Ó Pacheco Pereira, você sabe.

Mas parece que não sabe:

é preciso aquilo que falta no PS, que é uma genuína indignação com o que se está a passar. Falta a zanga, a fúria de ver Portugal como está e como pode continuar a estar. Falta a indignação que não é de falsete, nem de circunstância, mas que vem do fundo e que, essa sim, arrasta multidões e dá representação aos milhões de portugueses que não se sentem representados no sistema político.

As pessoas têm alguma dificuldade em compreender a importância das castas. Claro que o PS não se indigna, porque para se indignar a gente do PS teria de vir do mundo do trabalho (como muita gente do PCP), em vez de vir das jotas e das assessorias do Estado.

O maior efeito da terceira via foi esta liofilização das estruturas dirigentes do socialismo, que as afastou das pessoas para quem querem governar. A derrota do Labour também se explica pelo mesmo tipo de alheamento. O lado “social” do PS, sempre constrangido por outras merdas (como a necessidade de seduzir um ou outro grupo de pressão do momento), só é real porque foi configurado como um conjunto de procedimentos, uma espécie de manual de normas que orienta os seus líderes quando alcançam o poder: vamos aumentar os velhinhos, dar mais bolsas de estudo aos pobrezinhos, etc. Porque é isso que esperam de nós.

Há muito que se perdeu a autenticidade dos combates partilhados, a autoridade das trincheiras, a solidariedade entre companheiros de sofrimento.

3 pensamentos sobre “Ó Pacheco Pereira, você sabe.

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