Lindo menino.

A crónica de hoje de João Miguel Tavares é um tesourinho de ironias involuntárias. Primeiro esboça um correctivo dirigido a Pedro Passos Coelho: o primeiro-ministro não deu explicações “transparentes” sobre a Tecnoforma, e esse pecadilho “não abona a seu favor”. Ui, que temos defensor voluntarioso e temerário da justiça colectiva!

Mas não fica por aí. Rapidamente, João Miguel Tavares conclui que a culpa de tudo isto é, não de Pedro Passos Coelho, mas dos jornalistas que não o “escrutinaram”. Conclusão da crónica? Leiam, que é uma delícia:

(… ) agora que o Partido Socialista acaba de eleger um líder novinho em folha, e que com altíssimas probabilidades vai ser o futuro primeiro-ministro, convinha que a comunicação social não permanecesse no seu cochilo, e começasse já hoje a fazer aquilo que é comum em qualquer país civilizado, mas que por cá só se faz tarde e a más horas: um escrutínio apertadíssimo do passado de quem quer ir viver para São Bento. Façam o favor de revirar a vida de António Costa, falem com os seus inimigos, investiguem os seus aliados, passem a pente fino as contas da campanha das primárias, irritem-no muito. O passado dos nossos políticos tem de passar a ser seriamente vasculhado antes das eleições. Não é só um direito nosso, enquanto cidadãos – é um exercício essencial para proteger a qualidade da nossa democracia e o próprio futuro de quem pretende mandar em nós.

Escavem o Costa, que este já não interessa.

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10 pensamentos sobre “Lindo menino.

  1. Dado o nível intelectual superior de JMT vou citar um “sábio” de Vinhais, usando da sabedoria popular, “Pimenta no rabinho dos outros é refresco”.

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  2. Pois, «a culpa de tudo isto é, não de Pedro Passos Coelho, mas dos jornalistas que não o “escrutinaram”». Tivesse escrutinado e eram uns bandalhos ao serviço do BE e do PCP, praticantes da inveja e da devassa.

    Se o Louçã por bem informado tivesse contado no hemiciclo metade do que Ricardo Salgado agora conta a respeito das comissões dos submarinos caía o céu e o inferno e vinha aí o fim-do-mundo e o comunismo.

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  3. Calma, que o João Miguel Tavares é aquilo que mais se aproxima desse unicórnio que é a direita inteligente. O estilo é esmerado, coisa de tribuno. Friends, romans, countrymen, lend me your ears… o meu filho tem no tablet uma aplicação que dá para pôr um gato com voz de palhaço a falar tudo o que a gente lá grava e eu aproveitei e o JMT ficou de certo modo imortalizado. Hoje temos passado o serão nisto.

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