O acto falhado de Vasco Pulido Valente.

Desde que reencontrou o gosto de viver — de viver como capacho jubiloso do nosso Governo — Vasco Pulido Valente tende a exibir um respeito pela verdade que condiz com a virtude dos seu ídolos.

Na crónica de ontem, dedicada ao tema sempre original dos horrores que nos aguardam à esquerda, escreve a certa altura: “apetece berrar como Karl Rove: “It’s the economy, stupid!””

Ora, todos compreendemos que a Vasco Pulido Valente apeteça berrar como Karl Rove, estratega de várias campanhas eleitorais do Partido Republicano.  Mas se for essa a sua vontade escusa de citar James Carville, do Partido Democrata.

A frase “it’s the economy, stupid” foi cunhada para  denunciar os maus resultados da administração republicana no tempo de George H. Bush, e esteve na origem da vitória de Bill Clinton.

Nos anos seguintes, Bill Clinton viria a tirar a América da crise e a forjar uma década de crescimento. Como, mais tarde, fez Obama — também do Partido Democrata.

E isso é exactamente o contrário do que está a fazer a direita europeia.

Vasco Pulido Valente já devia saber que o ódio à esquerda não pode justificar todas as desonestidades.

 

10 pensamentos sobre “O acto falhado de Vasco Pulido Valente.

  1. Como se diz na minha terra o diabo traz sempre uma capa e um chocalho e, neste caso, o chocalho, que revelou o verdadeiro móbil do Doutor Vasco amante de Paiva Couceiro Pulido Valente, foi justamente o “erro” de citação…

    Gostar

      1. Caríssimo Luís, tratou-se apenas de mais uma «overdose» de James Martin’s: nada de grave, portanto.
        Mais interessante seria anotar as vezes que VPV anunciou o Apocalipse e este, afinal (até agora), não/nunca veio: talvez um outro modo de ser “Testemunha de Jeová”…

        Gostar

  2. Espera alguma honestidade intelectual vinda de um gajo que estudou em Oxford, ou la o que é, e brada aos quatro ventos que não foi um grande académico porque a ditadura não o deixou?

    Gostar

    1. Foi a ditadura? Já lhe ouvi outra versão, a de que um professor de Oxford lhe tinha dito que o seu objeto de estudo, Portugal, era insignificante. No one cares, my dear chap. Isto é uma daquelas republiquetas dos livros do Tintim, uma Sildávia. Se tivesse nascido em Inglaterra, teria agora uma vida regalada em Oxford, pedalando numa bicicleta ao som de trompas de caça à raposa. É pelo menos o que lhe diz o seu amiguinho imaginário James Martin. O João Carlos Espada sofre do mesmo destino desgraçado, mas esse, pelo menos, não se acomodou e foi por lá ficando a beberricar os restos dos cálices de porto dos seus mentores espirituais.
      Mas não acho que o VPV tenha sido desonesto neste caso, sinceramente. Até ele sabe que este tipo de desonestidade, o de falsas citações, é facilmente descoberto. Sem nenhuma ironia, temos que ser justos: é apenas pura ignorância. Há limites para o que podemos acusar ao homem; já basta ser obrigado a embrutecer na Sildávia.

      Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s