Isto não vai acabar bem.

Que um juiz mantenha em prisão preventiva um antigo primeiro-ministro é lá com ele, antes de ser connosco.

Mas que o mesmo juiz impeça o antigo primeiro-ministro de ser entrevistado por um jornal é connosco, antes de ser com ele.

Não quero morar num país em que os que nos governarem possam ser humilhados por um tribunal.

Está na altura de apelar a quem acredita na liberdade e na justiça para que esqueça o homem e se lembre dos valores.

Nem o ódio a Sócrates, nem os crimes, por provar, que ele possa ter cometido justificam qualquer coisa.

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27 pensamentos sobre “Isto não vai acabar bem.

    1. O impedimento está legalmente enquadrado. Claro, e qual é a novidade? O que me interessa é a aplicação concreta do impedimento: que prejuízo teria a entrevista para as “finalidades da prisão preventiva”? O Juiz Carlos Alexandre considera que o homem pode esconder provas dentro dos gravadores do Expresso? Que pode enviar mensagens cifradas? Explique-se homem, não continue a apontar coisas que não conduzem a lado nenhum.

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      1. Sócrates pode perturbar a investigação. Como, aliás, vai dentro dos limites com que já está confrontado, tentando fazer todo o santo dia. Na minha leitura, a comunicação pública a que se presta – com as famosas e inovadoras cartas – não serve apenas para fazer a sua defesa junto da opinião pública (serve para incentivar quem está dentro do sistema, é poderoso e está do lado dele, a mexer os cordelinhos para o resgatar da investigação, se é que me faço entender). É, pelo menos, esta a minha leitura.

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        1. “Sócrates pode perturbar a investigação.” Na cadeia? Com quê, ameaças de morte veladas, cabeças de cavalo na cama? homem, isso é um exercício de ficção. Sócrates terá certamente influencia na opinião pública. Mas isso é parte dele, e é legítimo, e faz parte de uma estratégia de defesa respeitável. O homem é arguido, não é um intocável.

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          1. Não me refiro ao jogo da acusação/defesa junto da opinião pública. Sócrates almoça dias antes de ser preso com Pinto Monteiro. Pinto Monteiro diz que nunca tinha almoçado com ele. Uma coincidência infeliz. E a gente acredita? A forma como alguns tapam os olhos a isto é tão vergonhoso como a forma como alguns taparam os olhos à prenda do Salgado. Sócrates tem gente dentro do sistema que pode perturbar o inquérito. E ele quer motivar essas tropas em sua defesa. É esse o seu jogo principal nesta fase, não é o da defesa da sua figura junto da opinião pública.

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            1. “Sócrates almoça dias antes de ser preso com Pinto Monteiro. Pinto Monteiro diz que nunca tinha almoçado com ele. Uma coincidência infeliz. E a gente acredita?”

              É irrelevante. Num estado de direito um juiz não impede alguém de dar entrevistas a jornais por ter dito coisas sobre um almoço com alguém que já não está em funções.

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  1. O actual sistema judicial português, com a sua arrogância e ausência de prestação de contas aos cidadãos sobre as suas trapalhadas que vão surgindo aqui e ali, não me merece confiança.
    Percebo que um indiciado em liberdade possa destruir provas essenciais para um processo. Mas o risco dessa destruição decorre de acções exclusivamente clandestinas, não vejo como uma entrevista com um jornal como o Expresso possa levar à destruição de provas. Será que não existe o risco do Ricardo Salgado destruir provas? Esse risco terá sido eliminado por ele depositar 3 M€ nos cofres da justiça?

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  2. Resumo o poste, transpondo:
    1) Prendei o homem, mas deixai-o ir ao cinema (e ao cinema, ao ginásio, ao…);
    2) Fazei leis, sobre o que quiserdes (prisão preventiva, entrevistas nesse estado, etc.), mas não as cumprais.

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    1. Já que anda a espalhar estas larachas pelos social media, aqui lhe deixo a resposta minimamente articulada que você não merece.

