Anotações para uma estratégia.

  1. O centro da vida política mudou para o parlamento. Perde o Governo, perdem os jornais e perdem os opinadores, a menos que reconheçam a tendência.
  2. O confronto a uma só voz desaparece. Todos os ataques terão resposta.
  3. No primeiro ano a união das esquerdas dependerá mais do julgamento do Governo anterior do que das iniciativas do novo Governo.  Vamos precisar de muitas comissões de inquérito e indignação.
  4. A fraqueza do PSD e CDS será a herança destes quatro anos. A fraqueza do PS serão as propostas populistas (e “de Esquerda”) que hão-de chegar da Direita.
  5. Que se recolham agora e se repitam até à exaustão todas as más notícias sobre a economia. O que não ficar dito será da responsabilidade de António Costa.
  6. Por muito socialista que seja o Governo, deve haver alguma coisa que o PCP e o Bloco queiram só para eles. No caso do PC, evitar mais privatizações e reverter as que se conseguirem. No caso do Bloco, acesso à experiência política e de governo do Estado.  As duas coisas devem ser geridas e concedidas, mas sem pressas. Se os partidos da Esquerda perderem o desejo, perde-se o Governo.
  7. O PS não pode, em circunstância alguma, negociar com a Direita.
  8. O ataque, necessário, à comunicação social deve ser feito em conjunto. Para além dos arrojas e camilos lourenços, para tratar à bruta, convém nunca esquecermos que Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira, Miguel Sousa Tavares  e a vasta maioria dos comentadores actuais são do PSD. A benevolência será escassa. Os três partidos devem entender-se sobre o modo de enfrentarem os canais privados. O PS não suporta essa guerra sozinho, nem o país ganhará se a fizer.
  9.   Nunca esquecer Mike Tyson: “Everyone has a plan ’till they get punched in the mouth”.

17 pensamentos sobre “Anotações para uma estratégia.

  1. Na questão da propaganda, Soares junior tutelar a RTP é boa notícia. Acredito que não tenha pejo em correr com a clique de avençados do Observador que passam os dias a lamuriar-se do estatismo e das ineficiências dos serviços públicos às custas dos impostos que nos saem do coiro. Espero…

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  2. A grande diferença é que António Costa e o PS por serem Governo passam a dispor de um poderoso megaphone que os media por muito de direita que sejam não vão conseguir abafar.

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      1. O Expesso diz que há uma fractura http://expresso.sapo.pt/politica/2015-11-27-Cavaco-e-Costa-fratura-exposta e, nas entrelinhas e linhas, lá vem o velho diagnóstico o PS é que tem de ir contrito e de “chapéu na mão”, arrependido do seu “extremismo”, fazer a ponte “normal e natural” com a Direita com mais “consciência social” desde o 25 de Abril…

        Serei que não estou a ver bem, ou os jornalistas portugueses não têm reportório, na playlist autorizada, para mais?

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        1. Leitor, não interpretei assim. Nem o Santos Guerreiro costuma fazer essa defesa laranjinha do status quo. Diz que convém a Costa negociar e aproximar-se, coisa com que discordo, mas que deve combina com o temperamento dele.

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  3. Cavaco conseguiu fazer um doutoramento em Economia ficando sem perceber nada da mesma; ser Primeiro-Ministro 10 anos acabando sem perceber nada de politica; ser Presidente da República Portuguesa durante dois mandatos para no fim igualmente não perceber Portugal.
    Intelectualmente um anão, moralmente uma nódoa.

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  4. Tudo isso é muito belo e tem muita lógica, mas… Para a direita, o dia da tomada de posse deste governo foi o big bang, o dia zero de uma nova era, aquele que de forma fraudulenta interrompeu o trabalho que vinha tendo o Senhor de juntar os cacos de uma homérica orgia anterior. Querem assim? Pois tudo o que se fizer neste novo governo vai ser passado ao microscópio, como se faz com os vermes. O mínimo erro, a mínima dissidência entre os parceiros do acordo, o mínimo espirro do Costa, vai ser prova de fracasso total. Como é que se faz? Aprendam com os mestres da rede: nos últimos tempos, acelerando nas últimas semanas, cria-se junto do povo a percepção de que a esquerda prometeu salvar o país em poucos dias; que Costa e companhia pretendem tirar Portugal da austeridade num fim de semana e que daqui a dois meses crescemos todos dez centímetros em média; que seremos dinamarqueses com facilidade em varejar azeitona. É assim que se manipula um dos sentimentos mais fortes: o da raiva do marido encornado. Não venham com explicações, antecedentes, que a vida já estava difícil, blablabla, que tudo isso soa a desculpa de mau pagador. Os estrategas já arreganham os dentes, gozões, satisfeitos a coçar a pancinha como fradecos de provincia. Et voilá.

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  5. Eles parecem aqueles cães que, como que tomados por súbita loucura, correm vertiginosamente em círculos tentando morder o próprio rabo. Ah como eu os percebo !
    Esta historieta talvez mostre o porquê de tanta raiva:

    Durante as várias semanas que antecederam as eleições de Maio na Grã-Bretanha as sondagens davam teimosamente, e num ritmo diário, um empate entre Conservadores e Trabalhistas, logo a impossibilidade de delas sair uma maioria parlamentar. Para a garantir teria portanto que haver uma coligação pós-eleitoral, o que colocava os Tories numa posição muito difícil sabendo-se que os Lib-Dems, os seus parceiros de então, iriam ser enviados pelo eleitorado para o exílio numa das luas de Saturno.(Na realidade passaram de 56 deputados para 8, o que não dava para formar um governo maioritário).
    Já os Trabalhistas pareciam ter a vida facilitada: Tudo apontava para que os Nacionalistas Escoceses viessem a ter uma grande votação elegendo um numero de parlamentares mais do que suficiente para que apoiando um governo do Labour este pudesse governar em minoria.
    Daí resultou uma desvairada campanha de ódio da direita contra a Escócia e os Escoceses. Estes foram apelidados de chulos, mandriões, gatunos, de quererem viver à custa dos Ingleses, e de os Trabalhistas não serem mais do que meras marionetas nas mãos gulosas daquela diabólica gentinha do Norte.
    O que é certo é que funcionou: Para espanto geral os Conservadores conseguiram uma maioria, escassa é certo, mas uma maioria, e o resto é História.

    Em Portugal, por muito que António Costa fosse repetindo que não admitia que os partidos do chamado “arco da governação” fossem os únicos a poder ter responsabilidades governativas, à coligação de direita nunca lhe passou pela cabeça que o desta vez o PC saísse do seu gueto e viabilizasse um governo do PS.
    Isto para Passos e Portas era uma espécie de principio da Física , mais ou menos como a segunda lei da Termo-Dinâmica, aquela que diz não ser possível fazer passar calor de um corpo mais frio para um mais quente. Uma impossibilidade portanto a união das esquerdas.
    A direita acreditou no que lhe convinha e comportou-se como uma equipa de futebol que acabando de sofrer um golo de cabeça, e julgando que estes só podiam ser marcados com os pés, reclama aos gritos ter sido roubada pelo arbitro.
    E foi assim.

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