Notas de campanha (5).

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É engraçado pensar que tão poucas pessoas olham para este gráfico e observam uma maioria absoluta. No entanto, está lá.

Não são os eleitores quem tem de escolher se querem mais do mesmo ou algo diferente. Por muitas e boas razões os eleitores não irão a lado nenhum, excepto, talvez, no próprio dia da decisão.

Chegou a vez de os partidos escolherem. Está do lado deles. As sibilas escusam de responsabilizar os portugueses.

6 pensamentos sobre “Notas de campanha (5).

  1. No seu editorial costumeiro, o mano do Costa engana-se. Hordas de ociosos da glote e da pena empregam o bestunto na difícil questão dos silêncios de Sócrates, enquanto a comunicação social assalta um estafeta, tentando descobrir a preferências pizzeiras do ex-primeiro ministro. Não é difícil ver aqui a estratosferica paralaxe de relevância, que lança as suas raízes no amor da imprensa nacional por si própria. A escala do silencio ou ruído de Sócrates é na realidade o estertor da merdaleja jornalística. Neste momento, Sócrates é o priapismo das redações, avidas de lixo. Se houver uma campanha eleitoral decente, com uma cobertura jornalística de qualidade, não creio que o exercício da liberdade de expressão por parte de Sócrates venha a afectar assim tanto a lide eleitorial. Se a calunia, a insinuação e o insulto tomarem conta da campanha, então Sócrates só ajudará a uma festa já de si de arrebimba-o-malho. O termo mais importante desta equação esta do lado da comunicação social – não de Sócrates.
    Inversamente, também não entendo por que carga há-de a coligação guardar silencio em relação aos efeitos da governação socrática e de possíveis clones na alternativa actual do PS. Parece-se muito com o -“Don’t mention de war”, do famoso episódio “The Germans”, do Fawlty Towers. Pode concordar-se ou não, mas por em duvida António Costa enquanto alternativa ao passado recente dos socialistas é uma estratégia legitima e mais do que expectável (independentemente da situação judicial de Sócrates). Sócrates estaria sempre no centro do discurso político da direita. Cabe nesse, caso, ao ex-edil o papel de defender o seu projecto e afirmar-se enquanto opção de futuro e de rotura com o passado. Ou pensava que isto eram favas contadas? Chama-se debate politico. A outra coisa é latrina.

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    1. “Se houver uma campanha eleitoral decente, com uma cobertura jornalística de qualidade, não creio que o exercício da liberdade de expressão por parte de Sócrates venha a afectar assim tanto a lide eleitorial.”

      Concordo.

      Quanto a por em causa a herança de Sócrates, é o que a coligação tem feito. Costa é que não tem posto em causa a herança deste Governo, e esse é o problema na minha opinião.

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      1. Caro Luís M. Jorge,
        quanto ao primeiro ponto, enfim, o meu comentário tende a ser: “Muito bem, mas, se a minha avó tivesse rodas, era um carrinho”.
        Quanto ao segundo, estou de acordo e vou até mais longe: ou o PS e AC recusam explicitamente, ainda que com elegância, o apoio de Sócrates e o seu “empenhamento” na campanha, aproveitando a boleia para se demarcarem dos governos do mesmo Sócrates, etc., ou estarão a oferecer a cabeça numa bandeja ao ex-primeiro-ministro e a apostar forte na coligação.
        Esta observação vale quer Sócrates seja mais tarde condenado ou absolvido, porque, independentemente do que compete à Justiça, o que todos sabemos do seu comportamento e pela sua própria boca deveria ser mais do que o bastante para merecer o repúdio político e público do PS.

        Cordialmente

        msp

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        1. Sim, Miguel, julgo que muita da relutância revelada pela pátria ingrata em votar no PS se relaciona com a ausência desse luto. Um partido não pode renegociar PPP, prometer aeroportos e TGV, sair de cena com as finanças em farrapos e depois regressar lampeiro como tivesse ido de férias para a Comporta.

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  2. Pois é, mas já se sabe, é a vida, tem de ser, e todos os astros (do Rato ao Avante passando pelo Bloco) se conjugam para que essa maioria absolutíssima vá continuando, sossegadinha e sem maçadas e sem radicalismos (isso é que não pode ser!, é coisa para Pachecos Pereiras), a levar sua vidinha invisivel debaixo do nariz de toda a gente. The powers that be, esses, esfregam as mãos. É assim: não resta uma pinga de sangue a este país (e o resto da Europa não vai melhor)

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    1. Sim, todos os astros por razões variadas. Neste caso não tenho dúvida que só o PS conseguiria desbloquear a coisa, porque é o único que precisa de estar no Governo. Mas para isso precisávamos de um Miterrand.

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