2+2

Hoje em dia devemos ter pena das pessoas de direita. Não é por elas, é pelas companhias. O Alexandre Homem Cristo explica.

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29 pensamentos sobre “2+2

  1. Não confundamos as coisas. Esses “mitos”, ou “preconceitos” são a reacção ao mito e preconceito de que no Estado Novo era tudo mau e bafiento. É obvio que a educação melhorou, como – esperamos! – quase tudo o resto desde o tempo em que a velha senhora deu o badagaio. Mas não é esse o corolário da evolução das sociedades no pós-guerra; i. e. a geração seguinte usufrui de melhores condições de vida que a imediatamente anterior?

    Esta troca de galhardetes com profundidade epidérmica e esquerdireitosos, descentra completamente o debate sobre as políticas de ensino dos últimos 20 anos. Mal se toca, por exemplo, no tema da falência no terreno das chamadas “ciências da educação” – assunto tabu porque o ministério e respectivas secretarias da educação se encontram recheados dos seus indefectíveis acólitos. Outro tema, abordado com detalhe comparável ao comentário de bancada, é a omissão do papel da família na educação dos petizes, dando origem a constantes e graves equívocos, como circunscrever a análise à responsabilidade pedagógica, muito a jusante da origem das coisas.

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    1. Está a falar da pessoa certa,André: o Alexandre é especialista nessas coisas, e não defende o que você diz que defendem as senhoras do ministério. São dois debates diferentes, muito misturados,como é costume na parvónia: se as ciências da educaçao não funcionam venha o Salazar. Ao contrario do que parece fazer crer o seu comentário existe mesmo um saudosismo do plano de acção do Estado Novo, e por acaso tem apoiantes muito ligados ao Governo.

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      1. Mas eu não nego que exista esse saudosismo, pelo contrário, ele é patente. Mas essa é uma reacção a um contexto, que é o das “senhoras do ministério”, como o Luís escreve. Em suma, são tudo talibans. De um lado os ayatollahs dos Piaget, do outro os defensores da memorização dos ramais das ex-colónias e do latim na pré-primária. Pessoalmente, tenho a maior estima pela visão que o actual ministro Nuno Crato tem da educação, sobretudo através das posições assumidas enquanto foi presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática. O problema é a falta de experiência política. Constou-me, segundo fonte do seu gabinete, que deposita uma confiança excessiva e imprudente nos seus assessores para tomar certas decisões. É pena.

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    2. André, não se toca na falência das ciências da educação? Mas é que não se toca noutra coisa. Têm-se feito tratados sobre os malefícios das ciências da educação. O Nuno Crato escreveu um livro a propósito disso, que deve ter tido maior tiragem do que a biblia, a outra. O eduquês, inventado pelas senhoras do ministério, vai ser inserido no próximo dicionário de calão da academia das ciências. Por todo o lado há gajos a repetir, indignados, que “ú educês é prujudical à iducação”. Se não fossem sérios pais de família e excelentes candidatos a genros, já tinham tomado o ministério com tochas e catapultas.
      É o corolário do pós guerra, como diz, mas não nasce espontaneamente, como a senhora de fátima. É como os índices de saúde: não é corolário de nada, é trabalho. E o nosso pós guerra foi o pós guerra colonial, não foi a de 45.
      No estado novo nem tudo era mau e bafiento; as alfaces eram mais frescas e saborosas e o agrião.
      Eu fico confuso com isto tudo.

