A não notícia que é notícia.

No Financial Times:

Dissatisfied Portuguese voters stick with the status quo

Syriza has won a general election in Greece and radical leftwing movements could soon be voted into power in Spain and Ireland, but in another crisis-hit eurozone country it remains business as usual for the political establishment.
Despite a punishing three-year bailout and a deep recession, almost 80 per cent of voters in Portugal plan to back the country’s four traditional parties in a general election scheduled for the autumn, according to the latest opinion polls.

Também foram 48 anos de Estado Novo. Há tempo.

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15 pensamentos sobre “A não notícia que é notícia.

  1. Luís Jorge, isto tem uma explicação histórica. Em Portugal são os partidos tradicionais que organizam a indignação, quando acham que é a altura certa. É uma norma constitucional não escrita. Evita-se que tomem o seu lugar certos tipos de rabo de cavalo, sem gravata ou com a cara esquisita, meio assimétrica, da dróga. Já foi assim quando os ingleses queriam as nossas colónias e, pior ainda, quando os nativos é que as queriam. Eram os partidos tradicionais, por vezes só um, que organizavam manifes e revoltas, mas com termos, aos domingos depois da sesta, caras façanhudas, mas barbeadas. Pois nestes últimos dias o governo revoltou-se contra a troika, por causa de um relatório. Um dia, longínquo, os da troika ralharam por uma facção qualquer do nosso governo ter chumbado cortes nas pensões e salários (para eles, estes nativos são todos governados pelo mesmo conselho de tribo, mas reunidos em pequenos círculos tangentes, às vezes aos berros uns com os outros). Uma outra parte do governo veio logo dizer que não teve culpa e que o programa seguiria dentro de momentos, com alternativas. Mas eis que os times they are a changing rapidamente e, neste momento, até as dondocas saem da missinha ao fim da tarde a dizer fuck you ao careca e ao escurinho. Aqui mandamos nós e se queremos cometer a loucura de aumentar vinte euros o salário mínimo, ninguém nos agarra, OleOlá! Eu, que sou moderno, tenho esperança que votemos diferente na próxima, tipo num partido extremamente radical que leve para o governo um tipo com um pequenino brinco de prata. Sem ser demasiado polida, vá, que não provoque faiscas ao sol.

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    1. Por muito que gostasse de concordar consigo julgo que desta vez a culpa ou o mérito nem é do centrão. Já viu como anda a esquerda? Não falo do ps, falo da esquerda. A joana Amaral dias ainda não tinha um partido e já tinha rupturas e dissensões. Acabou tudo à pancada. Que tristeza, mon dieu.

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  2. Luis, eu não me lembro do que fez a Joana, mas se teve ruturas e distensões sem partido, tem pelo menos de começar a ir ao ginásio. Agora a sério, a esquerda sempre esteve fragmentada, mas parece-me que apareceu agora um movimento jeitoso, o Livre. O Rui Tavares já anda há muito a dizer o mesmo que diz agora o Syriza, sobretudo sobre a legitimidade da troika, ao nível dos tratados europeus. O seu movimento tem sido um polo de atração de gente com experiência e criatividade. Eu preferia que se juntasse ao Bloco, que também tem boa gente, mas não podendo, já não estaria mal assim. O problema é que temos o centrão na cabeça e nenhum movimento de esquerda terá aqui alguma vez mais do que 10%, que é aquele percentagem de criança que todos admitimos ter, mais coisa, menos coisa. Um pais rural que evolui rapidamente, como nós, transmuta-se de parolo em cínico e fica cinicamente parolo, embrulhadinho na mantinha a mandar bocas sobre a juventude transviada (é assim que os brasileiros traduziram Rebel Wihout a Cause, aquele do James Dean). Se o VPV, esse ponteiro que aponta eternamente a leste, o padrão atómico internacional da irrelevância, é o que temos de elite intelectual mais reconhecida e se ele acha que o Syriza é uma doença infantil que dá nos gregos, o que pensar do resto de todos nós. Não se arrisca nada, nem sequer agir com bom senso, coisa que tem os seus perigos. Se o Syriza conseguir alguma coisa para o seu país, logo se vê o que acontece também em Espanha. Se ganhar o Podemos em Espanha, esperamos pacientemente por um pronunciamento oficial de Berlim sobre o assunto e sua publicação no jornal oficial das comunidades europeias, em forma de regulamento.

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    1. “Um pais rural que evolui rapidamente, como nós, transmuta-se de parolo em cínico e fica cinicamente parolo, embrulhadinho na mantinha a mandar bocas sobre a juventude transviada”. Tem toda a razão, claro. É um mal da nossa intelectualidade de direita, perdoe o paradoxo. Mas repare que o Rui Tavares começou o seu movimento com uma declaração de intenções em que incluía já juntar-se ao PS. Digamos que como afastamento do centrão poder-se-ia fazer melhor.

      O Podemos tem o interesse de ser a sério, porque vem de um país em que crise não estrangula tanto, embora exista, e com uma dimensão que até aos parolos cínicos alemães impõe algum respeito, por assim dizer.

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      1. Um efeito dominó pode começar com uma peça pequenina e o Syriza está a ter esse efeito na Europa. Está a provocar discussão, a forçar o debate mesmo dentro das instituições europeias e a dar ânimo à esquerda europeia; não é coisa pouca. Claro que neste efeito dominó a última peça cairá em Espanha (acredito numa surpresa com o Podemos), que neste nosso Portugal já não se brinca.
        Tem razão quanto ao Rui Tavares. Eu acredito que ele pense que poderia fazer mais num partido maior e o PS, continuando centrão, até estava a precisar de reforçar o seu lado esquerdo.

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  3. O Syriza tem um histórico político e capacidade de compromisso https://momentoseconomicos.wordpress.com/2015/02/03/e-comecam-a-surgir-os-detalhes-do-plano-grego/ que o diferencia do Podemos. A política tem espaço livre http://blogs.ft.com/the-world/2015/02/tsipras-pulling-strings-as-varoufakis-performs-policy-somersaults/.

    Uma coisa interessante é a passagem da equipa económica do Syriza pela , como escrevi ao FNV, “comuna” de Londres, http://www.theguardian.com/world/2015/jan/30/how-british-universities-helped-mould-syriza-political-elite

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  4. Para perceber melhor o Varoufakis o melhor é ouvi-lo falar e ler o que ele escreveu.

    Aqui estão algumas sugestões, em 2012 na Columbia Pre-Law Society

    O pdf do livro “The global minotaur” (lê-se muito bem, li-o durante o fim de semana):

    http://digamo.free.fr/varouf11.pdf

    Quanto ao Podemos existe o canal You Tube “Fort Apache” animado pelo Pablo Iglesias onde têm uma enorme quantidade de debates interessantes. Ajuda a perceber quem são.

    Logo à noite vou ver este:

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  5. Correcção. O link para o programa do Fort Apache saiu mal, o que eu queria sugerir-vos é “Syriza, el cambio empieza en Grecia”, não aquele sobre Cuba.

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