Imperdoável esbanjamento.

(…) acho que o sistema salazarista de educação primária e secundária (…) compara bem com o descalabro abrilista. Não é que as gerações rascas tenham maiores quantidades de calinos ou sequer de ignorantes; pelo contrário (…). Mas isto foi feito, como aconteceu com outros sectores que registaram algum sucesso, sem perguntar se a comunidade podia sustentar indefinidamente despesas crescentes; à boleia da ideia fantasiosa de que o investimento na educação é sempre reprodutiva.

Na congregatio de propaganda fide José Meireles Graça demonstra que o investimento feito na sua educação, lamentavelmente, não se reproduziu.

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25 pensamentos sobre “Imperdoável esbanjamento.

  1. Já não nos bastava o poder — qualquer forma de poder: político, económico, etc. — estar sempre nas mãos dos mesmos — antes e depois de Abril, aliás, porque a «festa», boa ou má, durou pouco –, ainda nos queriam tirar o acesso à educação. Infelizmente, há gente que, considerando-se muito acima dos outros, não passa de um escarro — e reproduz-se.

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  2. Claro que o investimento na educação é sempre reprodutivo e é aí que as verdadeiras chatices começam. Onde a porca torce o rabo é quando a educação acrescida e reprodutiva começa às turras com o sistema distribuitivo das «life-chances». O mesmo sistema que acha natural e desejável que um doutorado em Oxford vá de joelhos em peregrinação a Fátima, ou leia o Correio da Manhã.

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      1. Se bem o compreendi, principia nesse ponto a regressão para aquele auspicioso delírio em que começamos a ver imensas vantagens na escolarização tacanha e só para alguns do professor Salazar?

        E o que eu gostava de saber se o José Meireles Graça alimentou as “despesas crescentes” da nossa educação pública…

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  3. Quando leio estas “postas”, penso sempre naquilo que dizem da fuga de cérebros de Portugal, e concordo: eles fugiram, mas ficaram em Portugal os corpos a escrever posts desta grandeza. (“…a ideia fantasiosa de que o investimento na educação é sempre reprodutivo” é uma frase de chorar a rir, e no mesmo post, o uso da expressão “pool de gente a quem foi ministrado” é todo um programa…de humor.

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    1. De humor negro. Aquela equipa fez campanha activa pelo PSD (dela saíram aliás os seus mais vocais defensores na blogosfera), e não sei se o autor referido não tem ligações ao Governo.

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  4. Esses tipos são todos seja uns cretinos seja filhos da puta ou as duas coisas ao mesmo tempo. A filhice de putice escuso de explicar porque
    é evidente. A cretinice é variada, mas posso exemplificar. Dizem-nos esses génios que hoje há muitos mais estudantes que pouco sabem do que antigamente. Mas, claro, que não se dão ao trabalho de normalizar deixando debaixo do tapete que também há muitos mais estudantes a saber muito mais do que outrora (essa Idade de Ouro de 24 de Abril). Depois também não se dão ao trabalho de estimar o tempo de atraso esperado entre o investimento maciço na educação e as melhorias nos resultados. Há um tempo de atraso inevitável a não ser que se contratasse professores no estrangeiro. Se na primeira geração existem n professores com óptimas qualificações, mas são necessários 2n para dar vazão às necessidades segue que existe pelo menos uma geração a meio com condições escolares sub-óptimas (assumindo que à partida eram óptimas, o que é altamente duvidoso a partir do que se sabe de Portugal anterior a 74). Já nem falo nas competencias sócio-culturais das famílias, das enormes desigualdades culturais da população herdadas da idade do ouro etc etc etc ….

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    1. A questão é sempre a mesma: falta de capital social. Esta gente julga que o que funcionou para eles é dispensável para os outros. Queriam uma sociedade fechada, mas agora é tarde.

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  5. “… e destruindo selvaticamente tudo o que o regime defunto pôs de pé”? Vá lá, safou-se o José Meireles Graça.

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  6. A parvoíce, efetivamente, reproduz-se: http://forteapache.blogs.sapo.pt/386355.html.
    E são pérolas atrás de pérolas: a classe média que desceu ao nível dos operários, os jovens — os da tal classe média que desceu ao nível dos operários, presumo, porque os dos colégios de betinhos que vão para a Católica devem ser ótimos e recomendam-se — com formação atamancada, etc. Mas, enfim, nada que se compare à gravidade de um operário não poder fumar o seu cigarrito: isso é que deu cabo disto tudo.)

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  7. Mas o amigo Meireles não devia desdenhar o ensino do francês, lingua que tem ainda muita importância. O Professor Brassens ensina, no seu francês clássico, cristalino, com uma dicção perfeita e de forma bem soletrada:

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      1. Espero que tenha sido cá proibido. Era sinal que o sistema de educação tinha pelo menos servido para os coronéis o perceberem.

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  8. De cada vez que cá passo a ler os comentários sinto-me mal. Não lhe consigo seguir o exemplo.

    Aqui há uns tempos (25/1) vc escrevia aquele post de umas merdas enjorcadas que o irritavam no dia seguinte. A escrita na blogosfera precisa de apuro estilístico e tal… «Solução: ler menos jornais. Escrever devagar. Dedicar uma indiferença olímpica aos leitores.»

    Disse pra comigo «olha que farsante», com esta da «indiferença olímpica». Andando a gente por aí poucos se topam que dediquem tanto cuidado a responder aos comentários. Poucos ficam sem resposta, sempre um exemplo de civilidade e humor. Estas caixas de comentários lembram um pouco os salões iluministas.

    A 21/3 quando publicou o post «Estado da Arte» se calhar omitiu uma das estatísticas que devem ser exemplares na blogosfera portuguesa: o rácio de comentários a que responde. Provávelmente tem aí um exemplo magnífico de consideração pelos leitores, ou comentadores.

    Já sei que me vai ameaçar com o envio do tal presunto pelo elogio – que lhe era devido. Mas só por curiosidade, qual é o rácio?

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    1. S., o segredo é ter dois ecrãs no computador. Um para o trabalho, outro para as aplicações, blog, etc. Não imagino qual seja o rádio, mas sei que há quem se queixe ainda por me considerar pouco loquaz. Quanto a isso dos salões, é amizade sua.

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  9. “salões iluministas” não eram mulheres que eram anfitriãs?
    Mas tem toda a razão soliplass. É sem duvida o blogger que responde mais vezes e com humor aos seus comentadores. O racio não é 100% mas quando não responde eu valorizo positivamente o seu silencio (é mais ou menos, não te respondo pq comentaste ao lado ou não te respondo e agradece 😉

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