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      1. Confesso que não percebi grande coisa do que o caramelo escreveu, a não ser que está contra alguma coisa em forma de assim. Mas, em jeito de resumo, o que eu queria dizer é que essas posições antagónicas sobre o ensino – cada uma já com prática histórica passível de análise – demonstram a esterilidade do debate nesses termos. Venho de uma família ligada ao ensino, com o privilégio de contactar com várias gerações de alunos, paradigmas educativos e níveis de ensino diferentes. Se é verdade que são marcos incontornáveis a abertura e liberalização do ensino, abrindo caminho às gerações mais qualificadas de sempre em Portugal, também é um facto que durante a última década a qualidade das competências adquiridas nas chamadas disciplinas base
        tem vindo a degradar-se. A sistemática falta de competências de escrita e raciocínio é ignorada ao longo de todo o percurso escolar. São elementos da aprendizagem que foram taxados de arcaísmos, com laivos fascizantes. É hoje uma raridade encontrar um aluno, mesmo nos ciclos pós-graduados, que tenha uma escrita escorreita, por exemplo. Não estou só a falar de sodomização sintática, ortográfica ou gramatical. Trechos de prosa completamente ilegíveis. Ou que seja capaz de realizar de forma expedita um cálculo aritmético simples. Isso é grave e não é exclusivo do nosso país, infelizmente. Estou-me perfeitamente a marimbar se vestem certas coisas com as cores do Estado Novo, até porque o advento da educação é muito anterior a 1926, por muito que certas pessoas achem que a educação surgiu na história da Humanidade em 1998, ou assim…

        Quanto à frescura das alfaces no Estado Novo, não lhe digo nada, mas tomates não podia ter – por ser um legume obviamente vermelho – sob pena de ir plantar batatas para o Tarrafal.

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        1. André, não é preciso ser tão duro comigo, que eu sou como o espantalho do feiticeiro de oz, não tenho cérebro, mas tenho coração. Eu não percebo nada disto, mas então a liberalização do ensino abriu caminho às gerações mais qualificadas de sempre, sei lá, três, e de repente apareceram trogloditas, sei lá, os filhos da primeira geração, que fizeram um percurso escolar completo em dez anos até à pós graduação sem saber escrever nem fazer contas simples? Isso é uma espécie de lógica quântica que, apesar de tudo, muito me faz orgulhar da nossa ciência.

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          1. Não estava a ser duro, caramelo, e se foi essa a ideia que lhe dei, peço-lhe desculpa.

            Acho que está a confundir qualificação com competência. A qualificação diz respeito aos títulos académicos, que acarretam um conjunto de competências. Não são equivalentes. Trocado por miúdos, é um facto que a qualificação disparou, mas nos últimos anos tem-se notado uma enorme degradação das competências adquiridas. Acredite que foi uma coisa de um ano para o outro. O fenómeno repetiu-se em vários países, em virtude da disseminação concertada de certas práticas educativas. Não basta, por exemplo, olhar para o número de doutorados, ou pós-graduados, que é o que o caramelo está a fazer e o que faziam os governos sócrates, sem fazer uma apreciação crítica da qualidade da titulação. Se concedesse o 12º ano logo ao nascimento, então o cenário ainda seria mais bonito. Algo está mal e tem de ser mudado. O preconceito político, seja de que cariz for, não ajuda nada. Tenho sérias dúvidas de que Nuno Crato seja o homem a dar o impulso no sentido certo, apesar das melhores intenções. O seu desafio é duplo, por se encontrar financeira e politicamente manietado.
            (Isso do orgulho na ciência, ou assim, também daria pano para mangas, ó caramelo)

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            1. André, olá, respondi lá em baixo, que o Luis Jorge tem aqui um desgraçado de um sistema que daqui a bocado estamos a empilhar letras.

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    3. Um mito urbano é achar que o progresso é sempre para melhor.
      Quanto ao ensino nunca tivemos uma geração tão capaz em termos académicos.

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      1. O culto da autoridade está a regressar
        hoje disse a uma aluna que não aceite o magister dixi foi assim que não se progrediu em termos cientificos na idade Média com a ideia que não se podia “contrariar” Aristóteles
        Que questionasse
        Aprendesse usando a medicina da evidencia e não o mestre (e o mestre era eu 🙂

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        1. Sejamos claros, henedina: que quer dizer com “tão capaz EM TERMOS ACADÉMICOS”? Estas expressões, lamento dizer-lhe, soam mais do que dizem. Quer dizer “com títulos mais avançados”? É que se for isso, tenho a dizer-lhe que o título certifica um conjunto de capacidades, competências e conhecimentos, que tem vindo a mirrar de forma assustadora. É uma tendência muito nossa considerar que um título académico é um valor em si, e não aquilo que ele atesta. Dificilmente escutaria um alemão dizer “geração academicamente capaz”, a não ser que se referisse à de Hegel e Schopenhauer…. O que interessa é que seja capaz, academicamente ou não são outros berloques.

