No dia em que acabou o “período de transição”, ou lá o que era, do “acordo ortográfico” fui protagonista deste interessante diálogo com a minha namorada — o primeiro de sempre a respeito do assunto.

Ela: Então, já escreves com a nova grafia?

Eu: Ná.

Ela: Mas agora tens de escrever.

Eu: Achas?!

Ela: É obrigatório.

Eu: E quem é que me obriga?

Ela: O Estado!

Ela é um pouco legalista.

Eu: E o que me fazem se eu não escrever?

Ela:  Tomam medidas.

Eu: Que medidas?

Ela: Não sei.

Eu: Prendem-me?

Ela: Não.

Eu: Então está resolvido.

8 pensamentos sobre “

  1. Entretanto, temos isto http://1.bp.blogspot.com/-j_l2pBgNtCQ/VVYw6d6AxfI/AAAAAAAAMzc/vk7pH_VuJVA/s1600/Sondagem%2B15MAIO15.jpg

    Costa não descola, e o CDS chega mesmo a subir. A prisão de Sócrates explica tudo, ou o eleitorado não confia mesmo na alternativa que António Costa representa? Não o estou a ver disparando nas sondagens durante o Verão e durante campanha eleitoral Passos terá finalmente a faca e o queijo nas mãos. Se Costa fosse um bocado mais agressivo, a coisa tremia. Veja-se como reagiu o PSD da única vez em que Costa fez oposição/pré-campanha à séria, apresentando um programa económico de rotura. Imediatamente, na pessoa irritadinha e a precisar de lâmina de barbear de Marco António Costa, os laranjas perderam a compostura, pedindo auditorias pela UTAO, fiscalizações no Conselho de Finanças Públicas, num frenesim típico de pequeno partido na oposição. Mas foi ocasião singular. Qual meditabundo general Kutuzov, Costa acampa fora da cidade e espera que as tropas inimigas se desagreguem após o incêndio de Moscovo. Infelizmente para Costa e o PS, não há fogo na cidade.

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    1. Bem, julgo que:

      1. a prisão de Sócas não explica tudo: há o medo de fenómenos tipo Syriza, agora que se viu que a Europa não alinha. E a tragédia social (emigração desemprego jovem etc) por um lado combina com o destino tuga – seremos sempre pobrezinhos, etc – e por outro lado passa-se lá longe, nos ermos da merdaleja.
      2. Não acredito muito nas sondagens mas parece-me que não vão ser muito desmentidas: cheira-me que o PS terá um pouco mais e a direita um pouco menos, enfim.
      3. Julgo que a estratégia do PS é mázita – mas só a longo prazo. Por agora é a melhor pq não radicaliza o discurso até às eleições, o que é o melhor quando se tem um ex-lider na prisão e a direita unida.
      4. quer queiramos quer não o PSD sobreviveu (o CDS é outra loiça), muito por mérito da teimosia do Passos e da pose de bom aluno mimado pela Europa. Os portugueses gostam destas merdas.

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      1. Concordo com tudo, mas não me parece que a estratégia seja má somente a longo prazo. Costa não necessita de radicalizar o discurso para congregar mais votos em torno da si nesta fase. Simplesmente aparecer mais e ser mais critico fariam toda a diferença. A opção que toma é a de menor investimento político possivel (não se expõe, não se compromete, etc.), mas acarreta óbvios riscos para as eleições. Um tipo não pode dizer que quer a maioria absoluta ou nada, e depois andar por ai de pantufas nos entretantos ate às eleições – que estão à porta.

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        1. sim, acho que o diagnóstico dele é que as coisas não estavam assim tão diferentes, e desprezou a opinião pública mais indignada. Talvez ele é que tenha razão. De qualquer modo julgo que seria sempre muito difícil ter a maioria absoluta. Mesmo o Guterres chegou no final do horrendo consulado de Cavaco, e Sócrates a seguir a Santana Lopes. Passos em condições normais seria mais odiado que Cavaco ou Santana, mas não estamos em condições normais: o contexto pode muito.

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  2. Não tenho tido tempo para nada, mas não queria deixar de comentar uma coisa que me tem vindo a intrigar, a propósito do seu post: de que forma pensarão as pessoas que o Estado policiaria a ortografia? Criaria na policia uma brigada da ortografia, que afixaria tickets de multa nos textos? Um tribunal ortográfico com juízes linguistas, que aplicariam reguadas na praça pública? O Pacheco Pereira tem a mesma angústia: parece que os escritores ficam a partir de agora impedidos, não explicou como, de fazer literatura. Uma coisa leva a outra e o António Costa, com o acordo e consequente e súbita decadência geral na literacia, fica também impedido de ler os clássicos, o que é pena. Não conseguindo ser consistente e dizer qualquer coisa de esquerda, poderia pelo menos aprender qualquer coisa com o Arte da Guerra, do Sun Tzu.

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    1. Sim, o dramalhão é um bocadinho perturbador. Eu sou contra o acordo, no mesmo sentido em que sou contra coisas que nos dão trabalho e são inúteis (neste caso até um pouco prejudiciais) mas prefiro combatÊ-lo estimulando o desuso. É mais divertido.

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  3. Luís, infelizmente a minha história tem outro final:
    Eu: Prendem-me?
    Ela: Não, mas chumbam os teus filhos
    Eu: Passa lá a nova gramática

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