Por falar em presentes envenenados.

O inteligente rui a., do Blasfémias, dedica uma prosa rutilante a Francisco Assis, o homem da direita no PS:

Francisco Assis foi absolutamente brilhante na entrevista que acabou de dar à RTP3, muitos furos acima de qualquer protagonista do PS dos últimos anos. Assis deu cara ao que pode ser um PS moderno, aberto, de esquerda liberal e inclusivo das suas diversas correntes ideológicas e históricas. Foi o rosto do futuro de um PS com futuro.

Devemos aproveitar estes ensejos para limpar a esquerda de más influências. Supondo que o encómio equivale, à nossa escala, a  uma recomendação da National Rifle Association no contexto americano, seria interessante encomendar aos autores do Blasfémias panegíricos variados sobre gente graúda do PS, como Vitor Ramalho, José Lello, Sérgio Sousa Pinto ou, no limite, uma alusão cortês à “frontalidade”  de José Sócrates.

Tenho a certeza de que não será caro.

 

 

12 pensamentos sobre “Por falar em presentes envenenados.

  1. Isto de saber quem cometeu um erro de casting em aderir a cada um dos partidos não é linear.

    Tu, eventualmente, pensas que Francisco Assis, Manuel Valls ou Gerhard Schroeder se enganaram na escolha dos seus partidos embora a tradição do socialismo e da social-democracia europeia seja a defesa da livre iniciativa e dos mercados, da União Europeia e da Nato.

    Outros pensarão que socialistas mais radicais como João Galamba, Isabel Moreira ou Corbyn são um erro de casting nos partidos onde estão uma vez que há partidos, como em Portugal o Bloco de Esquerda, com uma matriz e um histórico muito mais próximo das ideias que defendem.

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    1. Caro Miguel, a minha tese é simples e tem sido mais ou menos desenvolvida neste blog: a grande causa da decadência do centro-esquerda é a “terceira via”, que mimetizou a direita anglo-saxónica e, depois, ficou sem armas para combater o crescimento das desigualdades, ou a concentração dos recursos no sector financeiro. Isto é particularmente cruel após a crise de 2008, porque significa que para um eleitor de esquerda não existem mesmo alternativas, excepto radicalizadas.

      Por isso, sim, considero, que Assis, Valls ou Schroeder representam algo que deve ser combatido, juntamente com o capitalismo bizantino, ou de alcatifa, que foram fomentando nestes anos de alianças com meia-dúzia de tipos como o Ricardo Salgado.

      Em suma, a esquerda precisa de uma desintoxicação. Mas considero natural que para um homem de direita isto possa parecer muito esquisito.

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      1. Eu entendo que, para uma pessoa de extrema-esquerda, Assis, Valls ou Schroeder representem algo que deva ser combatido e, mesmo não me considerando, de direita tal não me parece esquisito. O que me parece esquisito é, para o fazerem, procurarem tomar de assalto partidos que têm o património do socialismo democrático e do combate à extrema esquerda enquanto já existem partidos, como o Bloco que estão muito mais próximos das ideias que defendem.

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        1. Acho que não me estás a seguir. Ninguém está a tomar de assalto partido algum, muito pelo contrário. A direita é que tomou de assalto os partidos socialistas, e é por isso que eles estão a perder. Concentra-te no problema. Qual é o problema verdadeiro: a tua noção de esquerda ou direita, ou a percepção das pesdoas de que os partidos em que tradicionalmente votavam não estão a governar para elas? A abstençao cresceu, Por amor de deus.

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          1. Tu dizes que a direita tomou de assalto os partidos socialistas. A mim parece-me que o que tomou de assalto vários partidos socialistas foi aquilo que a psicanálise chama “princípio da realidade”.

            Os Partidos Socialistas que não tiveram isso (a realidade) em conta como o Partido Socialista Unido da Venezuela não tiveram grandes resultados e e entram facilmente no domínio da pura engenharia social e da alienação.

            Não discutindo a minha noção de direita e esquerda (que daria pano para mangas), deixa-me apenas referir que a ânsia de ter uma percepção popular que os partidos estão a governar para as pessoas ocorre normalmente leva regimes populistas demagógicos.

            No entanto concordo contigo que o actual divórcio entre os partidos e os votantes atinge um nível que não é saudável.

            Concordo ainda contigo quando denúncias, e te revoltas contra, as alianças espúrias de um denominado socialismo com os Ricardos Salgados da vida e que não há “princípio da realidade” nenhum que possa justificar isso.

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            1. Miguel, essa mania de confundir o socialismo europeu (ou a social-democracia) com o marxismo colorido da América do Sul acaba com qualquer conversa.

              E sim, “a percepção popular de que os partidos governam para as pessoas” é importante, e conduz a demagogias perígosíssimas como as dos países nórdicos.

              Temos um problema de vocabulário.

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  2. Confirmo que a percepção popular de que os partidos governam para as pessoas, pode conduzir a regimes populistas demagógicos, como diz o Miguel. Desafio qualquer um a rebater a fórmula e podemos chegar daqui a uma raiz. Follow me. A própria perceção da importância da existência de partidos, pode conduzir ao desenvolvimento de políticos, que por sua vez conduzem à perceção de que os partidos governam para as pessoas, o que pode conduzir a regimes populistas demagógicos. Simplificando, para não perdermos tempo, temos a lei universal de que a perpecção popular de que a locomoção humana é possível, potencia os riscos de acidentes mortais. Sintetizando, temos a fórmula maravilhosa, obrigado, de que viver é extremamente arriscado para a vida; logo, a existência de pessoas é coisa mortal. Isto constitui, senhoras e senhoras, o “princípio da realidade”.

    Mas eu só tenho a teoria, sou matemático puro, sem grande préstimo. O tal princípio deveria ser ensinado ao povo, numa ação pedagógica que, de certo modo, constituísse uma vacina contra o que quer que seja que está ali em cima. Não sendo versado, nem pouco mais ou menos, no processo, e não me apetecendo ir passar uns anos em recolhimento numa montanha, tenho pelo menos a percepção de que só se pode chegar a esse nirvana depois de se passar por uma limpeza espiritual da tralha de todas as conceções de direita/esquerda. O Miguel já baralhou num caldeirão interior as suas noções de direita/esquerda e já está no estádio final. Obviamente, diz ele, isto dá “pano para mangas” e ensinar um iniciado é como descrever a um cego o pôr do sol. Como diz o mestre de shaolin ao pequeno grassphopper: You have to be very patient, little grasshopper, the body is the arrow, the spirit is the bow. You must learn to use the strength of the spirit, seguido de uma traulitada na cabeça.

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    1. Da sua explanação retiramos que é importante os partidos governarem contra as pessoas, de modo a não incorrerem no risco da demagogia e do populismo? Porque tenho tido essa dúvida inúmeras vezes.

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