Exílio voluntário.

Não sei onde li que certo dia alguém falou a Joyce na grande guerra, a primeira ou a segunda, em Trieste ou em Zurique, não sei nada nem recordo onde, e ele respondeu qualquer coisa como “a guerra? Ah, sim, a guerra”.

Lembrei-me disto porque vi hoje no Público a fotografia de uma criança morta na beira da praia. E não me chocou mais do que tantas fotos ao alcance de quem gosta de ver fotojornalismo como eu gosto. Agora isto choca-me:

O que me Desde 2013 que lemos sobre mortes diárias no mar Mediterrâneo, de famílias, pais e filhos, que tentam chegar à Europa fugidos da guerra e da pobreza. Em Lampedusa, o Papa Francisco fez um apelo ao “despertar das consciências” para combater a “globalização da indiferença”. O mundo comoveu-se e seguiu em frente. À sua volta, estavam jovens negros de cabelo crespo. Não nos impressionou. Olhámos para eles como aventureiros de países perdidos. Agora os náufragos no nosso mar são brancos de classe média. Tudo neste bebé é familiar. O corpo, a pele, a roupa, os sapatos. Não sabemos se esta fotografia vai mudar mentalidades e ajudar a encontrar soluções. Mas hoje, no momento de decidir, acreditamos que sim.

O “papa Francisco”, “mudar mentalidades”, “encontrar soluções”. O sensacionalismo mais rasca é agora defendido com exortações altivas de betos bem-pensantes. Não me fodam. Para mim começou o exílio.

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11 pensamentos sobre “Exílio voluntário.

  1. Porra Luís não vá. Os seus escritos são dos poucos “quantums of solace” que leio em português, que nisso possidónio impenitente me declaro só leio, com atenção, artigos, publicados na imprensa, de fio a pavio, do FT, Bloomberg, Guardian et al.

    A imprensa portuguesa, já aqui foi escrito várias vezes, parece estar nos seus estertores como demonstrou, entre muitas outras vezes, o “semanário de referência” http://expresso.sapo.pt/economia/2015-09-01-Como-o-Novo-Banco-trocou-as-voltas-a-Apollo–e-aos-jornalistas-

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  2. Isto está cada vez melhor. Os tipos lêem (pasme-se!) sobre esta cena dos refugiados desde 2013. Olha que eu também, e não sou jornalista. “Leram”, “olharam”, “não os impressionou”, mas hoje “acreditam”. Pelos vistos, ainda não fizeram mais do que isso: não investigaram causas, não fizeram reportagem — não fizeram jornalismo, em suma. Olha, eu também não. Só que eu não sou jornalista, nem sou editorialista. Pormenores e minudências.

    Isso é do editorial do Público. Já foi o jornal de referência, hoje não passa de mais um pasquim de m****. Podiam assinar Dupont et Dupond, não fazia diferença.

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  3. Punham a puta da fotografia, vendiam mais umas folhas de papel e não nos fodiam a cabeça com justificações armadas aos cucos, com a sua solidariedadezinha e boas intenções de merda! Já me sinto mais aliviado depois da brejeirice, foda-se!

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