Pior, muito pior.

Leio em dois ou três locais que os responsáveis pelo Charlie Hebdo, tão temerários com o Islão, terão despedido um colaborador por fazer cartoons anti-semitas. A linha de raciocínio é simples: “Ah, estão a ver? Com os judeus não brincam eles, e tal”.

De facto, esses judeus são temíveis. Quem sabe o que seriam capazes de fazer aos editores da revista? Pior, muito pior do que a morte.

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17 pensamentos sobre “Pior, muito pior.

          1. Luís, não seria saudável alguém comparar os casos, porque não há comparação. Não deixa de ser incómodo que um jornal que é elogiado pela coragem em afrontar qualquer poder estabelecido (simplifico, mas compreenderás o que quero dizer) tenha despedido um colaborador por causa duma caricatura. Isso não significa ir pela linha de raciocínio que tu mencionaste, e muito menos imaginar que os judeus fariam coisas piores (desde logo, é difícil imaginar algo pior).

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            1. Carlos, isto:

              “um jornal que é elogiado pela coragem em afrontar qualquer poder estabelecido (simplifico, mas compreenderás o que quero dizer) tenha despedido um colaborador por causa duma caricatura”

              é algo que gostaria de ver provado.

              Até por experiência profissional como director criativo, com uma equipa a cargo, sei que é fácil subverter os motivos de um despedimento. Se, por exemplo, esse tipo só fizesse cartoons anti-semitas e mais nada acabaria por justificar uma demissão, não por motivos de censura mas por falta de variedade do portfólio, if you know what i mean. Portanto não vou engolir a primeira treta que sirva para desacreditar a publicação sem demonstrações mais fortes.

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              1. Luís, ficou provado em tribunal que se tratou de um despedimento ilícito. Podemos dar muitas voltas, mas, a não ser que se ponha em causa a própria decisão judicial, tratou-se de delito de opinião. Isso, pelo menos para mim, é incómodo, mas não muda em nada a minha ideia sobre os gajos que foram assassinadas: tinham-nos no sítio.

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  1. Vale a pena ler a descrição do despedimento do caricaturista Siné no “affaire Charlie Hebdo” de 2008. É um artigo de Edwy Plenel director de Mediapart.

    “Dans un jugement rendu le 30 novembre 2010, le tribunal de grande instance de Paris a condamné la société éditrice de Charlie Hebdo pour rupture abusive du contrat qui la liait depuis seize ans avec le caricaturiste Siné.”

    Continua aqui:

    http://www.mediapart.fr/journal/france/180708/l-affaire-charlie-hebdo-ou-la-caricature-de-l-epoque

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