Diário íntegro e sentimental (3).

Alguém já disse o que íamos dizer. Pode ter sido Kavafis ou um professor de Cambridge ou, possivelmente, um mercador. Refiro-me a esta sensação de estar aqui como em Bizâncio, três gerações depois do saque de Enrico Dandolo, três gerações antes dos Otomanos, muito tarde para agir, muito cedo para me preocupar. A coroa repousa na fronte de um bonifrate. A cidade, esquartejada à vez por genoveses e venezianos, acorda entre reflexos de turquesas e crisocolas, traços de jaspe e lápis-lazúli. Tudo parece grave e eterno ao mesmo tempo, sem ser nada. Daqui a cinco décadas estarei ali em baixo, cego, surdo, cruzado por pássaros. No Bósforo, com outro nome qualquer.

2 pensamentos sobre “Diário íntegro e sentimental (3).

  1. …muito tarde para agir, muito cedo para me preocupar…

    porque não…muito cedo para agir, muito tarde para me preocupar….:)

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