Em resumo.

Religion, a mediaeval form of unreason, when combined with modern weaponry becomes a real threat to our freedoms. This religious totalitarianism has caused a deadly mutation in the heart of Islam and we see the tragic consequences in Paris today. I stand with Charlie Hebdo, as we all must, to defend the art of satire, which has always been a force for liberty and against tyranny, dishonesty and stupidity. ‘Respect for religion’ has become a code phrase meaning ‘fear of religion.’ Religions, like all other ideas, deserve criticism, satire, and, yes, our fearless disrespect.

Salman Rushdie, via João Lisboa.

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10 pensamentos sobre “Em resumo.

  1. Não entendo a que mutação Rushdie se refere, já que a História do Islão jamais contempla períodos de grande emancipação do indivíduo e dos poderes seculares face à autoridade religiosa, tais como o Renascimento, ou o Iluminismo no Ocidente cristão. Para encontrarmos paralelos entre as hierarquias de valores praticadas pelos dois modelos sociais em causa, teríamos de recuar à Europa medieval, ou ao Império Russo antes da revolução bolchevique. Por muito que se insista na questão da incompatibilidade religiosa, tal é absurdo, levando-nos essa visão aos domínios pantanosos das múltiplas interpretações de textos sagrados. Nenhuma religião é em si mesma pacífica, nem violenta – esses são atributos das leituras. A incompatibilidade existe, no entanto, sendo de raiz histórica e expressando-se socialmente numa enorme dificuldade de integração dos muçulmanos na Europa. Quem o negar, não conhece o caldeirão que são a França e Bélgica suburbanas, nem o esquizofrénico universo turco na Alemanha, onde irmãos assassinam irmãs tresmalhadas, residentes de 6ª geração mal falam alemão, mas são frequentes as posições xenófobas assumidas por associações turcas contra outras comunidades emigrantes – sobretudo polacos.

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      1. Certa vez, numa das muitas estadias em Berlim, ia levando porrada de um grupo de turcos irados, enquanto comia uma sandocha sentado a uma esplanada na parte chique de Kreutzberg. Juro que não fiz nada, a não ser estar lá sentado, conversando com uma amiga berlinense. Que fosse para o meu país, diziam-me eles… “Polaco imundo”, era o que me chamavam os otomanos teutonizados, enquanto invectivavam a “pega traidora” que confraternizava com o estrangeiro oportunista. Informaram-me mais tarde que esses “raids” de grupos de turcos, bem organizados, estavam a vulgarizar-se e ainda cheguei a presenciar uma cena que acabou em sangue, para os lados de Treptower, desta vez com polacos autênticos. Eu, que já muitas vezes fui tomado por egípcio, libanês, iraniano, etc., a ser vítima de turcos de extrema-direita na Alemanha…

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          1. Parece que sim. É um comportamento muito esquizofrénico, confuso. Acham que conquistaram um direito superior, por via de maiores provações, mas ao mesmo tempo recriam a sociedade turca por lá.

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          2. Tal como aludi, contou-me uma assistente social de Mainz que o estado alemão tem terríveis dificuldades em contrariar a violência resultante do ascendente que o irmão mais velho tem sobre as irmãs no seio das famílias turcas. As mortes e espancamentos são às dezenas, invariavelmente motivados por comportamentos emancipados das jovens. A lei actua, mas na comunidade turca essa prática é considerada um dever familiar.

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