Exacto.

Para compreendermos como é importante a “distracção”  do sonso que lidera o Governo,   vale a pena ler este texto do Sérgio Lavos. Eis um trecho:

Em Junho do ano passado, 2014, milhares de cidadãos portugueses receberam notificações da Segurança Social com aviso de pagamento de dívidas, sob a ameaça de penhora. Os devedores tinham um mês para pagar o que deviam, fosse muito ou pouco. Conheço um caso em que estava a ser avaliado há mais de seis meses um pedido de isenção de pagamento (por insuficiência de rendimentos declarados) e mesmo assim a pessoa em questão recebeu a carta. Obrigada a pagar a dívida, foi obrigada a negociar um pagamento faseado em três prestações, negociação rapidamente feita – ao contrário da resposta ao pedido de isenção. O prazo limite do pagamento da primeira prestação era 31 de Julho. Um dia depois do pagamento ser feito, chegou a resposta da Segurança Social – a isenção tinha sido aprovada. Os 500 euros pagos nessa data teriam assim de ser devolvidos ao devedor, coisa que até agora, sete meses depois, não sucedeu. A somar-se a esta sucessão de inacreditáveis acontecimentos, vem a confissão de um dos funcionários da Segurança Social com quem a pessoa que conheço tratou: tinham recebido uma ordem directa do ministério para cada posto de atendimento fazer um apanhado das dívidas, um apanhado feito em bruto sem ter em conta condicionantes como pedidos de isenção. Funcionários em todos os centros do país andaram a fazer horas extraordinárias, durante dias seguidos, para conseguirem notificar os devedores até ao final de Junho – aparentemente, havia um problema de liquidez urgente na Segurança Social e uns números para compor nas estatísticas do Governo. A pressa era muita. Tanta que até devedores cuja dívida tinha prescrito foram notificados. Conheço outro caso de uma dívida relativa a 2002 (portanto, dois anos antes daquele em que o primeiro-ministro não pagou) – a pessoa em questão teve de negociar a tal dívida e começar também a pagar o que devia, sempre sob a ameaça de penhora de bens.

Continuo à espera de um comentário nos blogues de direita.

8 pensamentos sobre “Exacto.

  1. O mesmo aconteceu comigo. Fiz uma exposição a dizer que tinha sido erro mas aconselharam me a pagar. Paguei, veio uma carta da SS a dar me razão e ainda não reembolsaram.
    Tá bem abelha…1300 e muitos euros, e o sentimento de impotência de estarem a atingir o nosso bom nome, sabermos que é um erro e termos de aceitar que temos um estado autista.
    Em Portugal só não paga impostos, legais ou “ilegais”, o futebol (Costa 2) e os que roubam milhões e compadrios…acham se acima da lei pq? a fazem?!!

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    1. henedina, é preciso ser cool. Eu tenho uma coleção de troca de correspondência com a SS, por causa de um familiar. Deve tanto. Nope. Deve, deve. Nope. Mmm, então deve tanto. Wrong again, artigo tanto, isenção, declaração universal dos direitos do homem, etc. Ok, ok, e se for tanto? That’s better. Não se pode ter medo. Aquilo é a SS, mas não são o herr flick e a helga. Tem de se lhes falar ao coração, com carinho, mas com firmeza.

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  2. Mas você, estimadíssimo Luís não pode agora estar a exaltar-se com um punhado de mil euros. Não é razoável esperar que os tipos voltem a abrir o Forte Apache ou o Albergue Espanhol para discutir estas matérias.

    E depois isto são assuntos que requerem ponderação e calma, não se podem aflorar pela rama ou com imediatismo moralista. É preciso verificar, equacionar, analisar em detalhe, sem imediatismos moralistas.

    Desta vez estou com os blogs da direita que usam da mesma boa ponderação e prudência que aquele sujeito do nosso bom povo. Você não é campónio como eu, se calhar nunca ouviu a estória que corre pelas províncias: do escuro do palheiro gritava um lavrador à esposa:

    – Oóh Maria! Traz de lá candeia que a vaca deu um coice e nã sei se foi em mim se na parede!

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    1. “não pode agora estar a exaltar-se com um punhado de mil euros.”

      Soliplass, ainda agora li um “independente” que gozava o pratinho com o valor módico da coisa.

      Não me importava de ser rijo como esse da vaca.

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  3. Juro que é verdade! Penhoraram-me a conta bancária, a da minha mãe, a do meu filho (era segunda titular) por dívidas à (in)segurança social. Mas espantem-se eu não devia nada, Eu sim, fui vítima de um erro grosseiro da administração. Tinha dois números de segurança social activos. Fantástico! Coisa inaudita! Um dos números quando me inscrevi na SS em 1980 pré-cartão de cidadão e o novo atribuído com o dito cartão. Três semanas de correria, horas perdidas a olhar o desespero das pessoas, para resolver o problema. Reclamei, era inaceitável. Recebi uma carta a agradecer a minha compreensão. A a g r a d e c e r a m i n h a c o m p r e e n s ã o! Só podem estar a gozar. Entretanto descobri que me roubaram, sim roubaram 4 anos de carreira contributiva entre 1980 e meados de 1985. Ainda tiveram a lata de me pedir a prova dos descontos e misteriosamente o ano de 2003 também estava esburacado mas aí podia provar que tinha feito os devidos descontos. Farta, farta, farta desta gente. O que se tem feito aos desgraçados que trabalham a recibos verdes é vergonhoso, nojento, baixo, baixo, baixo. Tudo isto se passou em Outubro de 2014. soube da penhora no dia 5… Irónico…

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