Eles comem tudo.

O mais importante era combater a fome. Comprámos doze quilos de febras, seis de entremeada, vinte grades de bujecas e fomos à Alameda protestar contra o grande capital. Estavam a sair do metro uns palhacitos da tuna da católica, capa preta, cabelos à foda-se, gravata e o caralho e o Antunes pergunta-lhes se aquilo era a bicha para o centro de emprego. Deram-nos música: “a nossa força, vem da união, não nos confundam, somos de gestão”. “Se querem união juntem-se aos trabalhadores, pá”. Os putos olham para as febras como se fossem gambas à guilho e tungas, desatam a morfar. Ainda os enchemos de pão alentejano, mas tinham bicha solitária: foi o pão, a carne, o toucinho e lamentaram que não houvesse mais cerveja. O chefe arrumou a trouxa, reuniu a pandilha e ala que se faz tarde. “Onde é que vais agora, Bernardo?” Respondeu-me lá ao longe, o filho da puta: “Bernardo não, doutor Bernardo faz favor”.

Anúncios

3 pensamentos sobre “Eles comem tudo.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s