      O comentário do Albino Matos revela-nos quase tudo o que há de errado nesta discussão. 1. O homem não pode sair. Não era com uma entrevista que poderia sair. E o facto de estar preso não significa que tenha de ser privado de todas as suas liberdades. Dois mil anos de progresso nos direitos civis deviam criar alguma mossa na cabeça dura dos Albinos, mas parece que não criam. 2. As leis podem ser cumpridas de vários modos. Por exemplo, esta lei sobre a qual o Albino brama estipula que a comunicação com o exterior pode ser cortada pelas mesmas razões que levaram à prisão preventiva. Razões como a destruição de provas, comunicação com cúmplices, etc. Em casos excepcionais, como o de um mafioso à italiana, a tal entrevista poderia servir para enviar sinais de ameaça a alguém e forçar uma chantagem sobre outros intervenientes no processo. Não é certamente o caso de Sócrates, que não tem um exército de assassinos a soldo. A menos que estejamos enganados. Mas não me parece que ganhemos algo em explicar estas subtilezas a comentadores como você.

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  3. Eu aceito tudo o que as autoridades me dizem. Se um polícia sinaleiro me mandar parar num cruzamento no meio do deserto, eu paro ali até a areia me entrar pelas órbitas da caveira. Dura lex et stupid lex sed lex. Se o mr. Brown me diz que uma entrevista é coisa adequada a incentivar poderosos dentro do sistema a mexer cordelinhos, piscando-me depois o olho como se eu entendesse o que isso quer dizer, eu não posso passar por burro e devo declarar que entendo perfeitamente, piscando um olhinho de volta. Eu sei lá se o homem não transmitiria alguma coisa em ultrassons aos tais poderosos, através do gravador do pobre do jornalista (palhaço) como os apitos que chamam patos marrecos… Mas tenho uma sugestão: autorizem a entrevista na condição de se fazer numa sala vigiada por agentes detetores de cripto-mensagens. Mas sem o olhar nos olhos, ou ele acabaria por lhes comer o fígado com feijões e um belo de um chianti.

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  4. A questão é ainda como segue, subindo a parada. Eu tenho alguma dificuldade em compreender a proibição desta entrevista como medida cautelar para impedir a perturbação de investigações. Mas já tenho a certeza de que defender isto como uma medida disciplinar punitiva, do tipo o preso 44 hoje não come pudim flan, porque se portou mal, é de cabo de esquadra com uma chapadeira. Não viria daqui mal o mundo, se não saísse do cérebro de cidadãos eleitores e elegíveis para qualquer coisa, mas eu acho que a opinião do Albino naquela interpretação esdrúxula do texto do Luís, comparando uma entrevista com uma ida ao cinema ou às meninas, é partilhada por muitos adultos.

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  5. decisão pouco inteligente.

    estou com pinto da costa, esse eterno presumível inocente até que se prove o contrário ou ele não tenha decidido ir passear à galiza ou coisa parecida: não alinho em palhaçadas.

    a justificação de que o homem pode perturbar as investigações é patética! por acaso sendo preso está impedido de comunicar? Tudo bem, não pode dar a entrevista, mas pode escrever cartas, o advogado pode falar por ele, sei lá, pode fazer telefonemas cá para fora, não pode?

    enfim, manifestação de poder absolutamente inútil que só serve para extremar posições e dificultar a descoberta da verdade

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  6. Devo ser burro, porque ainda não entendi que tipo de lei possa permitir que um preso em preventiva dê entrevistas durante o período em que está sendo investigado por ir à “MISSA DUAS VEZES”.

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    1. Armando, está a fazer a pergunta errada numa sociedade democrática. A pergunta a fazer é exatamente a inversa. Se a lei, a Constituição, permite, como regra, a liberdade de expressão, o que devemos perguntar-nos é em que circunstâncias devemos permitir (a sociedade, o legislador) que o exercício desse direito seja limitado.

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      1. Caramelo,
        Claro que podemos reflectir sobre isso. No caso concreto, a actual solução foi definida em 2009 por José Sócrates, PS e PCP.

