Notas de campanha (9).

Sonsagens.

O foguetório está ao rubro no país reaccionário. Filósofos do interior, que punham poses alheadas bramando sobre as “trincheiras”, agora empunham bandeirinhas e suam relambórios contra a “esquerda” ao gosto da Helena Matos. É disto que sempre me orgulho: topo os sonsos à distância.

Sondagens.

Se outro mérito não houvesse nas sondagens, já serviam para acordar António Costa. Quando escrevi que a gesta do PS ia ser árdua ninguém ligou pevide;  agora é natural que o Senhor Jeová castigue os socialistas por não me darem atenção. A boa notícia? Está tudo aldrabado. Três órgãos de comunicação social a divulgar os mesmos números — sacados a trouxe-mouxe por entrevistas em telefone fixo — formam um cortejo impressionante, mas não antecipam resultados.

Angustia-me mais o cerco da imprensa, que não larga o osso. Se a coligação perder há-de chover mármore em Tavira.

 

 

12 pensamentos sobre “Notas de campanha (9).

  1. Certas palavras lapidares do Luís: -“A coligação tresanda a poder.” E assim é. António Costa entrando tarde e a destempo, safando apenas um debate com Passos. Os outros tomam banhos de multidões, têm a imprensa na mão, estão neste momento com o discurso acertado e claro. Costa parece resignado, lamurioso e desligado, como se desse a coisa por perdida. E dizer que, em tempos, António Costa teve os media quase todos do seu lado, assim como a vontade de mudar dos cidadãos… Entretanto, Sócrates foi preso, houve chavascal na Grécia e Costa desbastou croquetes em apresentações de livros e coisas assim. Começou com a sensação de vitória fácil, esmagadora, sem ter de se mostrar, nem prometer muito. Luta agora pelo empate, ou vitória à negra. Acho que há qualquer coisa sobre isto nos “Discursos” de Maquiavel…

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    1. Tudo isso, André. Mas julgo que a grande derrota (e já é uma derrota mesmo que ganhem) reside na falta de diferenciação do PS. Aquela triste mania de parecer “responsável” ou, no fundo, de fingir que é como a direita.

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      1. A maldição da Terceira Via ainda não foi levantada, o seu exorcista ainda não chegou, espero que chegue antes de um desastre maior, falo urbi et orbe, que Portugal, isto dói-me dizer, não conta muito para o totobola europeu. Só quando as placas tectónicas mexerem na Europa haverá finalmente espaço para a social-democracia com juízo…

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  2. O Luís não levará a mal, mas por vezes dá a ideia de estar a pensar num PS que nunca existiu, lamentando que o PS seja como sempre foi: sonso, mole e ligeiramente gorduroso. Quem quer um partido sólido de centro-esquerda, social-democrata, em Portugal vai mesmo ter que o criar.

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