Salta, senta, deita.

Possui uma empresa de sucesso e quer tornar a sua marca triunfante? Nada receie. Agora só tem de fazer como as maiores agências de publicidade portuguesas de 2015 e adaptar um destes três templates às realidades do seu negócio. Não hesite em trocar palavras nos exemplos que exibimos a seguir. É assim que fazem os bons clientes.

Template 1: Montagem estonteante.

Uma sucessão dramática de imagens transmite energia e movimento. Gente jovem move-se instantaneamente. Se o produto for para consumo familiar, acrescente dois ou três filhos ainda mais jovens. Namorados são de rigor. Fazer acompanhar por uma locução vibrante, em stacatto, pronunciando bem alto um texto assim:

“Salta.
Grita.
Mexe-te.
Deita.
Senta.
Anima-te.
Ama.
Corresponde.
Chora.
Ri.
Sorri.
Tramita.
Elenca.
Aprova.
Obedece.
Gosta.
Desgosta.
Afirma.
Despacha.
Compromete.
Alivia.
Remete.
Sentencia.
Apaixona-te.
Financia.
Paga.
Gasta.
Vem.”

As palavras são irrelevantes, mas acrescente uma frase com pinta quando exibir a insígnia. Algo como “Moviflor, o mais importante é seres tu”.

Template 2: criança chico-esperta.

“Mamã, já conheces as vantagens do cianeto de amianto numa alimentação saudável?” O cap amarelo e a camisa de manga curta não enganam: a criatura pode ter sido uma criança noutra vida, agora é um representante da sua força de vendas. Por isso ele trata por mamã aquela senhora que nunca viu. Por isso decora parágrafos completos da brochura comercial que você escreveu. Este template funciona lindamente em produtos correntes indiferenciados: iogurtes, bolachas,  corantes artificiais. É obrigatório incluir um apelo alargado ao consumo nos últimos segundos: “mamã, porque não levas um pouco de cianeto de amianto às tuas amigas?” É para já, “filho”.

Template 3: Todos juntos, vamos conseguir. 

Homenagem sempre popular ao Governo de Pedro Passos Coelho, este template fica um pouco mais caro que os anteriores.

É fundamental usar uma pequena multidão de a) amigos, b) colegas de trabalho, c) famílias giras em férias no litoral Alentejano d) todos os anteriores, se for a EDP a pagar ou você tiver uma injecção de capital angolano.

A seguir, pense: que poderão eles fazer em conjunto? Salvar um golfinho, fazer um cordão humano, dar banho a um refugiado, qualquer coisa serve desde que seja inútil e não toque em problemas como o desemprego, ou que afectem remotamente os portugueses.

Quando tudo estiver pronto, entra uma música épica e uma linda poesia repleta de sentimentos positivos pontuada por termos como “optimismo”, futuro”, “dar a volta”, “esperança”, “amizade”, “o lado bom da vida” e, claro, “o mais importante”.

No fim, sublinhar que “juntos, vamos lá chegar”. Isto tanto dá para bancos como para refrigerantes.

Não use o hino da Páf, que é overacting.

7 pensamentos sobre “Salta, senta, deita.

      1. É o Novo BESI, dirigido pelas luminárias econogestionárias do sítio do costume, mas em versão “anglo” para não assustar os investidores.
        A ler, a rir e a guardar «para futuro» (sem artigo definido, porque o Nosso Senhor dos Passos não sabe o que isso seja)…

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            1. Pobres “xenêses” da Haitong Securities: andaram ancestrais a capitalizar lá p’ras bandas de Hong Kong para agora ir tudo parar às mãos estremosas de Ricciardi… calhando, nosso ex-DDT Richard Holy-Ghost Salted guarda aí fruto de seus ingentes labores (e consegui mais uma vez evitar os artigos definidos, tão enjeitados pelo Nosso Senhor dos Passos).

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