Angola, o país em que mais crianças morrem.

Um pequeno filme divulgado pelo Público (de assinalar os serviços mínimos, ou melhor a “coragem” que outros jornais rejeitam) a partir de um artigo de Kristof no New York Times: Corruption Is Killing Children in Angola.

Enquanto nos queixamos da indiferença ética da China, da Europa do Norte ou do que nos der jeito para o argumentário, convém não esquecermos com que desvelo é tratada a plutocracia angolana em Portugal.

4 pensamentos sobre “Angola, o país em que mais crianças morrem.

  1. Esta plutocracia angolana faz-me asco. Enquanto uma boa parte da Avenida da Liberdade já está nas mãos da filha do soba de Luanda, as crianças daquele fantástico e riquíssimo país (dos mais, senão mesmo o mais rico país do mundo em petróleo e reservas naturais; estive lá e sei do que falo), têm o desgraçado fim de que fala a notícia.
    O mesmo asco me merecem os nossos cobardes e ‘vendidos’ jornalistas, que calam este tipo de coisas, neste tipo de países…

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  2. Neste momento, já não sei quem manda aqui na comunicação social. Não se saber quem é dono de quê, por si ou a mando de alguém, é um dos méritos da globalização do capital; uma pessoa escusa de se preocupar, porque alguém, lá em cima, nos informa sobre o que precisamos saber, com a sabedoria e autoridade que dá o dinheiro. Como serviço público, restará no futuro um pequeno canal a passar vídeos de ópera, que o respeito pelo dinheiro dos contribuintes não permite, ainda bem, gastos com reportagens caras, com viagens, cama e comida. Há muita reportagem para fazer ao pé de casa; um gajo dá um pontapé num calhau velho, sai logo reportagem. Lembro-me ainda de uma antiga reportagem da Cândida Pinto em Angola. Não me lembro já se o tema era esse, mas fixei para sempre o lamento de criança mutilada de guerra. Já vi imensas reportagens de guerra e sofrimento desde então, mas foi essa, por qualquer razão, que me ficou gravada. Era ainda o tempo em que a desculpa oficial era a guerra ou as sequelas da guerra; não sei que dificuldades invocará atualmente o governo angolano para dar um futuro digno às suas crianças.

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    1. Caramelo vá por mim: invoca as dificuldades de distribuir o dinheiro que sobra para o orçamento de Estado após a divisão feita por três generais com a família do Zédu. E são mesmo três.

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  3. Se o meu pai fosse vivo, ia chorar com o que se passa naquela que era a sua terra do coração.

    Eu não fiquei indiferente, apesar de ter sido escorraçada de Angola aos 11 anos.

    O meu pai, que era «colono», como nos chamavam, só se sentia bem no mato (Gungue, Dombe Grande, Chival, perto de Benguela), no meio desta gente, simples e pobre. Até no Kimbundo era fluente. Prestava-lhes auxílio sem qualquer contrapartida. Se precisavam de comer, dava-lhes comida, se precisassem de ir ao Hospital levava-os… no Gungue, até construiu uma escola e contratou um professor para as crianças que viviam no mato das redondezas. Por esta gente nunca foi chamado de colono e muito menos de explorador. Davam-se todos muito bem. O meu pai gostava muito de caçar. A carne era para comer e era repartida por todos. Para aqueles que viviam nas sanzalas da zona e que o meu pai conhecia muito bem, uma caçada significava abundância, festança e barriga cheia! Eram sobretudo momentos genuínos de convívio, amizade e solidariedade!

    Um dia, já depois do 25 de Abril de 1974, tendo tido conhecimento que o Governo mandou deitar fora toneladas de milho dos silos do Lobito foi recuperá-los. O milho, que estava a apodrecer, foi recolhido e distribuído pelo povo. Uma outra vez apareceu-lhe uma mulher com o filho magríssimo nos braços. Deu-lhe leite (Nido em lata) para alimentar a criança. Passado algum tempo ela reapareceu sozinha. O filho tinha morrido; o leite foi ela que o bebeu porque de outra forma morreriam os dois …

    O Governo perseguia, ameaçava, matava. Quem não era por eles era contra eles. O povo passava fome e morria. A culpa, segundo o MPLA, era sempre do Partido vencido, ou seja, da UNITA.
    Havia quem tivesse de cavar a sua própria sepultura: cavava, para logo a seguir ser metralhado… Houve o pessoal de uma serração nas redondezas de Benguela que foi todo metralhado porque foi acusado de estar sob a proteção de uma das facções políticas (não sei qual delas …).

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