Maigret em Lisboa.

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19 pensamentos sobre “Maigret em Lisboa.

  1. É sempre bonito ver o início de um amor. Paixão que herdei de minha mãe 😀 Vá preparando um ficheiro excel para quando acumular uns quantos. Cá em casa são mais de 50. Gosto muito do Porto das Brumas. O “Maigret na Holanda” deu origem a uma estátua em Delfzijl, dedicada ao inspector com o fígado mais resistente de todos os tempo.

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  2. Li os Maigrets quando tinha 13/ 14 anos. A eles devo grande parte do gosto pela leitura que me acompanha até hoje. Simenon é dos melhores retratistas de perfis psicológicos que conheço. Se calhar a minha escolha pelo curso de psicologia poderá ter sido influenciada por ele.

    Em Simenon entendemos a prostituta que quer oferecer uma cerimónia de sonho à filha que se casa, o campónio desenraizado em Paris que tem uma fixação pela menina do terceiro andar. É toda uma lição sobre a alma humana.

    E já agora saúdo a tua opção de os leres na língua original.

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  3. Cun catane, en français et tute! E vêm prontinhos para se enfiarem na drive do computador para se ouvirem com os headphones! Se vierem com a voz do Jean Gabin a fazer de Maigret, melhor ainda. Eu não sei quantos tenho, porque, ao contrário do Pinto, ainda não os acabei de contar. Sem ofensa. Quero eu dizer que quem tem pouquinhos livros do Simenon poupa muito trabalho e isso é bom. E ainda tenho o livro de receitas do Maigret, onde se ensina a fazer omelet aux fines herbes. Desses que aí estão, o meu preferido é o Le Chien Jaune, mas gosto particularmente de todos os que se passam no campo ou nos pequenos portos brumosos da Normandia e da Bretanha.

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      1. Luis Jorge, isso da drive era a brincar. Vi a sua fotografia e pus-me a imaginar… Zut, alors, tenho de explicar a piada? É por causa dessas pequenas humilhações que algumas personagens do Simenon se tornam ensimesmadas e matam.
        Da Normandia tem o Le Port des Brumes, um desses aí, e o La Vielle Dame. Na Bretanha, o Le Chien Jaune. Um pouco mais longe, ainda na província, outros dos meus preferidos, o Maigret à L’École e o Maigret à Peur, retratos da pequena burguesia republicana, das pequenas autoridades de província, alguma aristocracia decadente, um pouco da Bovary, E Paris, ao longo do Sena. Os cais, os operários que bebem vinho barato nas tascas dos cais, os corsos, os denunciantes e o opulento monsieur le notaire que é um cocu e tem vida dupla com uma pequena escanzelada de um cabaret barato. Retratos de perfis psicológicos, aquilo de que fala o Miguel Batista. Uma França pouco Douce, por vezes cruel, mas comovente. Pode passar os próximos anos a ler o Simenon que nunca se chateia.

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        1. Peço desculpa pela imbecilidade. É que na amazon francesa vi uns livros em versão audio à venda e tive esperança que fosse em conjunto com os livros físicos. Isso queria eu.

          Quanto a essa França que já não existe: sim, mas acho graça que a nostalgia deles frequentemente esquece que a Franca actual é muito melhor em comparação. Tal como cá, era uma grande aldeia e agora tem muita gente nos sítios e isso chateia as pessoas.

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          1. A França do Simenon não puxe exatamente pela nostalgia (bon, nostalgia sim, talvez, naquele sentido de que os tomates ainda sabiam a tomate e a carne ainda era macia, essas coisas). Isso era a França do grande Fernandel. As pequenas cidades de província do Simenon eram sufocantes e cruéis e o próprio Maigret, quando ai tinha de se deslocar em trabalho, ficava com vontade de voltar a Paris logo no primeiro dia. Mas é literatura; o crime é apenas um dos elementos daquele complexo tecido social e psicológico. É isso que o distingue dos policiais mais típicos, os ingleses, aqueles da chamada era do ouro, e mesmo do noir americano.

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    1. Não tenho esse das receitas, mas a profusão de língua estufada e saladas de lagosta que o Comissario deglute, desviou-me a atenção da omelete. Qual era mesmo o petisco que a mulher do Pardon preparava para o jantar mensal?

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      1. Ah, o jantar mensal na casa dos Pardon. Não me recordo do petisco, mas tenho ideia que variava. Sei que eram bem regados e que o Maigret voltava frequentemente alegre para casa, a pé, de braço dado com a mulher. Grande mulher, paciência infinita, já não há mulheres assim ;)…

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        1. Note-se que Simenon deixa entrever uma tragédia pessoal na existência pastosa e pontuada de longos silêncios dos Maigret. A forma como o faz, sem nunca desenvolver o assunto, apenas com referências ocasionais, como se fosse um dado acessório, é de mestre. Madame Maigret adora crianças, mas os Maigret não têm filhos.

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          1. Ou talvez seja apenas um velho casal de longos silêncios confortáveis. Não me parece haver tensão naquele ninho burguês. Ou talvez sim. A beleza está precisamente no facto de cada um poder construir uma biografia dos Maigret.
            A Madame Maigret é (semi) protagonista de pelo menos uma das novelas, o L’Amie de Madame Maigret, e tudo começa com uma criança.

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  4. Caro Luís, esqueci-me de lhe dizer que dê uma vista de olhos pelos livros de Mickey Spillane, se ainda não o fez, e se me permite o atrevimento da recomendação.

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