O PS, como sempre.

Passou quase uma semana desde que António Costa visitou a comunidade chinesa no Casino da Póvoa. Por muito que isto custe ao PS, Costa é agora um líder enfraquecido. A frase que aí proferiu compromete-o de um modo indelével por várias razões.

1. Em primeiro lugar, porque é falsa. Como explicou ontem Pedro Santos Guerreiro, no Expresso, o programa da troika que o PSD abraçou foi um fracasso. Nas metas e no modelo de reconstrução que tentou impor ao país. A economia não cresce, a exportações não sobem, a dívida externa, a dívida pública, o défice orçamental estão descontrolados. As reformas estruturais foram uma fraude, em sentido próprio. Em nenhum destes campos Portugal “está diferente” para melhor.

2. Em segundo lugar a frase de António Costa revela-nos a sua estratégia, e a sua estratégia está errada. O líder do PS pretende tomar o PSD pelo centro, assumindo que as hordas de indecisos do costume se impressionarão com a sua respeitabilidade e ares de estadista, entregando-lhe a vitória. Para não hostilizar o eleitorado flutuante do PSD, recusa-se a fazer oposição. O seu erro é partir do princípio que o voto da esquerda lhe será fiel. Costa e o PS desprezam os sismos eleitorais que se anunciam na Europa, e imaginam que não chegarão a Portugal. A mesma asneira já originou o enterro de vários partidos socialistas europeus.

3. Em terceiro lugar a frase de António Costa demonstra que ele confunde o seu eleitorado natural. Para os desempregados, os pensionistas, a classe média baixa, a população do interior, os funcionários públicos, os pequenos empresários, as minorias e as mulheres, o Partido Socialista sempre foi um bom refúgio contra a devastação. Nunca como antes essas pessoas precisaram de um compromisso do líder da oposição. Ou Costa percebe isto ou não será primeiro-ministro.

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5 pensamentos sobre “O PS, como sempre.

  1. Ainda não percebi nada do que aconteceu ao Costa. Continuo perplexo. Também me passou pela cabeça essa estratégia, mas esbarrou com o facto de a coisa se ter passado em visita a uma comunidade chinesa. Ora, o tal centrão, que ele pretenderá conquistar, tem o hábito de sintonizar jantares convívio da comunidade chinesa, com esperanças de que apareça no fim uma demonstração de kung fu? Não tem, e foi combinado com o Melo a divulgação posterior da coisa às massas? Para quê? Ou alguém implantou um chip na cabeça do Costa, que liga e desliga à distância, já que ele uns dias diz uma coisa e noutros diz outra, para o fazer parecer tonto? O Seguro, pelo menos, era mais consistentemente tonto, não lhe falhavam os circuitos.

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