Tácticas e táticas.

Há algo de exótico e refrescante num país que alça as enxadas por escrever rutura em vez de ruptura, mas não se importa de trocar 2013 por 2015. Se eu não fosse tão ingénuo diria que o acordo dá imenso jeito.

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19 pensamentos sobre “Tácticas e táticas.

  1. Não é certo que o país que não se importe. Quem não se importa é a opinião publicada, que actualmente apoia o governo com grande determinação. Quanto à opinião alegadamente pública não tem encontrado forma de se exprimir, ou realmente não se importa ou não consegue dizer que se importa.

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      1. É o lado católico, os crentes tênm vergonha de dizer que precisam do vil metal, qualquer bom cristão sabe que o dinheiro não dá felicidade e ainda por cima dificulta a ida para o céu.

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        1. Julgo que é mais uma confirmaçao do padrão de referencia: os subsídios eram um “extra”, um presente,não algo que nos pertencia por direito próprio. Até a expressão direitos adquiridos ecoava essa espécie de ilegitimidade. Ou seja, eis um bom argumento para os distribuir pelos doze meses – porque aí as perdas doem mais.

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          1. Os “subsídios de férias e de Natal” têm além disso um aspecto paternalista que me desagrada, parece que as pessoas são incapazes de gerir o seu dinheiro e de guardar algum para esses períodos. E para os que forem incapazes de ser previdentes não devemos tirar a oportunidade de negócio aos nossos bancos, que são tão prestimosos a oferecer créditos para viajar agora e pagar depois.

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  2. E o título do Expresso “Subsídios de Natal e férias só serão repostos a partir de 2015” peca por optimismo. O que o primeiro-ministro disse foi que não iria repor nada até 2015. Depois desse ano reporá se tiver dinheiro e disposição para tal, um bocado como o combóio espanhol de que se dizia “chega quando chega, se chega”.

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  3. O problema não está nem numa coisa nem noutra é mais profundo.
    Viviamos num estado de direito e agora não temos nem estado, nem direito e ainda menos estado de direito.
    Esta impunidade absoluta faz-me, agora, de Portugal só gostar da paisagem.

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  4. É uma tática segura: fazemos uma guerra sem quartel no acessório para justificar uma abstenção violenta no essencial.

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  5. Eu acho que o país não se importa muito com o AO. Estamos longe de ser um país de filólogos e linguistas. No dia em que ao perguntarem a alguém na rua o que o preocupa mais, essa pessoa responder que é não poder usar consoantes mudas, eu começo a pensar que vivemos numa daquelas ilhas que o Gulliver visitou. Isso são mais preocupações dos costesãos ociosos. A malta preocupa-se mesmo é com o pilim e não se importa de o dizer. Se forem para a rua com um microfone, é o que ouvem. O pudor nessa matéria é mais dos protestantes do que dos católicos. You don’t speak about money, that’s just not proper.

    j.j. Amarante, o estado paternalista tem cem anos e não se resume aos subsídios de férias e de natal. As escolas públicas e o serviço de saúde pública, por exemplo, servem para aqueles imprevidentes que não se esforçam o suficiente para tratar da saúde e da educação no privado. Não acho lá muito desagradável. A própria Ayn Rand, a papisa dos anarco liberais, no fim da vida teve de recorrer ao paternalismo do estado americano para tratar da saúde. Nem com a venda dos seus panfletos contra o estado paternalista conseguiu poupar para os gastos.

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    1. A escola pública é uma caso muito diferente porque a sua ausência faz as crianças vítimas da imprevidência dos pais. O Estado não se pode substituir a todas as imprevidências dos pais mas pode (e deve) pelo menos garantir o essencial da educação. O serviço de saúde pública também é um caso completamente diferente, por vezes literalmente de vida ou de morte. Corresponde por um lado a uma mutualização forçada do risco de doença e por outro a atingir níveis sanitários, estou-me a lembrar da quase erradicação da tuberculose, inalcançáveis de outra forma, teríamos que tomar muito mais precauções se tivéssemos os micróbios completamente à solta a desenvolverem-se entre os miseráveis. Já as prendas do Natal e as despesas de Férias, além de previsíveis, não têem as consequências dos dois casos acima referidos.

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    2. Se o país não se importasse com essa extravagância stalinista que é o «cordo» seria muito mau sinal. Felizmente, e como seria expectável, os portugueses importam-se mesmo, dos seus maiores vultos a adolescentes de 13 ou 14 anos, mas que se fazem as mesmas perguntas fundamentais: para quê e porquê, tal como Pessoa se interrogou em 1911, para classificar, depois, a “reforma” de então como um acto de impatriotismo, imoral e impolítico.
      O autor do post parece pensar que a indignação e o pedido de contas por um acto de uma extrema violência, e inédito na história da humanidade não está ao alcance de quem não a passar por dificuldades. É um opinião. A questão, todavia, devia ser posta também, ao do lado de lá, do poder, No Brasil, a existência de fome e quem dela morra diariamente, não impede que se comentam coisas destas: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12605.htm
      E acabo aqui a minha brevísssima carreira de comentaristo.

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  6. Devesse escribir de muy variagadas maneyras num memo iscrito pruq assim ua das maneiras háde istar certa.
    Acudão que matom u Meestre.

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  7. Jj Amarante, a imprevidência dos pais na poupança para as férias e natal também prejudica os filhos. Se não fossem os tais subsídios, muitas crianças não punham os pés na praia, nem recebiam prendas de natal. Por outro lado, pensando bem, sendo incerto o destino desse dinheiro, seria mais avisado o estado oferecer cheques prenda e vouchers para as férias em aldeamentos com protocolo com o estado. Ou então considerar logo que o Estado não tem de se meter nessas frioleiras domésticas. Reduz-se o Estado ao osso. É o caso da assistência e prevenção da doença. Limita-se ao controlo dos micróbios, os radicais livres, para que o estado não fique rapidamente deserto. No resto, quanto às doenças ecológicas, coronárias, etc. fumem menos, bebam menos, e comam menos carnes vermelhas.

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