A nossa publicidade nasceu em 1990. Vinte anos depois, imensos adolescentes giríssimos  dão as mãos com arzinho enlevado e trauteiam jingles em inglês para a Optimus e a EDP.

A extinção da publicidade coincide com a morte do jornalismo, da arquitectura e da classe média em Portugal. Foram duas décadas de cultura crítica implacável e de criatividade em rede. Um anúncio maquetizado de manhã na Young era espostejado à tarde na BBDO e sepultado à noite no Clube da Esquina ou no Bicaense. Algumas agências enviavam todo o departamento criativo aos festivais de Cannes.

Há cerca de um mês vi este anúncio da McCann Ericksson Lisboa e recordei um pouco da liberdade e do critério que perdemos. É tão divertido que só alguém sem consciência do perigo o poderia ter feito. Não por acaso, foi encomendado por uma marca espanhola e passou em Madrid antes de chegar até nós*.

* Claro que goza o prato é uma assinatura miserável, mas isto sou eu a regressar a 2005.

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10 pensamentos sobre “

  1. O que eu vejo é uma micro-metragem engraçada e muito bem feita. Mas quantas fatias de fiambre vendeu? Just curious. É que esse anúncio provoca-me desejos de ir apanhar sapos fofinhos, não de comprar fiambre da marca… qual é mesmo? Eu sei que os anuncios da silampos nos anos 60 venderam imensas panelas de pressão e acredito que algumas pessoas que viveram nessa época ainda as comprem, passados tantos anos, apenas por causa do joão ratão e da música. Eu estou a tentar perceber se a função actual de um publicitário é entreter a classe média. Mas, obviamente, se esse « perigo » de que fala é assumido pelo anunciante, alguma vantagem este terá, quanto mais não seja o prestígio de se ver premiado em cannes.
    Tenho mais certezas sobre outra coisa: o tal anúncio da optimus provoca-me desejos de aderir à vodafone ou à tmn. Portanto, não deixa de ser um anúncio muito eficaz, pelo menos em relação às minhas opções de consumo.

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    1. Às vezes dou umas aulas de publicidade a jovens promissores num instituto da especialidade, em horário pós-laboral. Se quiser pode inscrever-se para discorrer com algum conhecimento de causa, e sem dizer excessivas asneiras, ao serão.

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  2. Exagero. A arquitectura, pelo menos, não morreu. e então os prémios recentes aos nossos grandes arquitectos e a natureza a reconstruiir-se onde as casinhas velhas caem?

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  3. Não deixa de ser uma oportunidade. Para pegar nas câmaras de vídeo –agora que não as faltam bon marché — e fazer umas curtas metragens. Só que agora, em vez de ser para vender sabonetes, podem aplicar toda a experiência técnica com liberdade criativa. Até têm contactos em Cannes (e outros sítios) para as distribuir e fazer chegar à tal classe média.

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  4. Luis Jorge, não hostilize um consumidor de carnes frias, o consumidor tem sempre razão 😉 Eu sei que o meu comentário foi provocador, mas não se zangue. A publicidade também tem a função de tornar o mundo mais giro. Quanto aos filmes, não os vejo na televisão, faço zapping e forward, mas consumo aos pacotes no youtube, como se comesse um bolo de chocolate inteiro. Todos precisamos disso. O dono do Licor Beirão, encheu há décadas as estradas do país com cartazes com gajas boas com a garrafinha na mão e esteve em risco de lhe proibirem os cartazes porque excitava muitos os condutores. Mas fez bom dinheiro com isso. Pronto, eu até já sei que em Cannes foi criado um prémio diferente do habitual, esse que se fala ai no link, era simplesmente sobre isso que eu queria falar, se estiver para ai virado.

    http://abcnews.go.com/Business/wireStory?id=13926562

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