          Quanto ao culto da autoridade, já saberá como é… se totalmente ausente, a tendência é cair nos extremismos do culto.

          (Já agora essa de que na Idade Média não se progrediu em termos científicos é uma grave incorrecção. Provavelmente, o que pretende dizer é que não se progrediu significativamente na Europa, à luz ofuscante do advento científico renascentista. É que foi durante a Idade Média que os árabes fizeram maravilhas na matemática, verdadeiramente fundamentais, mas não só… E os chineses também fizeram das suas)

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          1. Gente capaz do ponto de vista académico quer dizer, a título de exemplo, gente capaz de publicar vários artigos por ano em revistas de impacto internacional. Consta que, há vinte ou trinta anos, se contavam pelos dedos aqueles que eram capazes disso.

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          2. Concedo que o ensino está mal. Uma minoria é muito bem preparada, enquanto os restantes se arrastam pela mediocridade. O ponto a reter a propósito do saudosismo invocado pelo post é que, embora os mesmos factores concorram para degradar o ensino na Europa e nos EUA (a saber o desprezo pelos valores do Iluminismo), o nível basal do nosso ensino é muito baixo do que em França ou na Alemanha. E isso resulta directamente da política de desprezo pela educação levada a cabo pelo anterior regime. Isto é, em termos figurados passámos da Idade Média para o pós-modernismo sem ter tido nem Renascença nem o Iluminismo.

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          3. Andre os arabes e chineses não se importavam de contrariar Aristoteles nos que o conheciam por isso progrediram, aqui era a noção de mestre que me importava reforçar.
            Mas a idade media mesmo entre nós teve por exemplo poesia (as coisas não são a preto e branco).

            Sou professora universitaria não considero a academia uma produtora de diplomas sem sentido.

            E se a sua admiração vai para a Alemanha é natural que em Portugal vá para a autoridade.

            Nunca uma geração foi tão capaz, como diz o Miguel nunca se investigou e publicou tanto em revistas de prestigio como na nossa geração.

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            1. Ponto prévio: eu nunca disse que admiro a Alemanha. Dei um exemplo do que considerei estar antípodas do objecto da discussão. Não obstante a elevada produtividade e qualidade formativa desse sistema, considero abominável o ambiente que se respira na academia alemã. Eu também não defendi a autoridade per se, como também não defendo a sua total ausência. Acho que essa é uma questão de sentido comum.

              Estamos a confundir aquilo que decorre essencialmente da melhoria das condições de financiamento para investigação, nomeada e quase exclusivamente através da FCT, com o Ensino em geral. Uma coisa não está relacionada com a outra. Grande parte dos tais investigadores, se não quase todos, que publicam em revistas internacionais de impacto, tiveram contacto e/ou fizeram algum grau académico em instituições estrangeiras. Por outro lado, o grosso das contribuições científicas a que se refere não reflecte uma distribuição normal pelas várias áreas, senão um tremendo enviesamento nas ciências biomédicas, por várias razões, nenhuma relacionada com questões de política pedagógica.

              Mas não creio que seja este o tema da discussão, porque me parece rebuscado e causisticamente difícil de relacionar aquilo que é a melhoria do acesso a financiamento e mobilidade científica, com políticas educativas concretas, como o favorecimento do texto utilitário em detrimento da análise crítica de textos de referência literária em Português B. Também sou professor universitário e investigador. Tenho a dizer que, ano após ano, aumenta a dificuldade em corrigir os exames dos alunos, por ilegíveis, sendo também cada vez menor o leque de conhecimentos rudimentares de matemática que os alunos trazem do liceu. Não que estejam mais burros, nada disso!, mantém-se o mesmo entusiasmo e a curiosidade naturais. Este é o resultado da minha observação pessoal e de praticamente todo o corpo docente que acompanho, lidando com centenas de alunos. Vale o que vale, eu sei.

              “Spot on” com esses mamelucos.

