O meu reino por um argumento.

Trecho da entrevista (por sinal miserável) que Miguel Morgado, eminência parda de Pedro Passos Coelho, deu ao Económico. Se encontrarem aqui algum sinal de uma reflexão distanciada, um argumento que possa ser apresentado sem má fé, por indigente que seja, revelem-mo por favor:

Vários observadores, de países onde este tipo de arranjo político é norma, olham para a resistência quer do Governo, quer do Presidente na sua intervenção inicial como um ataque à democracia. É? 
Um regime político depende sempre da experiência cívica dos seus cidadãos. No caso português temos uma tradição política democrática de 40 anos, de experiência cívica. As pessoas sabem, ou sabiam até António Costa perpetrar esta fraude, para que é que estavam a votar. No caso de outras experiências democráticas que muitas vezes se anunciam só há um país, em vinte e oito democracias, um país apenas onde o primeiro-ministro é proveniente de um partido que foi derrotado nas eleições: a Dinamarca. Os outros casos, que não são assim tantos, onde se fala de primeiros-ministros provenientes de partidos menos votados constituem coligações formais de Governo.

Mas a Dinamarca é um exemplo de uma democracia avançada…
Com certeza. Mas não é a nossa experiência cívica, nem a nossa Constituição. Não podemos querer-nos converter na Dinamarca por nossa conveniência e amanhã na Venezuela por nossa conveniência. Os resultados políticos de arranjo de Governo não existem para fazer a felicidade política de meia dúzia de pessoas. Não se pode sacrificar um país inteiro de dez milhões de pessoas apenas para fazer a felicidade política de meia dúzia. Isso é que acontece num sultanato. Portugal não é um sultanato.

A direita portuguesa está tão doida como Cavaco.

10 pensamentos sobre “O meu reino por um argumento.

  1. É um erro tentar argumentar com quem é completamente destituído de escrúpulos morais e intelectuais. Apenas pode dar um lustro de credibilidade às infâmias que propalam, (dizer “ até António Costa perpetrar esta fraude…”, o que é senão uma infâmia?).
    Este comportamento de Cavaco e Passos demonstra um profundo desprezo pelo povo Português, ele próprio resultado de terem vindo a testar nestes últimos anos até onde podiam ir na mentira e nas vigarices sem sofrerem consequências. Conhecem a resposta que obtiveram.
    Diz o ditado que quem quer respeito se deve dar ao respeito. Pois bem, aí têm.

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    1. Aliás agora voltaram atrás naquela devolução prometida em campanha. Era 33 por cento, ou algo do género, depois um terço disso e agora nédias. Não é fantástico, como prova de respeito?

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  2. Foi uma sorte ele não se ter lembrado de dizer que Portugal não é um califado. É preciso ler o que estas pessoas escrevem como se fossem ‘twits’, uma palavra chave em cada frase: tradição, fraude, derrotado, Venezuela, meia dúzia e sultanato. É sempre bom saber que Portugal não é um sultanato, porque às vezes fica-se com a ideia de que há por aí muitos eunucos a passear pelo serralho. Em todo o caso, acaba de descobrir um apoiante de Passos Coelho que admite a existência de tal coisa como uma Constituição, sinal de que começam a abrir brechas no muro das lamentações. [E a prova provada de que a imprensa, tu quoque Económico?, está dominada pela esquerda é a forma insidiosa que o jornalista utiliza para descrever a Dinamarca – ‘Democracia avançada’ – que é, como se sabe, um termo típico do léxico comunista]

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    1. Tem razão. São tweets definidos previamente, e semeados ao longo da entrevista. E há quem julgue esta merda inteligente. E sim, o Económico está completamente tomado pelos comunistas.

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      1. Caríssimo Luís, o que surpreende num professor de Filosofia política com obra publicada é a introdução no debate público da pretensa contraposição entre «experiência cívica» (de todos) e «felicidade política» (de alguns): abstraindo desde logo do duvidoso conceito (ou, o que é o mesmo, da amálgama conceptual) de “felicidade política”, como se pode sustentar a tese (como MM aparenta fazer) de que é ilegítima a busca da respectiva realização pelos actuais protagonistas político-partidários no quadro constitucional em vigor, sendo por isso estranha à “experiência cívica” da comunidade política nacional?

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        1. Eis a minha pergunta. Cadê o argumento? O gajo diz umas merdas que lhe parecem óbvias (e não o são nada) para daí retirar umas conclusões estapafúrdias, e uns insultos soezes.

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