“Fumei, fumei, mas não inalei.”

Sempre tive uma vida muito boa, em família, sem precisar de grandes luxos. À segurança social, tirando o que os senhores já sabem, saldei as dívidas todas e as da nossa porteira. Nunca bati nas mulheres, embora merecessem bastante, e só malhei no mais velho quando deu em homenssexual — depressa lhe passou. Não fui investigado em crimes de espécie alguma, excepto pelo juiz Rui Teixeira nos tempos do Carlos Cruz; eu e o senhor Cardeal Patriarca. Empresas não tenho, graças a deus — lá diz o Papa Francisco que o lucro é imoral. Subsídios estatais é escolher, meu senhor, três telefonemas uma dúzia. Nunca assediei estagiárias, e quando assediei casei-a logo com um correligionário a quem pus numa ONG e não falámos mais nisso. Tenho aqui uma multa, pois tenho. Mas fiz seguro anti-polícia.

O Público fez um inquérito palerma aos candidatos, invocando o exemplo americano. Ainda bem que ficou sem resposta.

8 pensamentos sobre ““Fumei, fumei, mas não inalei.”

  1. Oh, mas que ideia genial. É mesmo uma “oportunidade de revelar, antecipadamente, o que pode vir a ser notícia no futuro” e sobretudo poupa imenso trabalho aos jornalistas. O Cerejo tem sido um moiro de trabalho e estes questionários facilitam-lhe a vida. Os jornais podem até publicar este questionário uma vez em cada quatro anos, numa edição especial antes das eleições, e nos resto dos dias publicar apenas fotografias das namoradas do Cristiano Ronaldo.
    Mas isto até pode ter uma aplicação mais geral, como, por exemplo, perguntar aos cidadãos que crimes pretendem cometer ao serão. Pode ser feito pelo telefone, com o método de amostragens das sondagens eleitorais. Logo à noite, 35% dos portugueses pretendem bater na mulher. Os que manifestaram a intenção de abrir a cabeça do vizinho com uma sachola, não ultrapassam os 23%. 10% estão indecisos entre uma coisa e outra e outro tanto não sabe/não responde, mas os que não se abstiverem alguma merda hão-de fazer.
    Para poupar ainda mais os jornalistas, até sugiro outra pergunta, adaptada daquela outra que fazem as autoridades americanas quando alguém lá aterra: pretende praticar atos terroristas em território americano? (ou qualquer cena do género):
    – Pretende vir a tornar pior a vida dos portugueses se for eleito?
    Pelo menos um deles, colocado perante isto assim de chofre, lá será obrigado a responder como segue:
    – Sim, e a isso não é alheio o meu ligeiro atraso cognitivo, aliado à minha intensa falta de caráter. Naturalmente, contribuirá também para esse resultado o facto de pretender escolher para ministros os mais idiotas e incompetentes dos meus amigos, para que possam ter depois uma boa reforma e assento em três conselhos de administração.

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    1. Devido à crise que atravessa a nossa imprensa torna-se necessário forjar sinergias que antecipem a resolução de problemas futuros. O António Cerejo revelou-se sensível aos imperativos do repórter moderno, que valoriza o empreendedorismo e a boa gestão dos recursos.

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      1. É mais uma das 340,5 startups fantásticas que nascem em Portugal por dia e em breve está disponível como app da android para os i-phones.

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  2. Eu só respondia à sexta pergunta «6. Alguma vez recebeu tratamento por abuso de substâncias ilícitas, ou de álcool?» R: «Claro, várias vezes. Era um “drógàdo» a sério, nem ressacava. Eram tolas atrás de tolas. Não como estes meninos de agora das raves e do ecxtasy. Marchavava de tudo de todas as formas. PS: e agora pergunte ao seu editor se os tem para publicar isto…

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  3. Este questionário podia ser condensado numa só pergunta:

    -“Importa-se de mandar uma lista resumida dos seus podres presentes, passados e futuros, que a nossa profissão obrigaria de outro modo a desenterrar praticando o jornalismo, actividade que nos é alheia por manifesta falta de competência, dinheiros e pachorra dos seniores, contribuindo dessa forma para o enriquecimento profissional de um saco de estagiários a recibos-verdes?

    Pelo Público – O Relatório Minoritário da Rocha Conde de Óbidos.”

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