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  2. É um pouco como as pessoas que lamentam a escassez de um certo mundo rural, tradicional e bucólico. Se deixarmos de fora a brutalidade do dia-a-dia (trabalho de sol a sol, incluindo trabalho infantil, e fome, entre outras coisas), sem qualquer hipótese de alternativa, é um retrato muito bonito.

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      1. Sim, e depois casavam, tinham muitos filhos (boa gente católica), comiam os bichinhos que criavam em casa, bebiam leite quase directamente da vaquinha, coziam pão em fornos de lenha, tinham uma horta no quintal, etc. Como narrativa, é um encanto.

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  3. O eduquês é uma espécie de espantalho para ignorar aquilo que realmente é importante discutir a propósito educação. Por exemplo, ver aqui:

    (vejam por exemplo a partir dos 7:00 do vídeo; mais ou menos como era a escola antes nos bons velhos tempos do magister dixit sr dr excelencia Salazar lol…. )

    Ignorem o sarcasmo e a obsessão com o Salazar, e comparem a análise da
    educação feita numa apresentação oral de 50 minutos por um tipo sério (cientista de alto nível) com as banalidades, meias-verdades e superficialidades repetidas nos debates televisivos em Portugal por luminárias como o sr ministro e outros amadores do achismo taxista. O problema antes de ser ideológico é a falta de profissionalismo, o amadorismo no mau sentido do termo.

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  4. André, não peça desculpas, estava a brincar.
    Ainda não entendi bem é o que terá acontecido na última década que, de forma tão abrupta, formou uma geração de pós graduados analfabetos, nem como pode ser´isso possível, atento o facto de o ciclo escolar e académico até se chegar aí ser um pouco mais longo. Adiante, isso é um mero pormenor matemático.
    Primeiro que tudo, devemos assentar que sem educação formal, sem percurso completo, não se faz nada. Suponho que nisso estamos de acordo. Imagina o André, pelo que vejo, que os títulos académicos têm sido (na última década) praticamente oferecidos. Quanto à qualidade da educação ministrada, diz o André que é uma raridade encontrar alunos, mesmo nos ciclos da pós graduação, que consegue fazer cálculos aritméticos simples. Uma raridade, imagine-se. Mas teria que ter dados para provar isso, não se ficando pelo anedótico. Todos também já vimos professores a dizer que os seus alunos se formam sem saber ler e escrever, e todos também já vimos por aí textos mal escritos e todos conhecemos malta licenciada que não sabe escrever. Sempre houve, sempre haverá, etc. é irrelevante.
    O que eu vejo é que nos últimos vinte anos, mais ou menos, subiram quase exponencialmente os artigos de portugueses em publicações científicas internacionais, bem como as patentes (menos, não há mais registos de patentes porque isso não é barato). Os dados estão publicados. Moro ao lado de um instituto universitário que funciona como incubadora de empresas de base tecnológica, com projectos interessantíssimos e que são disputados por multinacionais. Está a expandir-se agora, porque já é pequeno para a procura. Estou a quinhentos metros de centros de investigação cheios de jovens com projectos brilhantes, desde a robótica à medicina, Temos empresas cheias de jovens (saídos de universidades portuguesas) que fazem investigação aplicada de ponta, que trabalham para a NASA e o Centro Espacial Europeu, entre outros. Estou a 30 quilómetros de um centro de biotecnologia, com malta sobretudo de Aveiro e Coimbra, que não fica nada a dever ao que se faz lá fora. Estou a falar da província. Fazem-se coisas igualmente fantásticas no Minho e na Beira Interior, que aqui não se conhecem, mas que são apreciadas lá fora. Dizia um reputado empresário português (o dono da Renova), (atente nisto), que os nossos jovens matemáticos têm uma formação superior aos do MIT de Boston. Isto é da geração desgraçadamente analfabeta de que você fala. Sobre a escrita e o raciocínio, deverão esses jovens pelo menos ter competência para pensar no que escrevem e para escrever de forma clara e articulada os seus artigos. Finalmente, temos muitos jovens que todos os anos rumam para centros de investigação estrangeiros. O problema é económico, é de falta de investimento, não é de falta de competências. Se se aproveitasse melhor o saber, criatividade e esforço desta geração, se fossem mais apoiados os centros de investigação e as universidades (bastaria, por ano, um décimo do orçamento de Harvard durante um mês) tornar-se-ia mais visível mesmo para o André
    Noutra ocasião (que isto já vai longo) posso falar também sobre o “facilitismo” que é a educação dos nossos mais pequenos, no básico, e sobre o célebre “eduquês” (de que já não posso ouvir falar).

