Notas de campanha (2).

outdoor-ps04_770x433_acf_cropped O povo socialista esbraceja contra os novos outdoors do PS. Não é caso para menos: são de uma indigência invulgar, mesmo em 2015. No DN já se escreve que António Costa quer despedir Edson Athayde, autor do borboto.

E é aqui que a porca torce o rabo. Porque quem anda no comércio há vinte anos, como eu, sabe com uma certeza matemática que a campanha não saiu para a rua sem a aprovação prévia do secretário-geral. Não se trata de uma opinião, é mesmo assim.

Por outro lado, ao observar de longe a inanidade posso garantir com alguma margem de erro que foi esterilizada por um comité ou, ainda pior, por um focus group. A repetição imbecil da palavra “confiança”, tal como o algodão, não engana. É má técnica.

Ora, Edson Athayde, que terá os seus defeitos, nunca foi um mau técnico. Não trabalhei com ele, mal conheço o homem, tenho à-vontade para o dizer.

O problema da peça, daquele tom pastoso que chega com o tom pastel, é o problema do partido. Uma dificuldade típica de quem se esforça horrores para não dizer nada.

Funciona? Talvez funcione. Não comigo, nem com o eleitor hard core, mas com a multidão de indecisos que anda miraculosamente por aí. Há precedentes.

10 pensamentos sobre “Notas de campanha (2).

  1. Se funcionasse com os indecisos, estaria o trabalho bem feito. As campanhas, de qualquer forma, são feitas para os indecisos, não para os decididos. O problema é que isso que aí está não funciona com o público alvo. São precisas palavras ou imagens que valem por mil ou por uma palavra. La Force Tranquile ou fotografia de filas no centro de emprego. Esse cartaz não tem força nenhuma, não suscita um átomo de pensamento, esquece-se logo que se desvia o olhar. Parece uma menina a apresentar a meteorologia. “Hoje esteve nublado, amanhã há boas abertas”. Maria, amanhã podemos ir à praia, filha. Mas tem um bom “product placement” (é assim que se diz?). Com o PS podemos ir todos a um cruzeiro no mediterrâneo, sem risco de tempestades.

    Gostar

  2. Tinham posto o Toni Costa abraçado ao Jorge Jesus, envergando uma camisola do Sporting e um cachecol do Benfica, e estava conquistada a maioria absoluta. Esses Marketers não percebem nada disto. Ando aqui eu a dar pérolas a porcos, um talento desperdiçado…

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s