        Miguel N

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        1. No caso concreto, Miguel? O caso concreto é de 2014, não de 2009 e a solução foi definida em 2014 por um juiz. A lei é geral e abstrata, não regula casos concretos, e o que a lei diz é que se pode fazê-lo, se preenchidos certos requisitos. Podemos discutir se esses requisitos estão preenchidos, ou não? Ou procurar saber qual a fundamentação do despacho, se é que está fundamentado? É que se trata de uma compressão de um direito fundamental. Pode-se fazê-lo, até porque nenhum direito é absoluto, mas tratando-se de um direito fundamental, a sua limitação deve ser bem vigiada. A lei também permite matar em legitima defesa, em certas condições.

          Eu acho que a lei não está intrisecamente errada. É preciso é bom senso a interpretá-la e a aplicá-la. Bom senso, reforçado. Curiosamente, temos libertarios encartados, dos que vêm em qualquer ação do estado uma terrível limitação de direitos individuais, que para este caso, estranhamente, se limitam a invocar a lei. Esses sim, deviam combatê-la, mas agem nisto como se fossem pequenos burocratas. Mistérios.

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          1. “Curiosamente, temos libertarios encartados, dos que vêm em qualquer ação do estado uma terrível limitação de direitos individuais, que para este caso, estranhamente, se limitam a invocar a lei.”

            Pois é.

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  7. O JM Tavares, a pedido de várias famílias, concedeu-se hoje falar do assunto: então tá bem, amiguinhos, vamos lá falar desse assunto de que toda a gente fala por aí. Falar disto espontaneamente, já é exigir demais da paciência e tempo de um cristão (monsieur zola, e se falasse daquele senhor preso? Anda para aí um sururu… Ora, madame, estava para escrever sobre os atrasos na carreira dos olivais, mas a seu pedido, sua bela magana, vou falar disso).
    Saiu crónica. Começa de forma hilariante, termina de forma engraçada, e o que pelo meio poderia ser uma coisa de bom senso (a defesa propriamente dita da liberdade de expressão), acaba por saber ao resto do bolo apalhaçado, apesar de um esforço de dar dignidade à coisa, incluindo um verso à Ary dos Santos: “As ditaduras encarceram os corpos e calam as vozes.”
    Começa por supor que a proibição pudesse ter alguma coisa a ver com a logística da prisão. Não me parece que seja esse o pressuposto da lei, mas o JM Tavares acha que é importante e dá à direção geral dos serviços prisionais um curso ultraintensivo em logística e décor de entrevistas a presos. Atenção, que os ex-pm chamados Sócrates estão habituados a ser entrevistados como o sultão do Brunei. Haveria sala para isso? E o material que seria necessário? E existe lá uma ficha tripla para ligar os projetores e os gravadores? E se vai abaixo o quadro elétrico de Évora, quiçá do Alentejo? E o décor? E a empresa de catering para alimentar o preso com foie gras e caviar do fauchons? E os outros presos, como se sentiriam? Avisa então que a coisa é admissível, sim senhor, mas com um gravador, talvez manejado por um homenzinho que não ocupe muito espaço, e no horário das visitas. Toca o apito, andor, um pra dentro, outro pra fora. Nestas condições, sim, liberdade de expressão presencial, a acrescer à liberdade de expressão epistolar e telefónica que o tagarela já tem. Termina dizendo: como facilmente imaginam, eu dificilmente acreditarei algum dia numa palavra que saia da boca do homem. Sim, ó divino Séneca, que a gente tem como ocupação imaginar as coisas que dizes e é tão importante saber se confias no homem, como sabermos se os corn flakes que comeste ao pequeno almoço estavam bons, já tínhamos reparado há meia dúzia de crónicas atrás. Qualquer gajo que tenha facebook sabe como é fundamental comunicar isto todas as manhãs, nada de mais, mas estas coisas publicadas em papel, apenas fazem um gajo pensar que meia dúzia de pobres índios ficaram sem sombra algures. Um tipo, para publicar banalidades em papel, devia cultivar amorosamente o seu próprio quintalinho de eucaliptos.

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