VPV

E, depois, durante a Ditadura, Coimbra forneceu fielmente Salazar com os piores ministros do país. Não espero nada de bom que venha daqueles sítios. Mas não deixou de me surpreender a atitude do sr. António Santos Justo, hoje director da Faculdade de Direito, que proibiu um debate entre Pedro Mexia e Rui Tavares sobre “ideologias no mundo actual”, em nome da “tradição” e da “neutralidade”. Estamos, vale a pena lembrar, no fim de 2014.

Daqui.

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8 pensamentos sobre “VPV

  1. Eu faço já a declaração de interesses, fiz o secundário em Coimbra (na Secundária Avelar Brotero, menos possidónia que a Infanta Dona Maria) e não gostei, tanto que, logo que possível migrei para Lisboa.

    Concretizando, eu sou de uma aldeia a 62 km de Coimbra, no distrito de Leiria e os meus caríssimos colegas gostavam de me lembrar isso e de me chamar serrano, coisa que não levei a peito, mas como pessoas cagonas sempre me chatearam, decidi não me sujeitar a repetições na Universidade, que me dizem ser menos propensa ao fenómeno. As capas negras também nunca me cativaram, nem as serenatas e latadas…

    Coimbra sempre me pareceu padecer do mal do provincianismo armado em elitista, portanto não estou surpreendido com a reacção da Faculdade de Direito, da Atenas portuguesa (se fosse no D&Q, já tinha o FNV à perna por escrever isto…). No fundo, demonstra o fechamento da Universidade ao sinal dos tempos e a cultura fortemente hierárquica que por ali impera seja no doutor das praxes seja no Doutor de Direito…

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    1. Leitor, eu andei no Infanta Dona Maria há trinta e tal anos e não notei que fosse assim na altura, pelo menos não seria mais do que noutros locais. Éramos uma mistura, vestíamos todos mal e andávamos mais ocupados com o associativismo, a new wave o camus os matraquilhos e os flippers. Serranos e não serranos, gozávamos sobretudo com os queques que apareciam vestidinhos à CDS, de camisolinha pelas costas. Agora sim, é um enclave de bairro chique cheio de cagança com o ranking, a pior merda que podem fazer a um miúdo em formação. Mas tem alguma razão, descontando algum exagero. Juntando uma certa imagem de Coimbra que se tem do exterior, mais a realidade, isto de facto é de fugir. Acrescentando o auto-flagelamento dos coimbrinhas, o aqui-não-se-passa-nada, temos uma desgraça macaca. Nem tanto à terra, nem tanto ao mar. Em serenatas e latadas nunca me meti. Era sair das aulas e ir beber cerveja para o café do bairro onde cresci. A velha Alta não me dizia nada.
      Quanto ao VPV, tem feito carreira a explicar que o país é povoado por uma corja triste e com isso acerta sempre, porque de facto há trastes por todo o lado. É uma tática de caça. Indo aos pombos com um canhão, leva sempre para casa o carro cheio de troféus e é um êxito. Mas sendo ele um tipo com um leque tão limitado de interesses e com um vocabulário tão limitado e sendo, ainda assim, considerado um farol da opinião em Portugal, estou tentado a dar-lhe toda a razão.
      Isto que se passou com a fac de direito de Coimbra é uma vergonha, é ridículo, e acredito que incomode muitos por lá. Mas, lá está, ninguém diz nada, ninguém se manifesta, aquilo é uma ordem monástica. Não a universidade, mas aquela fac. em particular.

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  2. Declaração de interesses: estudei na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. “O Justo”, como é conhecido em Coimbra, foi meu professor.

    Nada me prende a essa instituição, já que assim que terminei a licenciatura fui fazer algo completamente diferente.

    Honestamente, a prosápia sobre Coimbra que vem de Lisboa tira-me do sério. E não é de hoje: aqui há uns anos o Pacheco Pereira também se sentia muito incomodado com o “provincianismo das livrarias da Baixa de Coimbra” e com o “ar boçal dos estudantes”.

    Coimbra não é diferente de nenhuma universidade lisboeta. O provincianismo e o “grunhismo” encontra-se de Norte a Sul, de Faro a Bragança. Criticar Coimbra ignorando a má-formação que grassa em TODAS as universidades portuguesas é de um bairrismo atroz. Para não lhe chamar outra coisa.

    Reconheço, no entanto, que Coimbra se põe mais a jeito. A “Cidade dos Doutores” e tal.

    Ou seja: sim, Coimbra está cheia de provincianos. Tal como Lisboa e tal como o Porto. Só mudam os sotaques. E se Coimbra deu “Salazar e incompetentes ministros”, Lisboa encarregou-se de dar tudo o resto: e que prosperidade têm trazido à nação!

    Mas esta simples verdade não cabia, aparentemente, na crónica do Dr. Pulido Valente.

    Há académicos brilhantes em Coimbra que para além disso são excelentes professores. Como os haverá noutras universidades. Na mesma media em que há “Justos” em Coimbra e em todas elas.

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      1. Não sei se a história é verdadeira, pode ser que algum dos leitores ex-alunos possa confirmar/desmentir, mas há muitos anos alguém me contou que o “Justo”, antes de ser professor universitário, era guarda nacional republicano. Sem querer tirar (ou melhor, partilhar) conclusões, acho que é uma achega interessante para perceber o seu “ponto de vista”

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  3. Estudei em Coimbra, mas não deixo de dar razão a Antero de Quental quando dizia que a Universidade de Coimbra só iluminaria alguém no dia em que ardesse!

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