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    1. Caramelo, parte do que lhe queria responder já consta de uma resposta que deixei à Henedina. A melhoria do investimento em ciência, tão importante e com excelentes resultados, não faz parte, nem é consequência das políticas educativas que estão em discussão. Por exemplo, a principal e quase única fonte de financiamento para investigação em Portugal (FCT), no primado de Maria de Lurdes Rodrigues, de nefastíssimas consequências (começando pela “festa” da Parque Escolar, acabando nas análises ao Big Brother em aulas de Português no secundário) nem era tutelado pelo Ministério da Educação, mas sim pelo hoje extinto Ministério da Ciência e do Ensino Superior. Estão-se a meter cristãos e romanos no mesmo saco, portanto. Curiosamente, ou talvez não, foi apenas durante o reinado socratista que a Ciência teve direito a ministério próprio…

      Mas o caramelo tem razão: apesar de francamente melhorado, o investimento é pouco, e com tendência a piorar. Mas isso são contas de outro rosário.

      Sobre os matemáticos, o caramelo faz outra confusão, que é entre conteúdo programático e prática pedagógica. Mas, deixe-me que lhe pergunte, que matemáticos são esses? Da FCUL? Da FCUC? da FCUP? Matemática pura? Aplicada? E não é surpreendente o que diz o empresário da Renova: a nossa oferta formativa inclui programas extremamente bem feitos, coerentes e completos. Muitos combinando disciplinas de forma única à escala internacional. Mas uma coisa é um programa de cadeiras, outra o que nele se ensina. Fica só muito bem no papel, se a isso não corresponder uma efectiva transferência de conhecimento e competências. Isso, meu caro, já vem inquinado desde trás e receio que voguemos muito a jusante do problema. Por exemplo, é chocante o grau de iliteracia que grassa entre os professores do ensino básico.

      Sobre a matemática pura, para terminar, até há bem pouco tempo nem sequer se podia doutorar por cá. Havia um protocolo com França. Grande parte do corpo docente era constituido por assistentes, que foram sacrificados numa recente purga.

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      1. André, o gajo da Renova não disse que os manuais estavam bem feitos, disse mesmo que os tipos são muito bons. Portanto, pura ou aplicada, a matemática transferiu-se pelo menos do papel para a cabeça deles. Ora, se os professores do básico são analfabetos, fizeram os professores universitários um excelente trabalho a ensinar-lhes no primeiro semestre a tabuada e as primeiras letras da cartilha maternal do joão de deus.
        A literacia dos professores do ensino básico, deve ser então outra coisa que se degradou entretanto. Bom era o tempo das regentes escolares, aquele em que os pastores liam Píndaro nos montes hermínios. Em 1973 fiz o meu exame da quarta classe. Foi um momento traumático da minha infância: Perguntou-me o examinador qual era a cidade museu e eu disse que era Viseu. Com o nervosismo deu-me para rimar. Não era, era Évora (era, não era?). A capital dos comboios era o Entroncamento, a Lusa Atenas era Coimbra, a capital do trabalho era o Porto, a capital destes tótós era Lisboa. Lixei-me, que tive suficiente no final e foi uma choradeira. Felizmente, correu muito bem a prova dos trabalhos manuais e a redação de tema livre sobre uma viagem que fiz pelo mundo. Eu espantava sempre os adultos com a geografia e ainda mais os meus colegas com as viagens que fazia pelo mundo, que relatava com grande pormenor no recreio.

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  5. Ora bem, Luís, há algo que ninguém te tira: existirão, certamente, blogues com mais leitores, mas duvido que em algum a troca de ideias atinja um nível tão elevado (e não me cinjo a esta caixa de comentários).

    (Eu sei que não deveria escrever isto, dado ser um comentador, digamos assim, regular, mas é exactamente isto que penso — e, como é lógico, estou a excluir a minha participação da análise.)

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