Diário íntegro e sentimental (4).

Vendo a imprensa portuguesa reduzida à poia rutilante em que dá nojo pegar, desenvolvi uma obsessão por jornais estrangeiros. Marcha tudo, desde que se escreva com decência. Na Galiza comprei sempre o El País e o El Mundo, na Bretanha não passava sem o Le Monde. Tenho assinatura digital do Financial Times e do New York Times. Mas guardo uma mágoa que nunca foi manifestada: The Economist.

Como se escrevia na revista até há cerca de uma década! Em cada número havia parágrafos de alta literatura nos relatos sobre a economia das pipocas e a oscilação das matérias-primas. Quando escrevo alta literatura, não exagero. Trechos que pareciam retirados de James, Proust, Sevigné, Chesterton, faziam com que eu escrutinasse à lupa a revista de ponta a ponta.

Depois o editor aposentou-se, se a memória não me trai, e nomearam um americano. Um americano. O dia foi mais negro que o da morte da raínha-mãe.

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The Economist. Publicação excelente para um público infantil. 

2 pensamentos sobre “Diário íntegro e sentimental (4).

  1. Mas aprende-se muito: “trade-off”, em vez de escolha; “up-grade”, em vez de melhoramento ou aperfeiçoamento; “track record”, em vez (sei lá ) de percurso; “capital buffer”, em de almofada / folga de capital, and so on…

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