Ninguém acredita em sondagens.

O PS não acredita em sondagens, porque as sondagens indicam que o PS vai perder. O Bloco e o PC e o Livre não acreditam em sondagens, porque as sondagens sugerem que será preciso recorrer ao voto útil para a direita não ganhar. A PAF não acredita em sondagens, porque tem medo que o seu eleitorado natural fique em casa em vez de ir votar. Os abstencionistas não acreditam em sondagens, porque isto está tudo viciado desde o PREC, ou a internet ou o Salazar. Os hipsters não acreditam em sondagens porque as sondagens são feitas em telefone fixo, que ninguém tem. Os geeks da política não acreditam em sondagens porque é sabido que na Espanha, na Grécia, na Inglaterra e em todos os países onde existe twitter, as sondagens não funcionam. As pessoas das empresas de sondagens acreditam em sondagens, mas não podem participar.

14 pensamentos sobre “Ninguém acredita em sondagens.

  1. Eu acredito na ciência em geral e nas sondagens em particular. Já dizia o zenão de arimateia “dêm-me uma alavanca e levanto o mundo” e então o princípio deve ser o mesmo. Até mais facilmente 500 pessoas, desde que cada uma de sua qualidade, representando todos os humores possíveis do povo, alavancam este país, que é mais pequeno que o mundo. Porque eu abro o blog do Pedro Magalhães, vejo, de relance, que aquilo tem gráficos e fórmulas químicas do funcionamento dos neurónios do povo, e fico logo rendido. Só me resta espantar-me com os resultados, mas com cuidado, não vá alguém dizer que eu não gosto do povo. Não quero dizer que o conheça, mas respeito-o. A mulher do povo que vende coentros para os admiradores do povo fazerem açorda, não vem aqui à minha trincheira, onde vivo sem saber nada do mundo lá fora, como o buster keaton, mas um russo manhoso, descendente dos romanov caído na miséria, que me traz todos os dias caviar contrabandeado, informou-me que a mulher dos coentros, à parte o hábito de não lavar as partes baixas, é boa mulher e criou sozinha sete filhos, todos agricultores, que por sua vez geraram 500 descendentes, cada um de sua qualidade, que alavancam esta nação, ámen.

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      1. Não existe, Xis, é só para ter mais comentários. Imagine que o MRPP tinha como slogam “Morte ao Zenão de Arimateia!”. Era ainda mais falado.

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          1. Vou precisamente lançar amanhã o blog “Instruções Para Construção de Alavancas do Zenão de Arimateia “, mas só se entra por convite porque é naquela internet escondida que tem sites de venda de kalashnikovs e de coprofilia.

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        1. eh eh eh. Não consigo imaginar o MRPP ao seu nível, aquilo é mais um convencional departamento de marketing do advogado explorando uma estética retro conhecida. A Comissão perde o seu tempo e gasta mal o dinheiro dos contribuintes. Desnatar o MRPP no ano em que já não temos a Carmelinda é claramente um excesso.

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    1. Eu também não quero que digam que eu não gosto do povo. Mas aquele que eu vislumbro através dos filtros, véus e fórmulas químicas do Pedro Magalhães, já se passou para o lado de lá, exangue, sem pinta de sangue, mordido certamente por um qualquer Nosferatu, neo-liberal ou de outro tipo, já não sei; como também já não me sei orientar no espectro político-ideológico, o centro-esquerda está à direita, e aquilo que eu conheci como esquerda há muito se perdeu para lá do limite do sinistro extremo. Foram eles que saíram disparados como loucos furiosos, ou alguém tem vindo a puxar-nos o tapete debaixo dos pés. Os socialistas, hoje, são “realistas, moderados e responsáveis”, omitindo o “socialista”, socialismo nominal, portanto, mas o termo “socialista” ainda lá está (no boletim de voto, no Rato), será por inércia? ou, quem sabe, um gosto pelo, segundo tais iluminados, oxímoro?

      O que eu sei é que deseapareceu o centro concreto relativamente ao qual tudo se pode medir. Resta uma abstracção, uma entidade “povo” cuja natureza não é social (pois a sociedade não existe, apenas os indíviduos), amorfa, um aglomerado de amibas, com necessidades básicas sobretudo, para ser decriptada e decorticada pelas fórmulas do Magalhães. A nós, segundo este, resta-nos, muito legitimamente, inventar fábulas, quiçá, sentido e significado políticos às flutuações das curvas das sondagens. Inquéritos, investigação no terreno, empenhamento político, associativismo, estão fora de questão, creio. Ou talvez não, são legítimos, mas irrelevantes. O alto é o baixo, o baixo é o alto. Sento-me. E saboreio uma nostalgia por outras épocas com gente mais corajosa.

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      1. É isso tudo, Miguel. Mas corações ao alto. Podemos pelo menos acompanhar a discussão interessante sobre a esquerda que surgiu na Inglaterra após a eleição do Corbyn para a liderança do labour.

        http://www.theguardian.com/politics/2015/sep/29/jeremy-corbyn-labour-conference-speech-readers-verdict

        http://www.theguardian.com/commentisfree/2015/sep/29/jeremy-corbyn-conference-speech-labour-leader-panel

        Ou aqui:

        http://www.theguardian.com/politics/2015/sep/29/marxism-today-forgotten-visionaries-whose-ideas-could-save-labour

        Ça ira, como dizem os ingleses.

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        1. Obrigado, caramelo. O terceiro artigo é muito interessante, conta uma história que eu não conhecia. Mas é impressão minha apenas, ou o articulista adopta tacitamente, ao longo do artigo, a linguagem e os pressupostos do “neo-liberalismo” ao identificar sub-repticiamente noções de esquerda, como a de emancipação individual, com o capitalismo moderno caracterizado pela desregulamentação do trabalho e dos mercados?

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