O problema da identidade.

Ontem fui a uma reunião no TagusPark. Como não conduzo, apanhei o comboio no Rossio e um táxi no Cacém. No largo da estação, perto da praça de táxis, avistei a montra de uma loja nova em folha. Era uma boutique de streetwear paramilitar, que combinava uma herança rapper, negra, americana, com influências claras de linhas tradicionais norte-africanas e, sim, islâmicas. Num dos capuzes em exposição estava escrito “hate”, no outro havia uma legenda em caracteres árabes, para mim indecifrável. As manchas pictóricas oscilavam entre o camuflado e as vastas extensões negras do niqãb. Dentro da loja exibia-se um texto seráfico em inglês: algo como “Deus protege-me e eu protejo-o”, ou parecido. A colecção era elegante.

Penso que se alguém se vestir ali não destoará entre os cortadores de cabeças do Daesh. E sendo a estética, particularmente a moda, uma fonte importante de legitimação política (pensem no nazismo), poderemos concluir que assistimos ao nascimento de uma identidade Daesh, tão alternativa como foram as identidades surferhip hop, ou bling? 

Entrará esta identidade no mainstream?  Fica a pergunta.

 

4 pensamentos sobre “O problema da identidade.

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