Vasco, embora omnisciente, entaramelava um pouco a língua e tinha os dentes amarelos e então disse assim: Vasco, tu és um génio, mas ficas guardado para fazer a crónica dessa tropa fandanga e ser testemunha já na tua velhice de uma coisa assombrosa que estou a preparar;
    – E assim foi e Deus criou o Pedro Passos Coelho; e viu Deus que era bom;
    – E estava o Vasco em cima da montanha a ver tudo maravilhado e a escrever;
    – E passados quatro anos viu que esta malta lançou fora o Passos Coelho e tornou-se politeísta e começou a adorar uns ídolos feios que nem bodes e era tudo a fornicar que nem doidos esganiçados, gajas e gajos e umas com as outras e uns com os outros, não sei se me entendem;
    – E disse o Vasco a Deus: Deus, já não aguento mais esta merda.
    – E Deus mandou um raio que os partiu a todos e até acabou com o Público onde escrevia o Vasco e mandou o Vasco recolher-se a um mosteiro.
    – E disse Deus ao Vasco: Vasco, agora esperas aí, que recolhi o Paulo Portas ao quartinho do santo padre Cruz no Largo Adelino Amaro da Costa e estou a prepará-lo para tomar conta disso daqui a uns anos;
    – E assim foi. E Deus, na sua santa misericórdia, nos ajude a todos a passar estas trevas, ámãe.

    Gostar

    1. Mas não contou a história toda: O Vasco converteu-se é certo, mas agora frequenta o cinema Império julgo que à quinta-feira, o dia reservado ao milagre da transformação da água em vinho.

      Gostar

      1. Caríssimo Luís, na sequência e citando a Dra. Manuela Azeda-O-Leite a propósito do Vítor Raspar: «Gostava de comprá-lo por aquilo que ele vale e de vendê-lo por aquilo que ele julga que vale…»

        Gostar

  2. E ainda há quem se espante por a vizinhança gostar mais do seu cão do que de si. Afinal, pelo menos num bairro lisboeta, ainda há esperança na sensatez e no discernimento do Homem.
    Votos de um magnífico 2016, Luís!

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s